São Paulo me enche de orgulho, me lava a alma

26/10/2008, domingo: São Paulo me enche de orgulho. A cidade que eu escolhi para viver baniu Marta Suplicy do mapa – e isso me enche de orgulho, me lava a alma.

São Paulo rejeitou Marta Suplicy em 2004, na penúltima eleição municipal. Rejeitou de novo em 2006, na eleição para o governo do Estado. E rejeitou de novo agora, pela terceira vez consecutiva.

Esta terceira derrota de Marta Suplicy é a melhor de todas, porque foi nesta campanha que ela mais se revelou ela mesma, que ela baixou o nível rumo ao centro da Terra, da lama, da merda, ao fazer propaganda homofóbica – o horror dos horrores, a baixaria das baixarias.

Depois de ter colocado no ar, no domingo, 12 de outubro, a propaganda vergonhosa insinuando que o prefeito Gilberto Kassab é homossexual, a candidata e sua campanha se enrolaram em desculpas esfarrapadas, dizendo que não queriam dizer o que quiseram dizer. Pega em flagrante com a mão na botija, o cheiro de pólvora na mão, gente do seu próprio partido criticando o tiro de canhão que ela tinha dado em si mesma, Marta Suplicy tentou negar a autoria. Não, ela não quis dizer o que disse e que todo o mundo entendeu que ela disse. Botou a culpa primeiro no marqueteiro, e depois na imprensa, nos colunistas, nos blogs, nos blogueiros, nas elites.

kassab1“A partir da abordagem dada no noticiário, instalou-se uma polêmica contra nossa campanha, injustificada, porque não fizemos ataque de caráter pessoal contra o adversário”, diz ela, no Globo deste domingo de segundo turno.

É muita desfaçatez demais da conta. É muita falta de vergonha demais da conta.

Marta Suplicy chamou os paulistanos de burros, de imbecis, de débeis mentais.   

São Paulo deu o troco.

Repito: a cidade que eu escolhi para viver me enche de orgulho, me lava a alma.

Repito: este é um site de cinema, e voltará a ser única e exclusivamente um site de cinema, nos próximos dias, nas próximas horas, assim que passar minha euforia pela derrota acachapante dessa mulher nojenta e desse partido abjeto, que vendeu sonhos e entregou baixaria, roubalheira, bandalha, aparelhamento da coisa pública em benefício da camarilha, discurseira vazia e sem nexo, assistencialismo populista, uma política externa que destrói mais de 150 anos de esforços, uma tentativa louca de transformar o Brasil em um país racista, uma postura salvacionista, de únicos donos da verdade, de donos da voz do povo – e nenhuma, absolutamente nenhuma vergonha na cara.

18/10/2008, sábado: Entrou ontem na internet o texto mais indignado, mais bravo, mais virulento de tantos os que já foram feitos desde que, no domingo, dia 12,  Marta Suplicy e sua campanha, tal como o sargento e o capitão do Exército carregando uma bomba para explodir no 1º de Maio do Riocentro, pretenderam dar um golpe, neste caso contra a candidatura de Gilberto Kassab – e a bomba explodiu no colo dos próprios terroristas.  

Todos os articulistas dos grandes jornais, todos os blogueiros do país mostraram sua indignação contra os comerciais da campanha que insinuavam que o prefeito Kassab é gay, e, por isso, não merece ser reeleito. Mas, de todos, o texto mais indignado é o de Marli Gonçalves. Grande Marli Gonçalves!

“Dona Marta e sua gente, vocês não mexeram só com os gays, ou os seus simpatizantes, o que já seria mais do que suficiente para afundá-los na lama. Vocês mexeram com os solteiros, sem filhos. Mexeram comigo. E com milhões de outras pessoas que são, sim, SOLTEIROS. E que não têm filhos, não! (…)

“Que papelão, que nojo. Quem são vocês, Dona Marta e sua gente, para ousar questionar essa opção? Vocês têm alguma idéia de como é, para nós, importante, poder responder orgulhosamente: Solteiros, sem filhos. Imaginam o que eu, mulher, solteira (embora com muitos casamentos sem papel) já passei, encontrando nesses meus 50 anos de vida, gentinha como vocês? Gentinha que considera, no fundo de suas pequenas almas, que somos gente de “segunda categoria”, ou que – nossa! – por não sermos casados, somos “gays”? Cansei e canso de ouvir insinuações, em geral veladas. “Humm… Ela deve ser sapatão!”
Sou não, Dona Marta. Mas nem eu nem o prefeito Kassab, nem nenhum de nós, lhe deve satisfações sobre para quem damos, se comemos ou somos comidos, se fazemos sexo com homens, mulheres, ou ambos.”

Grande Marli Gonçalves, você está lavando a alma de milhares e milhares e milhares de pessoas. Parabéns, e obrigado.
A íntegra do texto de Marli está em www.brickman.com.br.

