Liberdade sempre

Um mês e meio depois do golpe militar de 64, Millôr Fernandes lançou a revista Pif Paf, primeira publicação a enfrentar o regime policialesco que nos infelicitou por quase um quarto de século. Em seu primeiro número a revista dizia: “Em todos os números do Pif Paf falaremos de liberdade. É um assunto que nos têm presos.”

Foram somente oito edições, a censura inviabilizou sua sobrevivência. Mas essa é uma obra que todos os brasileiros deveriam conhecer.

Falo com satisfação de Millôr, um verdadeiro gênio no que criou, e da aspiração humana pela liberdade, aquela que, como diz Cecília Meireles, não se explica mas todos entendem. Sou de uma terra e um povo, o mineiro, marcado profundamente pelo sentido libertário, pelo gosto de ir e vir, de cuidar de suas coisas e dos seus do jeito que quer. Somos essencialmente anti-autoritários. Gostamos de respirar o ar de nossas montanhas sem entraves.

Não que não existam mineiros que sejam o oposto disso. Generalizar é perigoso, mas eu ouso afirmar que na essência de nossa gente reina soberano o senso humanitário, libertário, apaziguador e humano.

A liberdade de imprensa é uma garantia, que a nossa Constituição nos oferta, de que os arroubos ditatoriais dos poderosos, de todos os níveis e escalões, não vão prevalecer. É uma arma do povo, mesmo quando muitos jornalistas e muitas mídias distorcem, desinformam e se corrompem. A liberdade de imprensa é um bem da cidadania e não dos jornalistas. Conheci durante um bom período de minha vida o quanto o país e todos perdem quando a nuvem da mentira e da opressão não permite que as verdades sejam reveladas.

No meu cotidiano eu consigo perceber que muitos da imprensa não são dignos desse direito que todos temos de saber o que é feito em nosso nome. Mas essa é uma conquista da civilização que não pertence à imprensa nem às empresas que a comandam. O livre fluir das informações jorra por todos os cantos tornando possível que o jornalismo de caráter possa ser conhecido. Os fatos e opiniões se espalham por milhares de veículos, sendo possível garimpar, entre tendências honestas ou não, o que é informação e o que é deformação.

Prefiro esse trabalho difícil de buscar na variedade o que entendo ser correto do que me fiar em órgão único de qualquer partido, governo ou seita.

A História humana é uma luta constante entre oprimidos e opressores, uma dolorosa caminhada no rumo da reconquista de um direito natural. Quem nasceu do amor só pode querer, para si e para todos, os direitos à liberdade, à igualdade e à fraternidade.

Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em junho de 2013. 

 

2 Comentários para “Liberdade sempre”

  1. Neste cantinho, as idéias do Brant por textos de Brant. Bom ler textos de fé iguais a de Maria Maria. bom saber que alguém como Brant confia na luta dos oprimidos contra os opressores. Crer na reconquista do direito natural. Simples e natural. Nascemos do amor, liberdade sempre.

    “Queríamos construir nossas belezas. Construímos.”

    Houve um dia em minha vida em que um anjo negro me apareceu no meu quintal. Que trazia belezas ficou claro desde o primeiro momento, pois luzes envolviam o seu corpo que não era de santo, era de gente.

    “No sertão da minha terra, fazenda é o camarada que ao chão se deu. Fez a obrigação com força, parece até que tudo aquilo ali é seu”.

    “Vou seguindo pela vida me esquecendo de você
    “Eu não quero mais a morte, tenho muito que viver
    Vou querer amar de novo e se não der não vou sofrer
    Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”

    Que bom ler Brant, que bom escutar Milton

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