O teste do trem

Este morador de Guarulhos resolveu testar o trem. Como sabem, criado para bem servir os viajantes de avião, ele chega perto do aeroporto internacional que leva o nome da cidade.

Na verdade, chega a duas estações. A Aeroporto, onde o público e sua bagagem fazem baldeação para um ônibus, que os leva para o aeroporto. E uma segunda gare, a Parque Cecap, bastante próxima, para atender os moradores da cidade que demandam São Paulo.

Escolhi, por óbvio, a segunda. Como é natural, a estação tem uma entrada na mesma área onde estão um terminal de ônibus e um  estacionamento de carro. O único inconveniente é que, para chegar a estação, vai uma boa caminhada, a céu aberto.

Uma vez alcançada, a pessoa se depara com uma escadaria sem tamanho. Ao lado dela, é verdade, está a escada rolante. Com um detalhe: a rolante não serve a quem sobe, mas a quem desce. Há um botão à vista. Apertei para ver se invertia o sentido; nada consegui. Encarei os degraus de cimento.

Cheguei ao que se poderia chamar viaduto para pedestre. Largo, coberto, laterais abertas (vento gelado) e muito, muito comprido. Passa por cima de uma avenida de duas pistas e canteiro central, de um córrego e suas verdes margens, e mais um tanto. Por seu porte e estilo poderia receber uma parada militar, mas caminhamos só eu e Deus.

Assim alcancei a bilheteria (R$ 4, para o percurso completo, até a estação Barra Funda do metrô), passei pelos bloqueios e me vi na plataforma de embarque. Estávamos junto à avenida Hélio Smith, que vai para o aeroporto. Aqui há um estacionamento e escada rolante, mas o primeiro só para funcionários.

Na plataforma havia poucas pessoas. O trem, moderno, bonito, chegou logo, vindo da Estação Aeroporto. Trazia certo número de passageiros, mas longe de lotação expressiva. Dos que notei, todos levavam jeito de trabalhadores, ou moradores, em trânsito.

Vamos que vamos

  1. Com este explorador a bordo, o trem parte às 12h33. Vai devagar, viagem agradável. Onze minutos depois, às 12h44, está parando na estação Engenheiro Goulart, da CPTM, a estatal dos trens metropolitanos. Desembarco e basta-me atravessar a plataforma. Por esse outro lado virá, dos subúrbios mais afastado da zona leste, o trem da Linha Safira.

Veio, lotado. Imaginei alguém com duas malas grandes de viagem e o sombreiro comprado no México tentando se encaixar. A composição seguinte não demorou. Estava cheia, mas nem tanto.

  1. Eram 12h54. Embarquei – e não acreditei no que vi. Com tanta gente, havia um banco para velhinhos livre. Ora, ocupei-o. Perto de mim, duas moças sentadas no chão, e um rapaz em pé, cuidavam de um trabalho escolar. A estação anterior serve o campus da USP Leste, que, devido à lonjura, os alunos chamavam de USP Lost.

Tirando a barulheira dos camelôs (alguns discursam alto para chamar a atenção), a viagem foi boa. Paramos na Estação Tatuapé, e, na seguinte, já era o fim da linha. A Estação do Brás, de 1867, hoje modernizada. 13h14, 20 minutos de viagem.

Olha o cassetete                                                                   

Na estação o sistema de som transmite avisos sobre investidas sexuais. Pede a quem vir que alerte a segurança. Ao contrário dos seguranças do metrô, que portam cassetete e rádio, os daqui têm cassetete e revólver.

Uma vez desembarcado, iniciei a caminhada. Depois subi uma comprida escada rolante, andei mais um bom tanto, e cheguei à Estação Brás, agora do metrô. Está na linha vermelha, que também vem dos fundos da Zona Leste, e leva à Barra Funda.

O trem chega logo, repleto. Para embarcar, os passageiros espremem os que estão dentro (aquele sobreiro mexicano…). Mas logo vem outro trem, um pouco menos cheio. E também em poucos minutos um terceiro, cheio, mas praticável.

  1. Embarco às 13h36. Viagem curta. Parada na Estação Pedro II, e com três minutos de viagem, às 13h39, chego a meu destino, a Estação Sé (quem saiu de Guarulhos para ir à Barra Funda segue em frente). Foram uma hora e seis minutos de viagem, contando esperas e translados. Trinta e quatro minutos em trânsito.

 

Como motivação para o périplo, pretendia almoçar no restaurante Lírico, na Rua Líbero Badaró, velha casa do centro que só conhecia de nome. Dei uma checada apressada no Google e lá estava ela, sugerida por um site de viagens.

No endereço, soube o seguinte. O Lírico fechou há dez anos. No entanto… sem problemas. Lá estava o bife por quilo, com seu trem de muitos vagões de alimento aquecendo em fogo brando. Preferi comer um americano, um sanduíche feito com pão francês, em um bar da Rua São Bento.

Setembro de 2018

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