O X da questão

Durante os oito anos de seu governo, palanque sim, palanque não, ao mencionar sua maior criação, a herança maldita, Lula criticava a audácia de FHC em querer trocar para Petrobrax o nome de nossa maior empresa.

Esse X seria a prova do que o governo tucano pretendia fazer: privatizar a jóia mais brilhante de nossa coroa.

Dona Dilma, herdeira do Lula, também usou esse ‘dado concreto’ em seu governo e durante a campanha pela reeleição. A cada vez que não tinha como responder a Aécio Neves, lembrava o “crime” que se pretendeu cometer contra a estatal: trocar seu nome para privatizá-la!

E, no entanto, a Petrobrás sem X já estava ‘privatizada’ há muito tempo… Profetas do passado, agora sabemos por que o estouro do mensalão não acabou com o governo Lula. Ainda jorrava muito dinheiro e de uma fonte imensamente mais rica…

Mas Deus é grande e, de repente, vimos o Rubicão à nossa frente e o Ministério Público e a Polícia Federal tomaram a si o dever de salvar a Petrobrás, objetivo da bendita Operação Lava Jato.

Admirável o papel dessas instituições independentes que começam a nos devolver o gosto de ser brasileiros. Por agirem com lisura e competência e até reconhecer um erro, o que também é louvável!

Feio o papel do governo Dilma em não ter pedido o afastamento da atual diretoria da Petrobras. E que não digam que a empresa ia ficar engessada, arriscando descumprir contratos por não ter ninguém no comando.

O mínimo que se pode dizer de uma diretoria cega, surda e muda é que a empresa está acéfala. Que mal teria em continuar assim mais algum tempo, até que um novo e mais bem orientado Conselho de Administração pudesse reorganizar seu comando?

Tomando providências para que nunca mais um barnabé qualquer, amigo de outro barnabé, ocupasse diretorias que ‘furam poços’ ou qualquer outro cargo na empresa?

As cifras mencionadas nos depoimentos dos delatores premiados são astronômicas. Só um dos gerentes executivos vai devolver R$252 milhões. Quanto seu chefe imediato, o diretor Renato Duque, vai devolver?

Como será que essas fortunas viajavam de um bolso para outro? Você não fica curioso? Seria o tal “clube dos empreiteiros” que fazia o dinheiro voar? Num ‘drone’, talvez?

Parece que desta vez o Brasil se livra desse clube. No entanto, tão importante quanto desconstruir o clube será o PT, o PMDB e demais partidos se convencerem de que vencer eleições não é uma certidão de posse. Foram eleitos para administrar o país em nome do povo e não para embrulhá-lo e levá-lo para suas casas.

Quanto ao X da questão William Shakespeare, como sempre, estava certo: “What’s in a name?” Uma rosa, com qualquer outro nome, é uma rosa. Mesmo murcha.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 21/11/2014. 

3 Comentários para “O X da questão”

  1. …”o Ministério Público e a Polícia Federal tomaram a si o dever de salvar a Petrobrás”…
    Estas instituições são novas? As antigas e teenebrosas transações só agora são questionadas!

  2. A QUESTÃO EM “X”

    O escândalo envolvendo a estatal do petróleo é o desaguadouro natural do sistema da corrupção modernizado pela Constituinte – origem do modelo de organização partidária que não sobrevive sem a injeção constante de dinheiro sujo. Nestes doze anos de predomínio do Partido dos Trabalhadores, o sistema que foi usado por OUTROS partidos se consolidou como parte do processo de gestão.

  3. Conforme disse o Miltinho, o nosso aborrecimento com os abusos do PT não é justificativa para demonizá-lo. Ponto.

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