Marta Suplicy dá nojo. Cada vez mais

15/10/2008, quarta: Quando, no domingo, dia 12, a propaganda eleitoral de Marta Suplicy insinuou que Gilberto Kassab é gay, e, portanto, não deve ser eleito prefeito de São Paulo, parecia que tínhamos chegado ao fundo do poço da indecência, do nojo, da falta de vergonha, da falta de caráter. A candidata do PT tinha conseguido a façanha de ir mais baixo do que tinha ido Fernando Collor de Mello, em 1989, ao pagar para a mãe de Lurian ir ao horário eleitoral dizer que Lula havia se disposto a pagar pelo aborto.

Mas não. Marta e o PT conseguiram bater o recorde do recorde, conseguiram ir mais fundo ainda no mar de lama. Enquanto, nas ruas de São Paulo, petistas atacavam eleitores do adversário aos gritos de “Kassab é veado”, Marta, seu vice e as pessoas de sua campanha se fingiam de mortos, de desentendidos, de inocentes, de coitados, de vítimas. Riam da inteligência das pessoas. “Não entendo” – disse, candidamente, pateticamente, desavergonhadamente, o deputado Aldo Rabelo, o candidato a vice, como se fosse culpa do mundo, e não deles, ter entendido a pergunta feita pela campanha a respeito de Kassab: “Ele é casado? Tem filhos?” como um questionamento de sua opção sexual. “Ela fez o que um hotel faz. Quando alguém vai se hospedar tem que informar o estado civil.”

E aí, na quarta-feira, questionada sobre o assunto, a própria Marta se mostra indignada, e diz que não havia tomado conhecimento da propaganda eleitoral: “Eu vi hoje pela primeira vez, é uma pergunta como as outras que não suscitaram reação”.

É dureza. É afronta demais da conta.

No desespero diante dos números das pesquisas, a campanha insinua que o oponente é gay – a baixaria das baixarias, a falta de vergonha das faltas de vergonhas, tornada ainda pior vinda de uma pessoa que passou a vida pública se dizendo a favor das minorias, do avanço do comportamento. O país inteiro reage com indignação à manobra que é o atraso do atraso do atraso; ela tem a oportunidade de recuar, de fingir que não sabia de nada, mas não recua. E aí chama todos nós de imbecis. É nojento demais. E fica cada vez mais nojento.

Este é um site de cinema, e eu mais do que ninguém quero que ele volte a ser um site de cinema. Mas enquanto esse nojo continuar, vou usar este espaço aqui para o meu direito de espernear. Não usá-lo seria uma indignidade.

Petistas fazem ataques homofóbicos a Kassab

Jornal O Globo, 15/10/2008, quarta: “A propaganda eleitoral da candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, questionando a vida pessoal do adversário, o prefeito Gilberto Kassab (DEM), deflagrou insultos homofóbicos ao prefeito. Ontem, cabos eleitorais de Marta foram vistos ofendendo eleitores de Kassab por duas vezes. A candidata, que se isentou de responsabilidade mas defendeu a propaganda, deu o assunto por encerrado.

De manhã, depois da assinatura de um termo de compromisso com o Sindicato dos Frentistas num posto de gasolina do Cambuci, com a presença da ex-ministra, cabos eleitorais de Marta hostilizaram um casal de eleitores de Kassab que passava pelo local:

– O Kassab é veado! Você vai votar em um veado! – gritava uma apoiadora de Marta, que se recusou a revelar a identidade.

Horas depois, durante caminhada pelas ruas de Ermelino Matarazzo, o insulto homofóbico se repetiu. Quando Marta foi interpelada na rua por um homem, a cabo eleitoral petista Elaine de Paula reagiu:

– Ele falou tão desmunhecado que deve ser do Kassab. É bicha igual.”  

 Ela teve a oportunidade de livrar a cara

14/10/2008, terça: Marta Suplicy teve a oportunidade de não se afundar no mar de lama. Ontem, segunda-feira, já havia a reação nos blogs contra a baixaria do anúncio veiculado no domingo insinuando que Gilberto Kassab é gay e, portanto, não deve ser eleito prefeito de São Paulo. O próprio senador Eduardo Suplicy conversou com ela pela manhã – conforme mostra O Globo desta terça-feira -, e recomendou que ela desistisse daquela linha.

Então, ela teve a oportunidade. Com sua cabeça política, Mary Zaidan fez o raciocínio: dava perfeitamente para Marta ter avaliado a situação, percebido o erro, percebido que era um tiro de canhão no seu próprio pé. Na tarde da segunda-feira, tinha a sabatina na Folha de s. Paulo; era a oportunidade perfeita. Ela poderia ter dito: “Eu não tinha visto o anúncio. Não concordo com ele. Mandei tirar do ar. Não quero que aconteça com ninguém o que aconteceu comigo, quando ficaram vasculhando minha vida privada.”

