A pior oposição da História

O Brasil tem, ao mesmo tempo, nestes mesmos desgraçados tempos após as eleições de 2018, o pior presidente da República de toda a sua História, o pior presidente da Câmara dos Deputados, o pior Parlamento como um todo, e a pior oposição.

Nunca houve uma oposição tão pouco oposicionista, tão incompetente, tão apagada, tão inerte, tão covarde.

Nunca houve uma oposição tão governista como essa que está aí, que rasgou as regras fiscais, as leis eleitorais e a própria Constituição para dar a Jair Bolsonaro, de mão beijada, o poder de torrar mais de R$ 40 bilhões em auxílios mal programados, mal planejados, a uma multidão de eleitores nos 90 dias que antecedem a eleição presidencial. E, de quebra, o poder de decretar o estado de emergência.

A oposição entregou a um sujeito que todo santo dia prega de alguma forma contra a Constituição e a democracia o poder de decretar o estado de emergência.

É como presentear um conhecido incendiário com um caminhão de pólvora, outro de gasolina e uma coleção de fósforos.

Uniram-se todos os partidos que se dizem de oposição e os que não são declaradamente da base aliada ao governo.

Do PSDB nem é preciso falar. Este vem, há alguns anos, consumindo todo o seu esforço para se autodestruir.

Mas, diabo, uniram-se a Bolsonaro o MDB, o Cidadania, a Rede, o PDT, o PCdo B, o PT!

Em todos os governos não-petistas, o PT fez oposição dura, firme, inquebrantável, aguerrida. De José Sarney, de Fernando Collor, de Itamar Franco, de Fernando Henrique Cardoso, de Michel Temer. Sempre disse não, com firmeza, alto e bom som. Disse não até mesmo a Tancredo Neves na eleição indireta que marcaria o fim do ciclo dos generais – entre o candidato das Forças Armadas, Paulo Maluf, e o candidato das oposições, o PT disse não aos dois e ficou no muro. E expulsou os deputados que ousaram votar contra os militares.

Depois do impeachment de Collor de Mello, recusou-se terminantemente a apoiar o governo de Itamar Franco – e chegou a expulsar um de seus quadros mais respeitados, a ex-prefeita de São Paulo Luíza Erundina, por ela ter dado apoio a um governo que tentava ser de união nacional após o tsunami do falso “caçador de marajás”.

Fez oposição firme ao Plano Real. Aloizio Mercadante, um dos petistas que se vendiam como conhecedores de Economia, chamava o Plano Real de engodo ou coisa parecida.

O PT começou a pedir “Fora FHC” antes mesmo que o sujeito assumisse a Presidência.

Foi incansável na oposição firme, cerrada, ao governo FHC ao longo de oito anos.

Foi incansável na oposição a Michel Temer e seu governo que tentava recompor a economia do país, destroçada nos anos Dilma Rousseff.

Diante de Jair Bolsonaro, o partido que era sempre um guerreiro feroz, um samurai, transmutou-se na mais doce das gueixas.

O Brasil e os brasileiros não merecem Jair Bolsonaro, Arthur Lira, Braga Netto, Eduardo Pazuello, Milton Ribeiro, Paulo Sérgio Nogueira, Ricardo Salles.

Mas, diabo, o Brasil e os brasileiros não merecem uma oposição dessas.

Este texto foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 15/7/2022. 

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