O nacional-idiotismo

Muitos lulo-petistas puseram nas mídias sociais, nos últimos dias, uma foto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dizendo alguma coisa tipo “fiz um bom negócio: ao comprar uns tucanos, roubei o pré-sal do Brasil”.

Em seu artigo  – excelente, como sempre – desta sexta-feira, 26/2, no Blog do Noblat, e também neste 50 Anos de Textos, Sandro Vaia cita a frase de Umberto Eco: “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade.”

Em seguida, usando a lógica e a inteligência, Sandro escreve:

“O projeto de lei de José Serra, aprovado no Senado, OBRIGA a Petrobras a ceder os campos? Não, ele só a DESOBRIGA de participar e comandar a operação de todos e com um mínimo OBRIGATÓRIO de 30%. Se União acha que a empresa tem condições de entrar com 30%, tudo bem. A decisão é da União. A lei aprovada pelo Senado não prejudica em nada a Petrobras. Pelo contrário: lhe dá mais alternativas para uma escolha racional, que mais interesse à empresa naquele momento.”

É muito cristalino demais da conta. Mas os lulo-petistas acham que o projeto de lei de José Serra entrega a riqueza do pré-sal às multinacionais americanas.

Em um daqueles pequenos editoriais que publica, sob a rubrica Opinião, O Globo desta sexta sintetiza com absoluta clareza:

“Apesar de toda a cegueira ideológica do lulo-petismo e aliados, o Senado aprovou projeto de lei de José Serra (PSDB-SP) que livra a Petrobrás da obrigatoriedade de ser a operadora única no pré-sal e de deter no mínimo 30% de cada consórcio. Como a estatal não tem dinheiro para isso – desestabilizada pelo próprio lulo-petismo –, a exploração da área está travada.

Sem essas amarras, podem voltar os leilões no pré-sal. Bom para a empresa e o país. Que a Câmara tenha o mesmo bom senso e ajude a Petrobrás e o Tesouro nesta cruzada contra as trevas do nacional-pópulismo.”

Na mesma página em que foi publicada esta Opinião tão absolutamente clara e lógica, há uma reportagem – assinada por Ramona Ordoñez e Glauce Cavalcanti – mostrando que, segundo estudos da Firjan, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, essa mudança nas regras do pré-sal definida no projeto aprovado pelo Senado pode trazer ao Brasil US$ 420 bilhões em investimentos até 2030.

“Segundo a Firjan, além de abrir a porta a novos investimentos, a mudança traria retornos sócio-econômicos de mais US$ 390 bilhões até 2030”, diz a reportagem.

E, na página seguinte de O Globo, Míriam Leitão explica em sua coluna, mais uma vez, detalhadamente, tintim por tintim, por que a mudança na regra é boa para a Petrobrás, para o governo, para o país.

“É difícil dizer” – escreve ela – “se é alguma patologia clínica ou cinismo o que leva alguns petistas a dizerem coisas como a que afirmou o ministro Miguel Rossetto. Ele disse que ‘as mesmas forças contrárias à criação da Petrobras hoje buscam quebrar as regras do marco regulatório do país’.”

Aí abaixo vão as íntegra dos artigos de Miriam Leitão no Globo e de Celso Ming no Estadão sobre o tema.

Eu só gostaria de sugerir uma outra expressão, no lugar de “nacional-populismo”, usado na Opinião de O Globo, para definir isso que é alguma coisa entre a patologia clínica e o cinismo.

É o nacional-idiotismo.

O lulo-petismo defende e pratica o nacional-idiotismo

Rendição à realidade

Artigo de Míriam Leitão em O Globo de 26/2/2016.

A aprovação pelo Senado do projeto que muda a regulamentação do pré-sal foi o reconhecimento da realidade. A Petrobras está endividada, descapitalizada e tendo que pagar caro por qualquer financiamento. Não pode ser a operadora única porque não tem condições de explorar sozinha todos os campos. Os petistas que acusam o projeto de ser “entreguista” não sabem o que o PT fez com a companhia?

É difícil dizer se é alguma patologia clínica ou cinismo o que leva alguns petistas a dizerem coisas como a que afirmou o ministro Miguel Rossetto. Ele disse que “as mesmas forças contrárias à criação da Petrobras hoje buscam quebrar as regras do marco regulatório do país”. O ministro acha mesmo que o partido ao qual pertence é herdeiro da luta que uniu o povo brasileiro, nos anos 1950, na campanha do “petróleo é nosso”? Só se o pronome possessivo tiver sido entendido de forma excludente pelo Partido dos Trabalhadores. Não de todo o país, mas do partido que saqueou a empresa e a transformou numa máquina de transferir dinheiro para a sigla e os seus aliados.