 Mas não. Além de ser um nojo, ela é burra. Ela não reconheceu que era um erro. Botou a culpa no marqueteiro: “A decisão está na mão do marqueteiro. Eu nem ouvi. As pessoas é que me contaram. Para mim tanto faz se ele é casado, viúvo ou solteiro”.

Como diz o título do Globo: “Marta defende exploração da vida de candidatos”.

Felizmente, a indignação que se vê nos blogs, nos jornais, nas cartas de leitores, é imensa, acachapante, quase unânime. Como diz o Ricardo Noblat, “Marta escolheu o pior caminho para perder a eleição”. Como diz Julian Rodrigues, do comitê de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais da própria campanha de Marta, “foi mais que um tiro no pé. Foi um tiro de canhão no pé. Por sua trajetória de defesa dos direitos das minorias e vítima de ataques pessoais, Marta deveria ser a última a fazer esse tipo de abordagem”. Como diz o senador Eduardo Suplicy, “com toda a história dela, Marta deveria saber que uma pessoa pode ser solteira a vida toda e ter um comportamento exemplar na vida profissional e política.

Marta está perdendo mais uma eleição. E já perdeu a biografia – jogou na lama.

 Marta Suplicy dá nojo

13/10/2008, segunda: Este é um site de cinema, mas é a arma que eu tenho, e então vou usá-la. Calar diante da indignidade do PT e de Marta Suplicy é indignidade. A gente achava que não poderia haver mais baixo nível, na política brasileira, do que o uso, na campanha de Fernando Collor de Mello, da imagem asquerosa da ex-mulher de Lula dizendo que ele queria pagar para ela abortar. O PT e Marta conseguiram a façanha de descer mais baixo para o fundo do poço da total falta de vergonha, da desfaçatez absoluta. Recebi hoje (segunda, 13 de outubro) do meu amigo Sandro Vaia a seguinte mensagem:

“Até ontem, antes de ver aquele anúncio,tinha
raiva da Marta e do PT. Agora tenho nojo.”

Do meu amigo Wladimir Ganzelevich, recebi esta mensagem:

“Marta Suplicy foi autora do projeto de lei de união estável entre pessoas do mesmo sexo. Foi amiga pessoal do Delanoë, prefeito de Paris assumidamente homossexual. Agora, põe no ar um comercial que diz: “A Marta é casada e tem filhos. Sobre o Kassab não se sabe nada. Será que ele tem algo a esconder?” Como ela sabe que a eventual homossexualidade do prefeito não significa restrição da capacidade administrativa, isso só pode ser uma forma de atingir o eleitorado de baixa renda, machista e preconceituoso, capaz de se orgulhar dizendo “não voto em viado”. É uma manobra eleitoreira de um espantoso oportunismo. É uma atitude desavergonhada de uma ex-psicóloga e ex-sexóloga, que vem a ser também ex-ética. É de uma voracidade eleitoreira absolutamente indigna. Nunca na história deste país, para repetir o bordão do guru dela, a política foi tão rasteira. Ninguém falou da Erundina, por exemplo; nem mesmo o Maluf desceu tão baixo.”

A revolta do Sandro, do Wladimir, do Ricardo Noblat em seu blog, do Reinaldo Azevedo no dele, ajudam, confortam, nesta hora em que dá vontade de descrer completamente na humanidade. Agradeço a eles. E transcrevo abaixo também os textos de Ricardo Noblat e Reinaldo Azevedo:

