Uma noite no Soho

Hoje não vou ao cinema. Iria, se me prometessem que lá estavam Francis Bacon e Lucian Freud. Digo-vos quem são. São dois tipos que se revoltaram contra o futuro. Haverá quem diga que são ou eram dois pintores e eu, com a arrogância dos ignorantes, insisto: eram dois tipos sentados pantagruelicamente no presente. Comiam o presente, embebedavam-no e fodiam-no como quem respira, desvairado. Jogavam nas corridas, andavam à porrada, mergulhavam em champagne e caía-lhes o corpo exausto nas cavalariças, ao lado dos cavalos que tanto amavam. Continue lendo “Uma noite no Soho”

Programa de mentiras

O Brasil brilhava e agora está opaco. De rico passou a pobre. Era alegre e se entristeceu. E só Lula – aquele que se diz “lascado” depois de ser condenado a 9 anos e 6 meses por corrupção e lavagem de dinheiro – pode fazer o povo sorrir novamente. “Compartilhar a esperança” enquanto seus adversários “compartilham o ódio”. Continue lendo “Programa de mentiras”

Haverá quem possa desmafagafizar nosso ninho de mafagafos?

O Brasil enfrenta um momento curioso. Finalmente conseguimos empatar o maior trava-língua da língua portuguesa à nossa vida diária: ‘num ninho de mafagafos, seis mafagafinhos há; quem os desmafagafizar, bom desmafagafizador será”. Continue lendo “Haverá quem possa desmafagafizar nosso ninho de mafagafos?”

Cruzada moralista

Nestes tempos de anátema e de obscurantismo, constantemente a cultura e a educação têm sido alvo de uma cruzada retrógada. Os episódios se sucedem aos borbotões, dando conta de que estamos diante de algo muito mais extenso e profundo do que as exóticas “Senhoras de Santana” dos anos 80 ou dos estandartes medievais da antiga TFP – Tradição, Família e Propriedade. Continue lendo “Cruzada moralista”

Está melhorando (17)

Afundada na maior recessão da História durante os anos finais do governo lulo-petista, a economia brasileira dá sinais de recuperação, um ano e meio após Dilma Rousseff e seus Guido Mantega, Luciano Coutinho et caterva terem sido substituídos por uma equipe econômica de qualidade, chefiada por Henrique Meirelles. Continue lendo “Está melhorando (17)”

Quadrilha olímpica

A compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse os Jogos Olímpicos de 2016 não é novidade – foi detonada em Paris no início do ano. Tampouco o vício do ex-governador Sérgio Cabral pela corrupção ativa. O que espanta na prisão de Carlos Arthur Nuzman, suspenso temporariamente da presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é o fato de a questão ter se limitado ao noticiário esportivo. Continue lendo “Quadrilha olímpica”

“A ausência de limites é inimiga da Arte”, como disse Orson Welles

“Minha afirmação como artista explica que meu trabalho é totalmente incompreensível e, portanto, cheio de significados!”, escreveu  Bill Watterson, criador da genial tirinha “Calvin e Hobbes”. Continue lendo ““A ausência de limites é inimiga da Arte”, como disse Orson Welles”

O bibe

O fulgor do ouro cegou o século XXI. Olhem para as artes plásticas e vejam a ferocidade com que o dinheiro se arrogou o direito de ser o critério de beleza deste tempo. “Nada abaixo das cinquenta mil libras é arte”, avisou, irónico e humilhado, o crítico de arte Anthony Howell. Continue lendo “O bibe”

Está melhorando (16)

O Brasil, todo mundo sabe, não é um país simples, fácil de se compreender – mas nos últimos tempos anda batendo recordes. Segundo pesquisa recentíssima do Datafolha, 36% dos brasileiros votariam em Lula para presidente da República, e, segundo outra pesquisa recentíssima do mesmo Datafolha, 54% dos brasileiros querem Lula preso pelos diversos crimes que cometeu. Continue lendo “Está melhorando (16)”

Derrapadas supremas

É grave o imbróglio entre o Senado e o Supremo Tribunal Federal depois que a 1ª Turma afastou Aécio Neves (PSDB-MG) de suas funções legislativas, apreendeu seu passaporte e determinou seu recolhimento noturno – mas é só parte da crise. Ao se enveredar por trilhas heterodoxas, o STF, que deveria ser o guardião constitucional, juízo máximo e definitivo, abre-se para toda sorte de críticas, se enfraquece e, consequentemente, fragiliza o já bambo equilíbrio institucional do país. Continue lendo “Derrapadas supremas”

Medo

O Brasil deu errado, é a sensação que eu tenho. Às vezes penso se não seria melhor fechar tudo e recomeçar… Sei que esse pensamento é tosco, mas olhe em volta e veja se não concorda comigo. Continue lendo “Medo”