O fim da obrigatoriedade de a Petrobras ter 30% de todos os campos de petróleo, como propôs o senador José Serra (PSDB-SP), tem a chance de elevar a produção de petróleo e, por consequência, a arrecadação do governo. Ter mais empresas explorando os campos, ao mesmo tempo e mais rapidamente, significa gerar mais empregos, elevar o consumo, atrair investimentos. Isso ajudará, portanto, o país a sair da difícil situação econômica em que se encontra. No mais, não haverá maiores mudanças no modelo, que continuará sendo o de partilha.

Quem é contra a mudança tem repetido que os custos de extração são baixos, e estão girando em torno de US$ 9 no campo de Lula. O problema é que esse valor corresponde apenas ao custo de extração, ou lifting cost. Além disso, o campo de Lula foi licitado ainda sob o regime de concessão. Ele já está em desenvolvimento há bastante tempo, com regras diferentes do modelo de partilha, e teve sua exploração financiada em um momento favorável para a Petrobras. Hoje, sem o grau de investimento, a empresa está pagando juros cada vez mais altos pelo crédito que toma.

A cada plano de negócios que divulga, a Petrobras corta suas metas de investimento e de produção. A estimativa para 2020 já foi reduzida de 4,2 milhões de barris por dia para 2,8 milhões, e o investimento já caiu de US$ 237 bilhões para US$ 98 bi, em um período de quatro anos. E ela corta investimentos porque foi atingida por três bombas: a má gestão, a corrupção que está sendo desvendada pela Lava-Jato, e a queda dos preços internacionais de petróleo. Neste contexto, ela investe menos por falta de fôlego, o governo arrecada menos, e o país fica parado esperando a estatal se recuperar do estrago da atual administração. Mesmo se a retirada da obrigatoriedade de 30% em todos os campos da Petrobras for confirmada na votação da Câmara, não há garantia de que haverá novos investidores no pré-sal neste momento, por causa da conjuntura internacional. Mas é a única chance de aumentar investimentos no petróleo brasileiro.

A situação da Petrobras é dramática, como todos sabem. A gestão petista, a apropriação do coletivo pelo partido que nos governa, as decisões político-eleitorais quebraram a empresa. Hoje, ela tem uma dívida bruta de US$ 127 bilhões, que, em reais, chegou a R$ 505 bilhões no último balanço divulgado, do terceiro trimestre do ano passado. É a petrolífera mais endividada do mundo. Seu valor de mercado caiu 90%, e sua classificação de risco está a seis degraus abaixo do nível de investimento. Enquanto a Moody’s cortou em dois níveis a nota do governo brasileiro, a Petrobras caiu três na última quarta-feira, e, se sofrer mais um corte, entrará para o grupo de empresas “com alto risco de inadimplência”. A perspectiva é negativa.

A saída que a atual diretoria busca está sendo a de entregar alguns ativos aos compradores que aparecerem. Os chineses se preparam para comprar a rede de gasodutos. Há outros ativos em liquidação. Quem fez isso foi o PT, porque entendeu que a Petrobras era dele, em vez de um patrimônio coletivo. A história dessa apropriação indébita está sendo revelada pela Lava-Jato.

Enfrentando o sufoco

Artigo de Celso Ming no Estadão de 26/2/2016

O Senado aprovou na noite de quarta-feira, por 40 votos a favor, 26 contra e 2 abstenções, o projeto de lei do senador José Serra (PSDB-SP) que tira a Petrobrás do sufoco em que o governo Lula a meteu em 2009, quando sancionou a Lei do Pré-Sal.

Pelo projeto de lei que agora será remetido para exame na Câmara dos Deputados, a Petrobrás estará desobrigada de participar com pelo menos 30% nos consórcios de investimentos no pré-sal e de ser a única operadora da área. Mas continua tendo a preferência nos novos leilões. A principal consequência do novo projeto de lei, caso seja aprovado, é a abertura à exploração do pré-sal a outras empresas.

A lei em vigor, que alterou o marco regulatório anterior, havia sido aprovada em pleno clima ufanista que se seguiu às descobertas do pré-sal. Suas premissas se baseavam na continuidade do boom do petróleo no mundo e no pressuposto de que o Brasil seguiria na mira do capital predatório global. Por isso, as regras para o setor tornaram-se fortemente restritivas e protecionistas.

De lá para cá, no entanto, as cotações internacionais despencaram em mais de 60% e até mesmo áreas promissoras deixaram de exercer o mesmo foco de atração.

A mudança indicada pelo projeto de lei aprovado no Senado tornou-se absolutamente necessária para superar a paralisia a que o setor está submetido. As finanças da Petrobrás estão seriamente comprometidas em consequência dos cinco anos de sangria a que seu caixa foi submetido pela política do governo, que manteve achatados os preços internos dos combustíveis.

Como a Petrobrás ficou sem fôlego para arcar com os investimentos e com a operação de novas áreas, foi preciso adiar novos leilões de concessão. Sem uma revisão das regras anteriores, o País ficaria condenado a adiar indefinidamente a expansão do setor, fato que comprometeria o desenvolvimento nacional, a criação de empregos e a distribuição da renda gerada pelo setor, por meio de royalties e participações especiais.

