Motos e ditadores, uma dupla antiga

Este é um dos desfiles de motocicleta do ditador Benito Mussolini, com sua Moto n° 1.

Assim como “o Mito”, Il Duce adorava esses eventos, ocasião em que fazia propaganda da superioridade do regime ditatorial sobre a democracia, celebrando a virilidade e o patriotismo dos fascistas.

Abaixo, desfiles embandeirados de motocicletas, organizados pelo coronel Hugo Chávez, ditador muito elogiado por Bolsonaro no passado.

O Duce e Hugo Chávez, para inveja de Bolsonaro, conseguiram acabar com a democracia, subjugando o Judiciário, o Congresso, a imprensa e colocando toda a oposição na cadeia.

Chávez, grande defensor do armamentismo, deve ter causado inveja em Bolsonaro também em 2006, ao conseguir distribuir milhares de armas para seus simpatizantes.

Na Venezuela, motociclistas “patriotas”, que formam grupos de civis armados conhecidos como Colectivos, são até hoje encarregados de espancar e assassinar quem ousar fazer alguma crítica contra Chávez ou Maduro.

Voltando ao ídolo Mussolini, outra coincidência é que ele também desfilava em manifestações públicas a cavalo, com o braço estendido para cima. Exatamente como faz hoje Bolsonaro.

As coincidências são tantas que só falta “o Mito” um dia resolver batizar sua moto de n° 1, nome da que Mussolini usava em suas motociatas.

Claro que a ida de Bolsonaro a manifestações montado em cavalo ou com grupos de motociclistas, como fazia Benito Mussolini, não é mera coincidência: “o Mito” nunca deixou dúvidas sobre a sua admiração por regimes ditatoriais.

Porém, no Brasil, poucos percebem essa enorme semelhança com a figura criminosa do criador do fascismo, que foi o inspirador e grande ídolo de Hitler.

O fascismo, que tanto inspira Bolsonaro, hoje é um assunto muito distante do radar dos brasileiros. Até os bolsonaristas encaram todas essas imitações que “o Mito” faz do Benito Mussolini como se não tivessem significado algum, importância alguma.

Mal sabem que se trata de coisa antiga, iniciada em outubro de 1922, com o golpe de estado fascista, conhecido como a Marcha sobre Roma. E terminada nos últimos dias da II Guerra Mundial, com Mussolini e sua mulher Clara Petacci mortos e pendurados de cabeça para baixo num posto de gasolina em Milão.

Por falar em Marcha sobre Roma, em 15 de maio último houve uma tal marcha de caminhoneiros sobre Brasília, muito comemorada por Bolsonaro. Foram recebidos no Planalto, para mostrar apoio ao “Mito”. Originalidade não é mesmo o forte desse pessoal.

Junho de 2021

 

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