“Democratização da informação”

Em nações onde impera a liberdade de imprensa o poder é sempre vigiado e cobrado, independentemente de sua coloração ideológica. No Brasil dos nossos dias, a oposição mais lúcida e conseqüente que está sendo feita ao governo Luiz Inácio Lula da Silva – superior em larga medida à dos partidos políticos – está nas páginas de jornais e revistas do País. Isso explica as reiteradas tentativas, patrocinadas tanto por membros do governo como por militantes do partido no poder, de impor restrições à liberdade de imprensa. Usam o argumento de que é preciso democratizar a informação.

A propósito, reagiu de certa feita o bom senador Jefferson Peres, do PDT do Amazonas, que não está mais entre nós:

 “A palavra ‘democratizar’ tem sido usada por mentes de pessoas totalitárias para matar aquilo que a democracia tem de melhor, que é a liberdade de expressão. É preciso não esquecer que as ditaduras no Leste Europeu eram chamadas de democracias populares.”

A ausência da liberdade de expressão já marcou largos períodos da história brasileira. O mais recente deles, inaugurado com o golpe militar de 1964, durou 21 anos. Essa tragédia não pode ser esquecida pelos que a viveram, e sobretudo deve ser revelada e explicada às novas gerações. Não podemos permitir que se atente contra o mais precioso bem dos regimes realmente democráticos, qual seja o de dispor de uma imprensa livre e verdadeira. A boa imprensa só admite uma censura, que é a feita pelo leitor. Qualquer outro argumento é mera imitação do que fizeram os regimes fascistas da primeira metade do século passado.

É sempre oportuno lembrar o que disse Thomas Jefferson, um dos pais fundadores da democracia americana, sobre o significado de uma imprensa livre – princípio que foi incorporado à Constituição dos EUA, através da chamada Primeira Emenda. Escreveu Jefferson, no distante ano de 1787: “Se me fosse dado decidir se deveríamos ter um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento sequer em preferir o último”. E, nem por isso, os jornais da época foram condescendentes com ele, quando exerceu a Presidência de seu país.

Não deixemos que as mentes totalitárias de que falou o nosso Jefferson voltem a ter vez no nosso País. Fiquemos en garde quando nos vierem com projetos de “democratização da informação”.

4 Comentários para ““Democratização da informação””

  1. Melch, gostei da pegada. Continue nos brindado com sua escrita.

  2. Salve, Mel.
    Grande estréia.
    Se não lutarmos todos os dias pela liberdade de expressão, daqui a pouco eles resolvem fazer “controle social” também desta mídia. Aí estamos lascados.

  3. Melch disse:

    “A boa imprensa só admite uma censura, que é a feita pelo leitor. Qualquer outro argumento é mera imitação do que fizeram os regimes fascistas da primeira metade do século passado”

    Citou a boa imprensa, sem citar a IMPRENSA REAL. Afirmou que outra censura, além da do leitor, é ranço fascista. Neste último grupo, podemos citar a censura dos donos de jornais, de natureza autoritária mas com liberdade plena sobre a IMPRENSA REAL.

    O grupo “Reporters Without Borders” (Repórteres sem Fronteiras), ao resumir o comportamento da imprensa tupiniquim em ano de impeachment, destacou a subserviência dos jornalistas brazucas à vontade de seus chefes; por exemplo, se o dono do jornal é banqueiro, não haverá nenhuma notícia acerca de abusos de bancos contra o consumidor ou outros temas desagradáveis.

    Se o jornal plim-plim deve uma fortuna em tributos, o jornalista se sente compelido a simpatizar com a queda de um presidente e a subida de outro…

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