Embora o texto final do projeto de lei tenha sido redigido em acordo feito com o governo federal, o PT, principal partido da base do governo, votou contra. Mais uma vez, mostrou sua incapacidade de alinhar-se às diretrizes do próprio governo.

Isso mostra como certas deformações ideológicas e a incapacidade de acompanhar a evolução dos fatos que sobrecarregam as esquerdas brasileiras podem contrariar tão pesadamente o interesse público.

A era de ouro do petróleo está com os anos contados. O mundo inteiro busca fontes renováveis e não poluentes de energia. Se não houver urgência na exploração de óleo e gás, o País corre o risco de deixar indefinidamente grande riqueza no subsolo.

O novo projeto de lei não altera as reservas de mercado para empresas nacionais impostas pelo marco regulatório anterior. Este é outro fator que tira competitividade da Petrobrás, na medida em que a sobrecarrega com custos e compromete sua agilidade operacional.

De todo modo, se o novo projeto de lei passar no Congresso, a Petrobrás será beneficiada, especialmente depois que for encontrada a fórmula que reforce seu capital.

26/2/2016

5 Comentários para “O nacional-idiotismo”

  1. NACIONAL IDIOTISMO À PARTE.

    O militante retardado terá a oportunidade de amanhã (27) de escolher em ninho tucano, através de democráticas prévias, o nome do candidato a prefeito de São Paulo.
    Torço pela indicação de ANDREA MATARAZZO somente porque o militante retardado filiou-se ao PSDB apenas para apoiar uma candidatura anti petista.
    Uma maliciosa reportagem de Thais Arbex (nome não é indicativo de rua) na
    Falha de SP de hoje lança sobre Matarazzo infame suspeição.
    Além da idiota torcida por Matarazzo, torço também que o óleo do présal fique no fundo mar para sempre, aqui em cima só gera discórdia entre duvidosas intenções de entreguistas e idiotas nacionais e certeza de que a matriz energética continuará poluindo o planeta.
    Como o Eremildo, acredito que o nome de Miriam Leitão e de Celso Ming não serão emprestados ás ruas do futuro e sim em lápides históricas de um grande jardim corporativo.
    O sol nasceu para todos,vamos utilizar sua energia,antes que seja tucanada.

    Vamos caminhar vovô.

  2. Os governos petistas criaram uma nova casta de consumidores, mas não trataram de estimular a educação política. E mesmo você sabe que o consumidor sem consciência se torna medroso, conservador e vulnerável às pregações apocalípticas.

    Talvez você mesmo, midiota a caminho da perfeição, seja alguém que foi beneficiado por essas políticas, mas não teve a oportunidade de aprender o que é consciência de cidadania.

    Vê como é complicado?

    Mais simples é sair à janela e bater lata para apoiar um procurador que considera o homossexualismo parte da conspiração comunista internacional.

    O problema é que, nesse círculo da intolerância, você acaba chutando o próprio rabo.

  3. Ora, Miltinho, vai me dizer agora que você duvida que o homossexualismo seja parte de uma conspiração internacional?!

  4. Sim Luiz, duvido.
    Pois acho que os homossexuais nacionais possuem uma consciência própria.

  5. Os números expostos devem ser considerados, SE HOUVER auditoria independente neles.
    [dados corretos permitem manipulação de dados mentirosa]

    Não sou um patriota cego, mas a tal da Miriam trata por “patologia” ou “cinismo” a noção de guerra geopolítica internacional, de desestabilização e roubo da Venezuela e Oriente Médio.
    Talvez ela suponha que, quando o Jorginho Bush saiu do poder, acabou a guerra pelo petróleo.

    Devemos, sempre, nos opor a um formato mais irresponsável de estatismo. Mas isto, em nenhum momento, me torna favorável à entrega do petróleo, nem aos grinsos e nem ao irresponsável – em alguns sentidos – setor privado nacional.

    A FIRJAN e outros falam em benefício próprio. Não me enganam, ao dar a entender que se importam com empregos e com o País.

    Não sabem diferenciar a Caixa do BB?
    O BB é uma sociedade mista, DEVE gerar lucros;
    A Caixa é estatal, NÃO deve buscar lucros! Mas, sim, “exerce uma função de Estado!” (Sen. Requião – PMDB-PR)

    A política de preços da Petrobrás seria inteiramente errada NUMA EMPRESA PRIVADA. Mas a Petrobrás, mesmo que seja sociedade mista, deve também exercer funções de Estado. Deve beneficiar à economia popular com reduções de preço – coisa que o setor privado jamais faria por vontade própria.

    Uma loja que oferece promoção de liquidificador quer apenas lucrar, e não beneficiar a economia popular. A Petrobrás é diferente.

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