“Na brincadeira não existe coronavírus!”

Lá pelo meio da telenetada número 77, nesta sexta-feira, 3/7, mais de 100 dias de pandemia e quarentana, Marina estava brincando com a Alice, a recém-chegada garotinha das Barbies. Do lado de cá, a vovó colocou as Pollys na mesa – deitadas lado a lado, mas com boa distância entre uma e outra.

Mostrou as Pollys uma distante da outra para a Marina, dizendo que era o distanciamento social. Ela riu.

O vovô brincou que faltava fazer as máscaras para as Pollys e para as Barbies.

Aí foi demais. Marina reagiu de imediato, de bate-pronto:

“Na brincadeira não existe coronavírus!”

Continuamos a brincar na maior. Mas aquilo nos impressionou, é claro.

Na brincadeira não existe coronavírus. No faz-de-conta, no mundo mágico, não tem pandemia, não tem quarentena, não tem essa coisa de não poder vir dormir na casa do vovô e da vovó, não tem essa bobagem de eu não brincar com minhas amigas queridas.

Com uma frase, rápida, direta, funda, séria, Marina nos enquadrou bonito.

Não tem essa de enfiar coronavírus na brincadeira, ô seus chatos! Isto aqui é o território livre da imaginação, do faz-de-conta, da alegria!

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Nesta semana houve uma coisa interessante: tanto na quarta-feira quanto na quinta e na sexta, Marina – ao contrário do que vinha fazendo ao longo de muitos dias – não baseou toda a brincadeira nas Winx, a sua mania dos últimos tempos, o seu vício, como ela mesma diz. Continuou citando as Winx, contando do desenho, das histórias – mas elas já não foram mais a base das brincadeiras.

Na segunda-feira, bem no começo da netada, Marina nos contou sobre o que estava vendo das Winx. O especialmente bonitinho é o jeito de ela falar: – “Neste período em que estou ficando em casa tem mais tela, e eu vejo 2 DVDs”.

É o jeito com que ela fala desde sempre, e isso é uma delícia. Como ela começou a ver desenhos no DVD, ela usa a expressão “um DVD” como substituta de um episódio de desenho. Faz mais de ano que vê desenhos principalmente na Netflix, mas continua usando a expressão DVD. De uma certa maneira, pelo menos, ela é como o avó, apegada aos suportes físicos.

Já estava, na segunda-feira, vendo o encerramento da temporada 3 das Winx, já que tem visto dois episódios pela manhã e mais dois à noite – ou, como ela muitas vezes diz, 2 DVDs pela manhã e 2 à noite. Isso, claro, depois de ter visto 5 vezes a temporada 5 e 4 vezes a temporada 6

E aí, bem rapidamente já estávamos na nave dos Especialistas, prosseguindo a viagem iniciada no sábado passado, rumo à Dimensão Ômega, para tentar salvar a Musa, que havia ficado presa.

A Musa foi encontrada, salva, carregada para a nave, que iniciou viagem de volta.

Mas tem que haver problemas – e então a Flora pisou num buraco da nave dos Especialistas – e foi tragada para fora da nave. Pior ainda: lá fora, bateu a cabeça num planeta que passava por ali. Ficou muito mal. Foi preciso chamar Cristal, a que cura tudo.

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Na terça, Marina nos informou que já havia decidido do que iríamos brincar. Ela, Flora, iria organizar uma viagem – iria preparar tudo, passagens, decoração do avião, do avião, tudo, tudo, tudo.

Nos mostrou as notas e as moedas de um brinquedo que é uma caixa de um supermercado: as notas seriam as passagens, e as moedas seriam… Ih, já não me lembro bem o quê. Lembro é que Marina levou um bom tempo tentando organizar na sua própria cabecinha o que seriam as notas e o que seriam as moedas, que ela chamava de fichas.

Enquanto tentava organizar a forma com que organizaria tudo, Marina nos explicava que cada uma das seis Winx tem vários hotéis – mas há um hotel que é de todas elas ao mesmo tempo.

Lá pelas tantas, Marina resolveu desenhar o avião e depois a fachada do hotel. Mary aproveitou para propor que, do lado de cá, nós dois desenhássemos as placas indicativas da localização das coisas – piscina, horto, jardim, etc…

Não é sempre que a pequena propõe e/ou aceita desenhar, durante nossas netadas. Mas é tão gostoso…

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Na quarta-feira, tinha aula de piano, e então ela se atrasou um pouco.

Depois de conversar com a gente por um momento, dizer que a Mel só faz o que não pode fazer, e mexer um pouco com os desenhos de fundo do Messenger, Marina nos levou para o clubinho – onde, conforme eu fiz questão de dizer, a gente não entrava fazia um bom tempo.

Dentro do clubinho, Marina queria brincar que a Elsa era a rainha do mundo do luxo. As súditas eram Bibi, Luna e Catarina – mas também havia as súditas de emergência, como a Maravilha, súdita que cuidava do salão de beleza.

A vovó morreu de rir da invenção das súditas de emergência. Nunca jamais em tempo algum, a não ser na imaginação da Marina, monarca teve súdita de emergência!

Marina, fazendo as vezes de Maravilha, súdita de emergência, súdita da beleza de Elsa, passou creme de verdade na face da Elsa Barbie.

Diante do temor demonstrado por vovô e vovó de se usar creme de verdade, Marina saiu-se com a frase mais deliciosa do dia:

– “Vou colocar um pouco mais de creme. A boneca é minha, o creme é meu, eu faço o que eu quiser!”