Marta escolheu o pior caminho para perder a eleição
Por Ricardo Noblat
Em 2002, o publicitário Duda Mendonça inventou o “Lulinha Paz & Amor” porque a maioria dos brasileiros se recusava a eleger o “Lula ex-metalúrgico quase sempre de mau humor”, derrotado três vezes antes.
A maioria dos paulistanos esperava uma Marta menos Fávre e mais Suplicy no momento em que ela tenta se reeleger prefeita pela segunda vez.
Marta em estado bruto e com a arrogância à flor da pele enfrentou, ontem, um adversário ameno e com cara de bom moço no debate promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.
“Virgem Maria”, espantou-se Gilberto Kassab depois de uma intervenção particularmente dura de Marta. “Virgem Maria” – deve ter repetido parte dos assistentes do lado de cá da telinha.
Uma idéia do que viria à noite fora oferecida ao longo do dia na forma de um comercial da campanha de Marta no rádio e na televisão.
O comercial faz insinuações a respeito da vida privada de Kassab (DEM). Uma voz de homem não identificada diz que o eleitor tem o direito de saber se Kassab é casado e se tem filhos.
“Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?” – pergunta a voz. Para deixar como últimas perguntas: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?”
Outro comercial na mesma linha critica o passado político de Kassab e pergunta por fim: “Será que ele esconde mais coisas?”
Marta se fez de boba quando jornalistas sugeriram que os comerciais nada tinham a ver com a sua biografia de apresentadora de programa de televisão onde orientava as pessoas a desfrutarem dos prazeres do sexo.
– O que você está querendo insinuar? – respondeu Marta à pergunta de uma jornalista da Folha de S. Paulo. “São direitos de informação que todo mundo tem que ter”.
Desesperada com a derrota que se avizinha, Marta mandou todos os escrúpulos às favas e tentou arrombar a porta da vida privada do seu adversário.
Tem cabimento, sim, examinar a trajetória política de Kassab – assim como Kassab, se quisesse, poderia examinar a trajetória política de Marta.
Não tem cabimento, o menor cabimento, discutir-se se Kassab é casado ou solteiro, se tem filhos ou não. Suponho que ele seja solteiro, sem filhos. Do contrário já teria se exibido por aí na companhia da família.
Sim, mas o que há de relevante nisso? No que pode mudar o voto do eleitor a informação sobre o estado civil de Kassab?
Sejamos claros: a ultra-liberal sexológa Marta, que não renuncia ao sobrenome do ex-marido, quer sugerir que Kassab é gay. Correligionários no Rio do candidato a prefeito Eduardo Paes (PMDB) se valem do mesmo jogo baixo e sujo contra Fernando Gabeira (PV).
No caso de Gabeira, bocas de aluguel percorrem a zona oeste da cidade e faixas da zona sul dissiminando o boato de que ele é gay, viciado em drogas e ateu.
De Lula, em 1989, a turma de Fernando Collor disse que congelaria os depósitos das cadernetas de poupança. Foi Collor que congelou. De Gabeira se diz que reforçará com drogas a merenda escolar.
O Instituto Datafolha pôs Kassab 17 pontos percentuais à frente de Marta em pesquisa de intenção de voto divulgada na semana passada. O Ibope divulgará amanhã nova pesquisa sobre a eleição em São Paulo.
Marta tinha dois caminhos igualmente limpos para sair do episódio eleitoral ainda em curso: o primeiro, contrariar todas as previsões e derrotar Kassab. O segundo, perder para ele, mas manter intacto seu expressivo patrimônio eleitoral e a imagem de uma política respeitável.
Tudo indica que Marta escolheu um terceiro caminho – o do abastardamento.

O dever da resistência
Por Reinaldo Azevedo

Inserção do PT na TV indaga se o prefeito Gilberto Kassab é casado e tem filhos. A cidade inteira sabe que a resposta é “não” e “não”. Então por que a pergunta? É óbvio que se tenta fazer um questionamento sub-reptício, covarde como sói na turma, sobre a sua sexualidade, que não interessa a ninguém, a não ser a ele próprio. Seria ridículo sustentar isso ou aquilo, asseverar esta ou aquela condição. Corresponderia a fazer o jogo da canalha que tenta transformar preconceitos em escolha política.

E se ele fosse gay? Isso o impediria de ser o grande prefeito que é? O PT chafurda na lama, na propaganda mais odienta, na escolha mais desprezível, na discriminação mais asquerosa. Ao mesmo tempo em que assim procede, tenta criminalizar o DEM, como se o partido não tivesse direito de existir. É o fim da linha. No partido de Celso Daniel, de Santo André, e de Toninho do PT, de Campinas, tudo é permitido, tudo vale, tudo pode. Eis a campanha que está sob o gerenciamento de Gilberto Carvalho, braço direito de Lula – o mesmo Carvalho que era braço direito de… Celso Daniel.

Alguém poderia indagar: “Mas a própria Marta não foi vítima de preconceito por ter-se separado de Eduardo Suplicy e casado com o argentino Felipe Belisário Wermus?” Eu acho que sim. Já escrevi isso aqui. E também observei à época que seus acertos e seus erros nada tinham a ver com a sua opção. Mas há algumas diferenças aí. Quem levou o drama de alcova do trio para a praça pública foi um dos vértices do triângulo: o marido agravado. Ninguém foi escarafunchar a vida de Marta ou perguntar se ela primeiro se divorciou para, então, ficar com seu novo amor. Mais: Belisário Wermus, que prefere ser chamado de Luís Favre, fez questão se tornar uma espécie de assessor especial de marta e de participar do debate público brasileiro. Kassab não ofereceu a sua vida privada ao escrutínio de ninguém.

Muitos dirão que este texto não deixa de ser conseqüência da estratégia vil do petismo. Errado. A questão está dada. Recebi ontem oito telefonemas de amigos – dois deles de esquerda, eleitores (serão ainda?) de Marta – que estão absolutamente enojados. Os leitores começaram a comentar no blog antes mesmo que eu escrevesse qualquer coisa a respeito. A campanha de Marta comete uma dupla canalhice ética.

