Na Madeira

A caminho de um trabalho em Dublin, eu passaria por Lisboa. Sempre que tenho de ir à Europa, vou e volto por Portugal. Ainda mais agora que podemos embarcar e chegar em vôo direto Beagá-Lisboa-Beagá. Mas ainda não me viera à cabeça a ideia de conhecer a Ilha da Madeira. Desta vez eu fui lá e não me arrependi.

No primeiro dia andei pelas ruas do centro do Funchal, de gente pacata, simples e civilizada. Lugar encantador para ficar alguns dias, conversando com portugueses que, para variar, amam o Brasil. Bares simpáticos se espalham pelas calçadas e pelos becos, onde o viajante pode beber a cerveja da terra, a Coral. Foi o que fiz com moderação, degustando alguns bolos de caco, um pão fabricado na região, servido quente e untado em manteiga deliciosa.

Na manhã seguinte fui ver o mar, em frente ao hotel desenhado pelo Niemeyer. Um azul de arrebentar, uma maravilha para os olhos e todos os sentidos, seduzidos pela pureza do ar. Ficaria ali hora e horas em contemplação, em êxtase diante da paisagem atlântica.

No rumo das montanhas vulcânicas, pudemos contemplar o bairro em que nasceu o ídolo da terra, o jogador Cristiano Ronaldo. Lá no alto, quase dois mil metros acima do nível do mar, avista-se um horizonte singular. Mas as árvores, plantas e flores que encontramos lembram muito o que existe na natureza brasileira. Turistas e moradores sobem e descem pelos morros com disposição e tranquilidade. Lá não existem, nos informam, cobras, mosquitos ou formigas. Apenas pequenos teiús, aquelas lagartixas que em terras mineiras é bom ter em casa para acabar com possíveis escorpiões.

Subir pela trilha que vai dar no Mirante de Eira do Serrado é confortável. De lá do alto pode-se ver, lá embaixo, um vale e a vila de Curral das Freiras, no fundo de um vulcão extinto. Visão deslumbrante.

De volta à cidade, resolvo me preparar para ir ao cassino que fica junto ao hotel. O prédio lembra a catedral de Brasília, sem aquelas mãos que imploram aos céus. Nunca fui a nenhuma dessas casas de jogo, mas separei uns trocados para perder em alguma daquelas máquinas de moeda. O salão não tinha nada do que imaginava, parecia um desses lugares de jogos eletrônicos. Fui-me embora, decepcionado.

Mas havia uma esperança, de acordo com o Alves, motorista que nos levou ao mirante. Correria, naquela noite, a euro loto. Com dois euros eu poderia me candidatar ao prêmio de cento e dezesseis milhões de euros. Joguei e viajei sem saber o resultado, mas crente de que a bolada logo estaria em minhas mãos brasileiras. Viajei, trabalhei e só em Lisboa fui conferir a minha sorte. Ganhei exatos três euros e oitenta e seis centavos.

Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em junho de 2012.

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