Falem, que eu estou em greve

Eu, como a Polícia Militar da Bahia, me declaro em greve. Como não sou uma força armada, a minha greve, ao contrário da deles, é legal. Em vez de escrever, falar e argumentar, vou deixar que eles mesmo falem.

O leitor, que não está em greve, que tire suas conclusões:

“A Polícia Militar pode fazer greve. Minha tese é de que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve. Na Suécia, até o Exército pode fazer greve fora da época de guerra.” (Luiz Inácio Lula da Silva, 26/07/2001, sobre a greve da PM da Bahia)

“Por reivindicação eu não acho que as pessoas têm que ser presas, nem de ser condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, crimes contra as pessoas e crimes contra a ordem pública não podem ser anistiados. Se você anistiar [todos os casos], vira um país sem regra. Vai chegar um momento que vão anistiar antes do processo grevista começar.” (Presidente Dilma Roussef, 9/02/2012)

“Acho um absurdo o atual vencimento dos agentes da Polícia Militar da Bahia, bem como o dos oficiais. Entendo que aqueles que têm por tarefa a manutenção da ordem pública precisam ter uma remuneração condizente com o risco de vida a que se expõem todos os dias. Por isso, registro minha solidariedade aos 110 oficiais e policiais militares já punidos e reitero veementemente meu apelo ao Comando da Polícia Militar para que, em vez de simplesmente seguir as ordens do Governador do Estado da Bahia, sempre impermeável às reivindicações do funcionalismo do nosso Estado, tente sensibilizar o Executivo do nosso Estado no sentido de que sejam atendidas as reivindicações das esposas dos militares que, na verdade, estão indo às ruas porque não têm como comprar alimentos para a família”. (Jaques Wagner, deputado federal pelo PT-BA, em setembro de 1992).

“A democracia é o império da lei. Não podemos conviver com esse movimento já considerado ilegal pela Justiça baiana, além dos 12 mandados de prisão que já foram emitidos. Não aceito que um pequeno grupo, de forma irresponsável, cometa atos de desordem para assustar a nossa população” (Jaques Wagner, governador da Bahia, em 7/02/2012).

‘Apontado como líder da greve dos PMs baianos, o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e seus Familiares da Bahia (Aspra), soldado Marco Prisco, disse que o governador Jacques Wagner, quando ainda era deputado federal, participou com outros parlamentares do PT e de partidos da base do esquema de financiamento da paralisação dos policiais militares do estado em 2001. Ele acrescentou que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia, que tinha na direção o atual presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir a greve na Bahia, onde diz que foi preseguido e ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges.” (Globo.com, 9/02/ 2012).

O que eu acho? Como o presidente do TST, acho que a Constituiçao proibe greve de um poder armado, como o Exército ou a PM, “força auxiliar e reserva do Exército.” Portanto, sou contra a greve porque é ilegal.

Mas eu, ao contrário dos novos legalistas, acho isso agora em 2012 como achava também em 1991 ou em 2001.

Muita gente mudou de idéia. Eu não.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 10/2/2012.

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