Contra o menino dono da bola não há argumentação possível. Contra a menina dona da boneca e do creme, menos ainda.

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Na quinta-feira, contou sobre os episódios que tinha visto mais recentemente das Winx: tinha sido um episódio meio esquisito, por as Winx discutiram muito com os Especialistas, cada uma discutiu muito com o seu aquela coisa que ela não gosta de falar, o namorado – e os Especialistas discutiram também entre si.

Era um daqueles dias em que ela não sabia muito bem do que queria brincar – e então lá pelas tantas pediu para ver fotos.

A vovó mostrou fotos dela, Flora, com o Hélia, enquanto o vovô mostrava fotos em que apareciam todas as Winx ao mesmo tempo. Divertiu-se com aquilo, mas, uns dez minutos depois, disse, peremptória: – “Agora não quero ver mais fotos”.

E decidiu construir um trono para a Rainha Flora – ela mesma, claro – e outro para o Hélia. Levou um grande tempo nisso, curtindo bastante.

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Nesta sexta-feira a Mamãe pediu para que a netada fosse mais tarde, às 14h30, por um motivo muito agradável: o condomínio estabeleceu um rodízio para o uso do parquinho, e era dia em que a Marina poderia brincar.

Ela não quis nos contar muito como tinha sido, mas disse que foi bem legal – e deve ter sido mesmo, pelas fotos que a Mamãe nos passou. Só explicou que há um rodízio por prédios (são três torres na SQP), e que hoje, no horário dela, poderiam ir crianças de três apartamentos – mas ela foi a única criança naquele horário dela.

Estava aflita para mostrar a novidade – e a novidade era de fato sensacional: a nova bonequinha, à qual ela deu o nome de Alice. Explicou para nós que a Alice é uma Chelsea – e Chelsea são as bonequinhas Barbie quando crianças. A mamãe encomendou duas; a Alice foi a primeira a chegar; a segunda, que já tem nome, Helena, está ainda para ser entregue. E há um detalhe delicioso, que o Papai me contou: a primeira Chelsea quem comprou foi a Marina, com o dinheirinho dela; a mamãe pagou só a segunda!

Não vem só a Chelsea. Junto com ela vem um cachorrinho, que ganhou o nome de Artur, e ainda um carrinho e um trailer. Tudo é bem lindinho, mas o trailer, especialmente, é um show, um espetáculo.

Ela nos explicou também que, por decisão dela, todas as Chelseas do mundo são sobrinhas da Pri e filhas da Luna.

E contou – foi o cerne da brincadeira que ocupou a maior parte da netada desta sexta-feira – que o Artur estava com uma doença: estava querendo dormir o dia inteiro, que nem se fosse uma gata. A Alice levou o Artur à veterinária, ela, de 6 anos de idade, dirigindo o carrinho, com o Artur dentro do porta-malas.

Ao examinar o Artur, a veterinária, que era a própria Luna, detectou que ele estava com uma doença chamada gatibogá – que é a doença que os cachorros têm quando ficam parecendo gatos.

O remédio era simples: um pouco de ração de cachorro e ele já sarava.

A veterinária Luna, depois de ter curado Artur da gatibogá, fez nele um cuidadoso exame de rotina. E ainda deu um bom banho no animal.

Foi nessa hora que a vovó mostrou para a Marina as Pollys deitadinhas na mesa da nossa sala, com distanciamento entre uma e outra, e a pequena nos deu aquele chega-pra-lá: “Na brincadeira não existe coronavírus”.

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No sábado, na telenetada número 78, Marina quis de novo brincou com Alice, a nova bonequinha da casa. Acrescentou à brincadeira a Sofia, uma bonequinha um pouco maior que a Alice. Segundo ela, a Sofia é filha do Carlos e da Pri, que são tios de Alice – a qual, portanto, é prima da Sofia. O interessante é que hoje, diferentemente de ontem, a Alice não morava mais com a mãe, a Luna: morava com a tia.

As duas bonequinhas participaram de uma corrida de carros, que as levou a percorrer todo o corredor e toda a extensão da sala – nós atrás. A pequena lançava os carrinhos e os seguia carregando o iPad, ou seja, carregando a nós dois.

Houve um tempo em que Carlos e Pri ficaram fazendo aquilo que Marina não gosta de falar – e, naquele momento do namoro dos dois, ela desativou a câmara, para que o casal ficasse mais à vontade.

E aí resolveu brincar de ver os diferentes efeitos de iluminação do Messanger. Depois, passou a mandar emojis para nós, criando músicas que descreviam o que as figurinhas faziam, tipo “gira, gira e senta”.

A vovó mandou um emoji em que uma pessoinha chora e faz cara muito triste. Marina criou para esse aí uma musiquinha em que a letra dizia: Eu não quero lavar os potes da Mel, eu não quero lavar os potes da Mel!

Daí a algum tempo, informou: – “Chega de colocar emojis!” E voltou a brincar com a Alice e a Sofia.

Que figurinha, meu Deus!

Não sei se é um fenômeno comum, mas com Marina é assim: nestes tempos de coronavírus, ela vê os avós mais que via antes.

5/7/2020

Fotos, pela ordem, de Vovó, Vovô e Mamãe. 

Um comentário para ““Na brincadeira não existe coronavírus!””

  1. Tudo muito doce e bonito. Não se pode dizer a menina não é ativa! A tela do meu celular ficou embaçada durante a leitura, acho que é baba de adulto.

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