Waze pessoal e intransferível

Usar o waze no carro, sem levar o celular, é possível? No meu caso sim. Levo a co-piloto.

Nos aproximamos de uma avenida de duas pistas e canteiro central. Vem a voz:

– A trinta metros vire à direita em Avenida Tiradentes.

– Mas, querida, à esquerda é que não vai ser, bato nos carros que vêm vindo. Em frente, atropelo algum pedestre no canteiro central.

Fecha a cara.

Não fala, só faltava, no formato da moça do waze. Mas veja quando, outro dia, íamos por uma rua que terminava no muro de uma transversal. Na esquina tinha uma baita placa indicando que devíamos virar à direita.

– Entra à direita – ela disse.

Nem o waze me dá tanta informação. Um carro está saindo de uma vaga, já estou freando.

– Olha o carro.

Olha o buraco, olha a lombada, olha o caminhão. Puxa, quase não notei o discreto caminhão de entrega da Coca-Cola. Em todo caso, vou tolerando. Só perco humor quando me avisa:

– O farol fechou.

Nesses momentos pondero: como você explica que não me acidento quando saio sozinho no carro, sem ninguém para me avisar de nada?

Nunca respondeu à pergunta. Mas estou preparado para ouvir:

– Fico em casa rezando.

Setembro de 2015

7 Comentários para “Waze pessoal e intransferível”

  1. O novo aplicativo chama WIFE, lógico, infalível, mas sujeito a variações de humor.
    Não saia sem ele.

    G uiado
    P ela
    S enhora

  2. Quando estou sozinho na direção, sou bastante atento. Mas, na presença da minha minha co-piloto, desligo parte do cérebro por comodismo e deixo tudo por conta dela. Porém, ela só dá palpites quando me vê na iminência de cometer um erro, ou entrar na esquina errada. Já eu costumo perguntar a direção o tempo todo, por preguiça de raciocinar. Afinal, minha co-piloto dirige muito melhor do que eu e gosta muito mais de automóveis. Funciona assim:
    “Por que você não entrou à esquerda?”
    Por que você não me avisou, ora”.
    “Mas você vem sempre aqui, conhece muito mais do que eu”.
    “Você sabe que eu me enrolo sempre. Nunca sei ir, só sei voltar. Vê se presta atenção no caminho, mulher”.
    Atualmente ela faz uma campanha para que eu adote o Waze. Passei anos resistindo ao celular, anos resistindo ao smartphone e não vou adotar tão facilmente assim uma máquina que fica dando palpites no meu modo de dirigir. Ela usa esse troço o tempo todo no carro dela. Só não entendo porque quando vamos sair
    ela faz questão de ir de carona no meu carro, em vez de irmos no dela. Acho que é pelo hábito de se sentir no comando.

  3. Miltinho, Luiz Carlos, a solução está a caminho. O carro sem motorista, testado pela Dilma no Exterior. (O melhor, na verdade, é que tivessem apresentado a ela o governo sem piloto.) Mas o novo carro terá que ter um canal para a acompanhante se manifestar: “Desvia desse carro e ultrapassa, sua máquina burra”.

  4. Nas poucas vezes em que consigo escrever textos bem humorados (ahnn… Acho que meus textos sobre Marina são bem humorados), não tenho comentários assim de Miltinho (que só comenta quando eu meto o pau no PT, ou seja, dia sim o outro também), nem do Luiz Carlos…
    Só porque o bom humor do Valdir é melhor do que o meu?
    Deve ser…
    Sérgio

  5. Bater dia sim outro também tem que ser como o Valdir, suave, com humor, agradável. Veja como ele bate na Dilma com classe.
    Sérgio expele ódio que não é dele. Pauta bem quando fala de música, filmes e lugares. Quando o assunto é Marina, é singelo e meigo, um pouco babão mas com razão. Como não dirige, não possui Waze só Wife.

  6. Classificar críticas de manifestação de ódio deve estar no capítulo 187 do manual da militância petista. Atualmente, não há artista patrocinado, jornalista financiado ou blogueiro agraciado por verbas públicas e pixulecos que não use a palavra ódio para definir as opiniões contrárias ao governo. Na total falta de argumentos para rebater objetivamente as críticas à incompetência e roubalheira do governo, esse pobre espécime em extinção, conhecido como petista, enfia a cabeça na areia para não ver o óbvio e acusa o autor da crítica de destilar ódio. A atual banalizacão da expressão ódio, utilizada de forma tão inadequada e fora do contexto, vai, aos poucos se tornando ridícula como foram os modismos vocabulares do tipo “a nível de” e os famosos gerundismos. Ou o pacato cidadão aguenta calado e sorridente a destruição econômica e moral do País, ou vai ser acusado de espalhar o ódio. Direito à opinião, só se for a favor. Engraçado que nunca detectaram qualquer sintoma de ódio nos pacíficos protestos dos amorosos Black Blocs, que chegaram até a tirar fotos com Dilma e ser recebidos por Gilberto Carvalho. Engraçado que nunca especificam exatamente em quais parágrafos dos textos se encontram os tais incitamentos ao ódio. A gente procura, não acha e fica com inveja dis olhos de lince dos petistas. O certo é que o sujeito que sai às ruas de bermudas, com o netinho numa das mãos e um picolé na outra, gritando fora corruptos, deve ser realmente um perigo, o verdadeiro problema que prejudica o Brasil no momento.

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