A primeira, evidentemente, é especular, sem que lhe tenha sido dada licença, sobre a condição sexual de alguém, o que é inaceitável; a segunda é sugerir que, se fosse verdadeira a ilação, seria uma mácula. Não! Kassab, acreditem, não está sendo pessoalmente atingido. Mas todos os gays do país estão. Marta quer lhes cassar a cidadania com uma campanha covarde e homofóbica, que nem mesmo ousa dizer seu nome. Justo ela, que iniciou a sua carreira política fazendo proselitismo entre os homossexuais. Mais uma farsa se revela – ou uma “bravata”, para usar expressão do presidente Lula: os gays serviram para dar visibilidade a Marta Suplicy. Agora, se preciso, ela os manda para a fogueira para conquistar os votos evangélicos. Foram usados e agora são jogados fora. No PT, vale tudo para se eleger. Sempre valeu.

No dia 10 de julho de 2006, o jornal O Globo registrava uma fala emblemática. Indagaram a Marco Aurélio Top Top Garcia, então presidente interino do PT, se não era constrangedor para Lula dividir o palanque com mensaleiros. Sabem o que ele respondeu? “Constrangedor é não ter voto”. É o vale-tudo.

Vão silenciar?
Imaginem se um partido considerado “de direita” pela imprensa fizesse com um petista o que a campanha do PT fez ontem com o dito “conservador” Kassab? Vocês já imaginaram a reação da imprensa e das falanges do politicamente correto? Maria Rita Kehl escreveria, claro, um artigo indignadíssimo, mostrando quão suja pode ser a direita… Mas, desta feita, o silêncio deve gritar a pusilanimidade dessa gente. Porque eles não só tem o monopólio da representação de supostas minorias, como também reivindicam o direito de discriminá-las se isso for útil à sua causa. Aliás, em matéria de preconceito, Marta está se tornando um caso de estudo. Ontem, no debate da Band, só faltou pedir que declarem a ilegalidade do DEM (comento num post abaixo).

Por quê?
Vocês viram que a capa de O País dos Petralhas abre este texto. É que essa gente está devidamente caracterizada no livro. Eis os petralhas. Meus leitores sabem da minha indisposição com o que chamo de “minorias profissionais” – sejam gays, pretos, gordos, míopes, magros, mancos, heteros, belos, sei lá o quê. Só indivíduos me interessam. Na sua particularidade.

E, já escrevi aqui, pouco me importa o que fazem na cama desde que as práticas sejam consensuais e excluam crianças e bichos. Não é problema meu. Meus amigos são testemunhas de que jamais comento minha vida privada, por mais próximos que sejam. Nunca! Para lhes salvar a vida, se preciso, dou um rim. Mas não me peçam segredos de alcova. E também não abro espaço para que me contem suas aventuras. Fazer o quê? Sou assim. Quando Lula exaltou a sua virilidade com a Galega logo na primeira noite, quase vomitei. Sou do tipo que transforma, sempre que possível, palavras em imagens… Calculem, então, o que penso da possibilidade de o estado ou um partido tentarem legislar sobre individualidades. Essa é uma prática muito comum do nosso tempo, a que aderiram as esquerdas, agora que não podem mais fazer revolução: politizam o desejo, os anseios, as frustrações de grupos… Tenho horror a esses bandos de discriminados profissionais, escravos das próprias frustrações. E, claro, diz a canalha: “Reacionário!” Eu???

Não! Reacionária é Marta Suplicy. Ela, sim, sob o pretexto de respeitar minorias – de quem queria o voto -, avança, sem qualquer respeito ou pudor, sobre a vida privada de um ndivíduo que nada lhe deve, tampouco explicações.

E concluo
Há questões que são estritamente privadas. E outras têm interesse público. Eu não quero saber se Marta namorou Belisário Wermus só depois de se separar de Suplicy. Aliás, eis outro triângulo amoroso que me embrulha o estômago. Suplicy tratou muito do assunto. Marta falou a respeito num livreco que circula por aí. Eles é que são desabridos. Agora, saber qual é a fonte de renda de Belisário pode ser do interesse da coletividade. O homem é uma figura bastante presente na vida pública brasileira, não? Ele vive mesmo do quê? Quando trabalhava para Duda Mendonça, qual era mesmo a sua especialidade?

Entendo por que O País dos Petralhas está em todas as listas dos livros mais vendidos do país. Lê-lo está se transformando numa espécie de sinal de resistência. Uma resistência não-partidária. Uma resistência cidadã. Uma resistência em nome da civilidade.

