O botão liga-desliga

Como é a vida. O País em chamas, e acordo de um cochilo com um pensamento. Tenho saudades do botão liga-desliga. Não aquele que você aperta, mas o que é uma pequena alavanca. Para frente liga, para trás desliga. E alguns ainda faziam cléc.

Também gostava do ventilador de teto que tinha no apartamento, na praia. Pendiam duas correntinhas. Você puxava uma, ligava. A segunda, desligava.

O botão que me complicava a vida era o de girar. Se fosse no rádio, tudo bem. Girava, trocava de estação, aumentava ou diminuía o volume. Mas em lugares insuspeitados, até para acender a luz, lá estava ele. Eu apertava, apertava, e nada. Era para girar.

Que saudades do telefone de disco. Você discava…

Olha, caro amigo que está perdendo tempo com tanta baboseira. Telefone de disco e correntinhas só para decorar a casa. Estou muito bem com o teclado dos telefones fixos, com os toques na tela do celular, e com todas as espantosas facilidades de hoje.

Francamente, não sofro nostalgia por nada daquelas antiguidades que, no seu tempo (justiça seja feita), nos atenderam muito bem. Este texto se justifica por dois motivos. O primeiro é destacar que a verdadeira revolução, que nos trouxe as maravilhas de hoje, começou a surgir há menos de t30 anos.

O segundo é que (desculpe aí, galera) eu queria escrever um texto para o 50 Anos de Textos e estava absolutamente sem idéia.

Talvez preferissem uma crítica sobre Romero Jucá, o que morreu pela boca, e outros gente-fina. Mas para saber disso basta deslizar o dedo pela tela do celular. Parece número de mágica…

Maio de 2016

7 Comentários para “O botão liga-desliga”

  1. Meu bom Valdir, que bom tê-lo de volta. Sempre me fazendo lembrar minha idade. Inclusive minha saudade de um apartamento pois minha casa tem goteira, imagine que entre mim e o céu apenas nos separam a laje e o telhado.
    Saudosos botões e correntinhas atestam minha senilidade, sonho com braguilhas de botões.
    O telefone celular de teclas é um martírio e os teclados me fazem lembrar a necessidade de ter feito curso de datilografia nas antigas máquinas Remington Rand.
    Vou caro Valdir me consumindo, sentindo o cheiro gostoso e frescor da minha prima a me consumir em sonho pedófilo.
    A vida vem se resumindo em ranhetices e comentários em 50anos, dos quais recebo feliz uma saraivada de contras.
    Nostálgico mas não contrário aos avanços tecnológicos, que não conseguiram reduzir a desigualdade sempre em evidencia nas filas do SUS.
    Retorno ao passado em época de leds, sensores, touchs, e procurando caminhar de mãos dadas com minha neta esperança.

    d

    e

    n

    c

    i

    a

    d

    a

  2. SONHO OLÍMPICO

    Pratique esportes como arremesso de olhar,
    beijo na boca, jogar poemas no ouvido dos outros
    andar de mãos dadas com a pessoa amada,
    respirar o espaço alheio, abraçar sonhos impossíveis
    e elogio à distância.
    E em hipótese alguma tente chegar primeiro.
    Chegar junto é melhor, até porque
    o universo não distribui medalhas nem troféus…
    Sergio Vaz

  3. Miltinho, achei esse meu texto tão calhorda que pensei: “Nem valeu para um comentário do Miltinho”. Mas eis que, hoje, aí está sua profícua e sempre bem-vinda manifestação. Estou pensando em montar um comitê olímpico para disputar os esportes que você sugere. Coisa inteiramente contrária à olimpíada que se aproxima. Para marcar posição, se um gajo se aproximar de mim com a tocha, estico um cigarro e pergunto: “Tem fogo?”

  4. Quando um fumante me dá um conselho sobre meus maus hábitos eu penso que o tabagismo não causa mal aos conselheiros.

    Apareça sempre Valdir, você me faz muita falta.

  5. Valdir você proporciona a oportunidade de discussão de vários temas implícitos nos seus textos.
    Assim bebida, cigarro e maus conselhos se misturam em época de olimpíadas.
    Demorei a sacar sua sarcástica tirada de acender um cigarro na desnecessária tocha.
    Quando vamos competir olimpicamente em levantamento de copos na categoria “seniors”? Já fui derrotado pelo Servaz algumas vezes na categoria “másters”.
    Mas o importante é competir diria o barão.

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