Em Nome de Deu$!

“Quer fazer algo que agrade a Deus, deixe seus bens para a igreja.”

Em vídeo gravado ao lado da esposa fazendo cara de santa, o bispo Edir Macedo caiu na boca do povo esta semana por causa dessa proposta indecente feita aos fiéis.

O fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, desprovido de qualquer pudor, além de pedir os bens dos fiéis, diz que ele próprio não tem nada. Que o que “supostamente” tem está tudo designado para continuar com seu trabalho de evangelização.

Haja evangelização!

Com uma fortuna estimada hoje em mais de R$ 6 bilhões (que pessoa abençoada!), já foi classificado pela revista Forbes como o pastor mais rico do Brasil. Vive uma vida de luxo com direito a jato particular e tudo o mais, às custas dos crédulos que frequentam suas células religiosas aqui e fora do Brasil.

Baita empreendimento, esse. Investimento zero, lucro garantido livre de impostos, poucos gastos. Um prejuízo eventual de vez em quando que nem chega a alterar seu saldo de muitos dígitos. Em março deste ano a Universal teve de devolver R$ 204 mil a uma professora de 53 anos que doou todas as suas economias para a igreja em troca de um lugar no céu. (Quem vende um lugar no céu já deve ter garantido pra si um belo terreno no inferno. Que arda, pois.)

 

 

Outro assunto bem comentado na semana foi o discurso evangélico da primeira-nada Michelle “de Queiroz” Bolsonaro, na convenção do PL realizada no último domingo, dia 24, no Maracanãzinho.

Para apresentá-la, seu “doce” marido lê (mal e porcamente, diga-se) uma passagem bíblica que fala em mulher virtuosa. Michelle se emociona e com um lencinho enxuga as lágrimas (será que tinha essência de cebola do lencinho?), para então começar um discurso que tenta passar a imagem de um Bolsonaro que claramente não existe: a do homem dócil e preocupado com as mulheres.

Em seguida parte para um discurso apelativo desenterrando a tal facada: “Quando vi meu marido deitado naquela maca, desconfigurado, eu olhei para o teto do hospital e falei: o Senhor tem o controle de todas as coisas. Não cai um fio de cabelo de nossa cabeça e uma folha de uma árvore sem a permissão do Senhor. Se for pra vida, Glória a Deus, mas se for pra morte Glória a Deus”. (Nesse momento se ouve um “Aleluia” na plateia.)

E segue falando de Deus aos “fiéis” que compareceram à convenção, até finalmente chegar a um ponto mais concreto: “Essa nação é próspera, é rica, só foi mal administrada”.

Pois então, dona Michelle, se até a senhora acha que foi mal administrada, por que deveríamos reeleger seu marido? Ele teve quase quatro anos para tentar melhorar nossas vidas, mas os gastou fazendo motociatas, jetskyatas, cavalgatas, torrando nosso dinheiro em cartão corporativo e deixando o povo passar fome. Foi o responsável por mais de 600 mil mortes durante a pandemia com seu negacionismo irresponsável. Deu uma banana pro Meio-Ambiente, pra Saúde e pra Educação. Brigou com as instituições, e pior, ainda tenta imitar seu amigo cor de laranja, incentivando a baderna, caso perca as eleições. Se vendeu abertamente ao Centrão para se manter em pé durante este tempo todo. Trocou o comando da Polícia Federal várias vezes quando percebeu que a água estava batendo na bunda do seu filho Flávio, e por aí vai.

Nem dá pra mencionar todas as falcatruas cometidas por esse marido que a senhora agora tenta proteger.

Sinto avisar que a senhora está gastando saliva à toa. Não adianta colocar Deus numa ponta e o Diabo na outra que não cola.

Deus tá vendo!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 29/7/2022. 

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