Uma explicação – e os comentários

Publiquei os textos acima no meu site 50 Anos de Filmes. Foi a primeira das poucas vezes em que publiquei lá um desabafo, uma indignação que não tinha nada a ver com filmes. Várias pessoas me criticaram por isso, em mensagens ao site e em conversas. Em parte, tinham razão: que raios faz uma diatribe sobre política num site sobre filmes? Mas em parte eu também tinha razão: como é possível ter um site, ter a possibilidade de espernear, de dar vazão a uma indignação que não era só minha, e silenciar?

Bem, agora, com meu site com textos sobre qualquer assunto, posso retirar do 50 Anos de Filmes o que escrevi embalado por uma ira cívica que não pude conter.

Abaixo transcrevo as mensagens que foram enviadas sobre o post. Alguns me apoiaram, outros criticaram; uma moça me chamou de extrema direita. Cacilda!

 1.      Mônica Maia

Postado em 14 outubro 2008 às 1:15 am |

Foi uma loucura total…sua e da Marta. Acho sua manifestação corretíssima, sou uma simpatizante do PT que vota no Kassab mas acho que seu belo site não merecia essa história. Você conseguirá excluir no futuro?

Bjs

2.      Marcio Zaidan

Postado em 14 outubro 2008 às 1:54 am |

Acho um perigo enoooorme vc se aventurar a fazer comentários políticos em seu blog. (Vai que vira um puta sucesso, maior do que os filminhos e aí vc tá fodido, eles nunca mais vão te largar!!!!)

Pensei que, cobra véia que vc é, vc poderia escrever uma história uma didática, mais, digamos…cinematográfica.

Sugestão:

Nesta linda manhã paulistana, sob O CÉU DE OUTUBRO, e que pensei estar em TEMPOS DE VIVER eleições éticas, acordei com O DESPERTAR AMARGO de ver A ARMACÃO que a pretendente Marta Suplicy, num momento QUANDO É PRECISO CRESCER na contagem eleitoral, tenta impingir aO ADVERSÁRIO , de uma forma INDISCRETA a acusação (sic) de ser homosexual:

– ESQUEÇA PARIS! lá o prefeito pode ser viado mas aqui, EM MINHA TERRA, com o apoio de meus simples, humildes e alienados (mas machos prá burro) eleitores, vou conseguir A QUALQUER PREÇO, que isso faça a popularidade de Kassab cair! Vamos fazer uma AÇÃO ENTRE AMIGOS com meus partidários e vamos aproveitar que esta oposiçao não sabe mesmo fazer oposição e vamos cair matando , porque estamos chegando perto do segundo turno e A HORA FINAL.

Vamos ver se este tal de Kassab, que ninguem kassabe nada da vida dele mesmo, que nunca mostrou mulher nem filhos, esconde SEGREDOS DO PASSADO. Vamos dizer que ele esconde SEGREDOS E MENTIRAS viadísticas e aí eu quero ver ele ganhar!!!!

Grandissíssimo erro, o desta Marta! A FALSA LIBERTINA se esqueceu que na eleição que venceu, contou com o apoio dos GLSeetc, e agindo assim se mostra FIEL MAS NEM TANTO ‘a JUSTA CAUSA da equalidade sexual.

Urjo a meus amigos, escritores, pensadores, pessoas de RAZÃO E SENSIBILIDADE, que criemos uma REAÇÃO EM CADEIA, e atiremos uma CHUVA DE PEDRAS nesta ridícula candidata, e que esta seja realmente SUA ÚLTIMA FAÇANHA dentro do painel político de São Paulo!

A VIDA ÍNTIMA DE UM POLÍTICO não pode nem deve ser UM SINAL DE PERIGO para seu fracasso em nenhuma esfera! Falar de viadagem junto ao eleitorado mais popular e machista pode ser mesmo mutio eficiente mas deve ser encarada como uma EVIDENCIA INACEITÁVEL e de baixíssimo calote!

A LULA E A BALEIA sabem que, por não termos tido a competencia suficiente para desbancar ações e escandalos anteriores desta turma do PT, neste momento esta ação de Marta nem precisa ser considerada UM PLANO DE RISCO , conseguindo impunidade e INDO ATÉ O FIM com estas sujeiras.

O QUE É ISSO COMPANHEIRO! Vamos ‘a luta já! Não podemos deixar que nossa CIDADE DOS SONHOS tenha sua RIQUEZA ROUBADA bem diante de nossos olhos, etcx, etc, etc, afinal Serginho, voce é muito mais melhor de bão do que eu neste babado de escrever, portanto….

Marcio e Lúcia (TUDO EM FAMÍLIA)

3.      Mary Zaidan

Postado em 14 outubro 2008 às 2:22 am |

Esta minha família é mesmo cheia de CELEBRIDADES. E NÃO É MERA COINCIDÊNCIA eu querer comentar o post de Márcio e Lúcia. A sugestão de crítica à indignidade de Marta utilizando o rico índice de filmes que está no site é simplesmente sensacional. Um brilho. A madame petista está mesmo POSSUÍDA e, mais do que AO PÉ DO CADAFALSO, caiu no fundo do precipício. Sem chance de volta.

