Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”
Sob o domínio dos ratos
Relaxamento da lei da improbidade e das regras para prisão de parlamentares, com abrandamento na Lei da Ficha Limpa. O pacote da impunidade, deflagrado fora dos ritos regimentais e com celeridade jamais vista, é o primeiro efeito prático da aliança deletéria entre o centrão e o presidente Jair Bolsonaro, aquele que enganou seus eleitores se dizendo um combatente da corrupção. Continue lendo “Sob o domínio dos ratos”
O custo da guinada nacional-populista
A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”
Impeachment por traição
Está lá na página 74: “os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais…”. Na página 10, outra garantia: “faremos uma aliança da ordem com o progresso, um governo liberal democrata”. No caput, o compromisso com um “governo decente…sem toma lá-dá-cá, sem acordos espúrios”. Continue lendo “Impeachment por traição”
O país do passado
Países entram em declínio. Perto de nós temos um exemplo clássico, a Argentina. Nas três primeiras décadas do século passado fazia parte do rol das nações desenvolvidas, com um PIB per capita igual ao da Alemanha e superior ao da Itália, Espanha e Suécia. Era uma economia aberta, conectada ao mundo. Entrou em decadência com a ascensão do peronismo na década 40 em virtude do fechamento de sua economia. De país do futuro, virou o país do passado. Até o tango, expressão da alma, ficou parado no tempo, símbolo da nostalgia de sua belle époque. Continue lendo “O país do passado”
Bolsonaro vai passar
Talvez a culpa seja do cancelamento do carnaval, dias de alegria, mesmo fugazes, em que “uma ofegante epidemia” invade o corpo e a alma da nossa “pátria-mãe tão distraída”. Em vez de folia, peito apertado, coração doído, bolso e barriga vazios, incertezas. Continue lendo “Bolsonaro vai passar”
A volta às aulas é inadiável
Fiel à sua tradição de retardatário em matéria educacional, o Brasil é um dos últimos países do mundo a retornar ao ensino presencial. As escolas ficaram fechadas durante um ano, por causa da pandemia. O ciclo de paralisia começou a ser superado com o retorno parcial das aulas em São Paulo, observando os critérios de biossegurança. Outros estados devem trilhar o mesmo caminho ainda em fevereiro. Todos terão de correr para mitigar os danos provocado pela Covid 19 na formação de nossas crianças e adolescentes. Continue lendo “A volta às aulas é inadiável”
O anti-lavajatismo é pró-Moro
São no mínimo apressadas as análises de que Sérgio Moro é o maior derrotado no julgamento da 2ª Turma do STF que liberou para a defesa do ex-presidente Lula o acesso a mensagens, obtidas por hackers, que teriam sido trocadas entre o ex-juiz e os promotores da Lava-Jato de Curitiba. Não é descartável – e é até bastante provável – a hipótese de que a percepção popular seja a de que há um esforço combinado para enterrar investigações e punições que há anos tiram o sono de boa parte da República. Até porque existe mesmo. E é aí que Moro pode dar a volta por cima. Continue lendo “O anti-lavajatismo é pró-Moro”
Pátria armada
O quadro escrito a giz em frente ao restaurante anunciava: “1 ano de churrasco grátis pra quem matar o João Doria Jr.”. Embora pareça coisa de bang-bang de quinta categoria, a oferta criminosa era real, feita pela Casa de La Parrilla, na Vila Mariana, bairro nobre da cidade de São Paulo. No mesmo dia, o presidente Jair Bolsonaro, esbanjando alegria após a semana de vitórias no Congresso, rebatia na tecla de armar a população: “A arma evita que um governante de plantão queira ser ditador”. Continue lendo “Pátria armada”
Bolsonaro nos mostra o espelho
Jair Bolsonaro, amante de ditaduras, ameaçou fechar o Congresso e o Supremo. Em troca, o Congresso submeteu-se a ele espontaneamente e pode nomear uma bolsonarista radical, golpista, à frente da mais importante comissão da Câmara. Continue lendo “Bolsonaro nos mostra o espelho”
A implosão do Centro e a ascensão do Centrão
A vitória do deputado Arthur Lira, do Partido Progressistas, representa uma mudança de eixo e de rumo na principal casa legislativa do país. Desde o fim da era Eduardo Cunha o chamado centro democrático é que passou a dar as cartas na Câmara Federal, tendo como núcleo principal o DEM em aliança com o MDB, PSDB e outros partidos menores. Continue lendo “A implosão do Centro e a ascensão do Centrão”
Zebras existem
Como boa parte dos parlamentares desdenha dos eleitores em nome do lucro fácil, o presidente Jair Bolsonaro deve sair vitorioso nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado. Animado, ele já dá o resultado a seu favor como certo, ainda que falte contar as favas, algo difícil em eleições secretas, por mais fartas que sejam as ofertas. Continue lendo “Zebras existem”
É a vacina, estúpido!
O presidente Jair Bolsonaro vive o pior momento de seu governo. Pior até que em maio do ano passado, quando combateu as medidas de isolamento social escudando-se no discurso de proteger a economia para salvar o emprego das pessoas. Era uma falácia, dada a impossibilidade de uma retomada da economia sustentada sem debelar a pandemia. Mas funcionou por algum tempo. Continue lendo “É a vacina, estúpido!”
Bolsonaro tenta ir à forra
Levado à lona por auto nocaute depois de inventar e alimentar cotidianamente a guerra da vacina que perdeu para o governador paulista João Doria, o presidente Jair Bolsonaro prepara sua volta ao ringue. E pretende fazê-lo de forma gloriosa, elegendo seus candidatos à presidência da Câmara e do Senado. Sem meias palavras, cada voto depositado no senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e no deputado Arthur Lira (PP-AL) terá o condão de redimir o pior presidente da República que o país já experimentou. Continue lendo “Bolsonaro tenta ir à forra”
New Deal 2.0
É como se o espírito de Franklin Roosevelt reencarnasse em Joe Biden. O novo presidente americano assume seu mandato hoje com um programa que é keynesianismo na veia. A exemplo do “New Deal”, que tirou os Estados Unidos da grande depressão dos anos 30, Biden pretende fazer frente à pandemia e à recessão econômica por meio da fórmula do economista britânico John Maynard Keynes: intervenção do Estado na economia por meio de um pacote de US$ 1,9 trilhão, expansão dos gastos públicos, foco na diminuição drástica do desemprego e na redução da desigualdade por meio de benefícios sociais. Continue lendo “New Deal 2.0”