4.      Teresa

Postado em 14 outubro 2008 às 11:06 am |

Valeu Sergio……

Parabéns….

O site é de cinema, mas cinema é política – na melhor raiz da palavra, cinema é informação, é história. Seu espaço é o máximo, e que bom poder ser ocupado para o debate de idéias e quando a indignidade bate na porta. É preciso sim, sair por aí bradando aos sete ventos, colocando prá fora, discutindo, apontando o dedo na cara.

Lamentável dona Marta Favre……

Mas que bom dona Marta Favre….. Se o seu poço já era profundo……..Quanto mesmo? 17 pontos, agora virou um precipício…. E não adianta querer se agarrar nas laterais pois o mar de lama do PT escorre e empurra cada vez mais prá baixo.

Márcio e querida Lucia, adorei o texto, é coisa de entendidos nos assuntos CINEMA E POLÍTICA.

5.      Carlos Guilheme

Postado em 14 outubro 2008 às 6:21 pm |

Essa Senhora é tudo que o pais não merece

Devia pegar um vôo prá Cochabamba e sumir.

6.      milcia zaidan

Postado em 15 outubro 2008 às 12:10 am |

Não sou bem uma escritora, mas correrei o RISCO DUPLO de comentar junto com vocês, pois A MULHER DO DIA , com esta TRAPAÇA mostrou que é mesmo uma MENINA MÁ e para recuperar O CIRCULO DO PODER levanta SUSPEITA indevida sobre o adversário. Mas o IMPACTO desta atitude pode levá-la a DIAS DE ABANDONO junto ao traido eleitorado gay e simpatizante até mesmo levar a TRÊS ENTERROS : o dela, o do PT paulista e o das nossas esperanças de uma campanha limpa.

Mas certamente nada melhor qu O DIA DEPOIS DE AMANHÃ….

7.      Miltinho

Postado em 15 outubro 2008 às 12:20 am |

Sërgio.

Seu site não merece filmes menores.

Deixa a política prá lá.

Fale de filmes, diretores e roteiros!

Nós petistas repudiamos a política da Marta, LULA & CIA, somos oposição mesmo, tanto a Marta, quanto ao Kassab e Alkimim.

São Paulo precisa de novo enrêdo, novos planos e diálogos inteligentes, afinal o cinema está aí para dramas & comédias.

Recoloque o site nos trilhos!

Miltinho

8.      Sérgio Vaz

Postado em 15 outubro 2008 às 1:30 am |

Miltinho, caríssimo, espero realmente poder voltar aos filmes. Mas, diante do tamanho da baixaria da Marta, não dava para ficar quieto. É o tal do jus esperneandi, a que todos nós temos o sagrado direito. E, como me disse uma amiga, Kátia Ganzelevich, numa mensagem: “É um espaço sobre cinema, mas não podemos deixar passar esse tipo de afronta, esse tipo de vagabundice sem protestar, e quem tem um espaço público deve fazê-lo. É uma questão de respeito às pessoas! Parabéns, Sérgio.

E pensar que já fui petista e lulista roxa… Que corja!”

Aliás, Miltinho, existe algum PT fora Marta, Lula e Cia?

Sérgio

9.      Cleonice Cezar

Postado em 15 outubro 2008 às 11:07 am |

Parabéns Sérgio!

É por assumir atitudes como esta que fico muito orgulhosa por te-lo como parâmetro.

Você foi e continua sendo o meu grande Guru.

Fora PT!!!

Beijos para você e Mary

Cleo

10.    jorge teles

Postado em 18 outubro 2008 às 11:15 pm |

Ora, pois, confesso que não estou entendendo nada sobre esse filme dessa tal de dona Marta. Estava acostumado a entrar neste site e ler sobre os filmes. Da maioria, nunca tinha ouvido falar. Mas eu sempre leio porque gosto do jeito como o moço fala das estrelas de cinema. Uma é diáfana, já fico imaginando uma borboleta com cara de princesa. A outra é esplendorosa, fico pensando numa princesa no meio da aurora boreal. A outra é divina, já penso na Santa Maria Madalena com uma roupona vermelha no meio de um vendaval.

E de repente, aparece este filme dessa dona Marta. Que confusão! Parece que ele não quis explicar direito o filme, só falou que ela fez baixaria porque é candidata à eleição. É a eleição pra presidente dos Estados Unidos? Não deve ser, porque lá o problema é outro. Então, em vez dele falar do filme, parece que ele apresenta a fala das pessoas da platéia. Cada uma dá sua opinião. Eu nem consegui deduzir se é uma comédia, se é um musical, se é um dramalhão mexicano. Deve ser uma tragicomédia brasileira, porque, quando o filme é brasileiro, não aparecem aquelas palavras do lado, numa língua que a gente não entende.

Mas, de repente, ouço um estalo dentro da minha cabeça e tudo fica esclarecido.

Todo esse palavrório é sobre a refilmagem de A Dança dos Vampiros. E não há atores, os próprios personagens fazem seus papéis. À medida em que as coisas acontecem, o cinema vai mostrando. Eu sempre achei que a protagonista sempre esteve mais para Gisele Bündchen do que para Rosa Luxemburgo. Cinema-olho, de Dziga-Vertov. Vamos conferir:

Esses vampiros não morrem nunca, ou quase nunca. Precisam de nsso sangue, no caso presente, o voto. É com o voto que eles se alimentam. Diferente do filme de Polanski, estes vampiros aparecem no espelho, não assustadores como são, mas maqueados, sorridentes e vomitando palavras bonitas. O espelho deles tem a forma de uma tela de televisão. E sempre aparecem os seus ajudantes, que também não são corcundas nem monstruosos, dizendo que o voto é necessário, que temos que exercer nosso direito. No caso, direito a manter o baile dos infernos. Nesse baile tremendo, o PT não veio provar que é um partido corrupto. Veio provar que todos os partidos são corruptos.

Eu fui petista durante toda a vida, até descobrir que um deputado petista se sentou em cima do processo do Banestado, ui, que fedor! E o que dizer do mensalão?

Um novo estalo na minha cabeça e eu volto a ser o que era. Que bom! Pelo menos, o meu pescoço eu não ofereço mais. Comigo, não, vampiros do diabo! Não contem com meu sangue!

E o que dizer para o pessoal da platéia? Calma, minha gente! É só um filme! Filminho de merda!

11.    Miltinho

Postado em 28 outubro 2008 às 8:52 pm |

Sim,existe!Uma ficção.

Roteiro do bom Jorge Telles.

Música de Maria Lúcia da Silveira.

Figurinos por Ligia Mendonça.

Diálogos por Silvio Miranda.

Direção Geraldo Vaz.

Atores: Fernanda, André, Roberto e João

Sinpose: Um menino de Acari (RJ ), despolitizado, ajuda a fundar um partido político que reunia intelectuais como Paulo Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes e outros que tinham um sonho de mudar um país a partir de uma utopia, a implantação do socialismo . O protagonista principal (Miltinho) sonha com um país das maravilhas, no qual viverão os filhos Fernanda, André, Roberto e Joâo. O filme termina com a triste constatação que todos os partidos políticos são iguais e corruptos (visão do diretor).O partido mudou, sonho não acabou.

Homenagem póstumas: Darcy Ribeiro e Padre Zé.

Resgate ético: Fernando Gabeira no RIO

12.    Renata

Postado em 1 dezembro 2008 às 3:46 pm |

Nojento é esse site de ultra-direita. Sou petista e continuo a ter orgulho do PT e da Marta. Se não fosse por ela, não haveria essa parada gay, nem as coordenadorias da prefeitura, nem as muitas atividades realizadas para a comunidade LGTB e menos ainda o projeto de lei de parceria civil, da ex-prefeita. Trabalhei no PT, sou miltante de movimentos sociais feministas e LGTB, presenciei a criação das coordenadorias da prefeitura, inclusive a extinta Coordernadoria de Participação Popular, que muito fez pelo segmento LGTB. Fui conselheira do Orçamento Participativo, o OP, pelo segmento LGTB, pontapé inicial para os atuais centros de referência LGTB. Enquanto conselheira do OP, colaborei na organização de diversas atividades em prol do nosso segmento.

Indagar sobre o passado e a vida do atual prefeito Kassab interessa sim, quando se trata de uma figura pública, que arranjou um cargo na prefeitura para o namorado Rodrigo Garcia. Além do que, Kassab, o enrustido, o fingido, que posa de bom moço, vetou o projeto de lei contra homofobia. Não dá pra se calar diante de um político que se esconde, que tem duas caras, um oportunista, que pertence a um partido que apoiou a ditadura, o PFL, que foi secretário do ex-prefeito Celso Pitta (hoje um foragido da lei) e defensor do movimento “reage Pitta”.

Infelizmente, o povo paulistano – assim como o brasileiro – não tem vontade p/ se esforçar e lembrar de determinado passado. O prefeito pefelêdemoníaco chamou todos os paulistanos de vagabundos e a população fecha os olhos e os ouvidos. Com a eleição de Kassab, São Paulo continua na era das trevas, do conservadorismo, da hipocrisia, do mais vergonhoso abismo social. Quem viver, verá. E, por falar nisso, tenho vergonha de morar nessa cidade.

Um comentário para “São Paulo me enche de orgulho, me lava a alma”

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.