Eles também fazem o L

L de Lapada na extrema direita americana, que sequestrou o Partido Republicano e agora devolve os ossos roídos e moídos do que restava de decência no partido. 

L de lavada dos democratas, que tomaram a Câmara, o Senado e a maioria dos governos estaduais, elegendo governadoras de estado uma indígena, no Novo México, e uma negra, na Geórgia, pela primeira vez na história dos EUA. Deb Haaland, a primeira indígena, e Keisha Lance Bottoms, a primeira negra. Ambas trabalharam no primeiro e segundo escalão da Casa Branca no governo Joe Biden/Kamala Harris — o que dá ainda mais sabor às vitórias das duas. 

No Texas, republicano até a medula há décadas, outra mulher elegeu-se governadora, a democrata Gina Hinojosa. James Talarico, também democrata, ganhou a cadeira em disputa no Senado. De uma hora para outra o Texas virou democrata. Dos 36 estados em disputa, o Partido Democrata levou mais da metade: elegeu governadores em 22. 

L de luz no fim do túnel. De repente, a Casa Branca teve que avisar, oficialmente, que Trump ainda é o presidente dos Estados Unidos. Esqueceu de dizer que doravante será um pato manco — como eles dizem, um lame duck. Nem cafezinho quente lhe será servido.

L de Lula. O efeito estudantes/idosos/Janones unidos jamais serão vencidos mostrou aos gringos como se faz para ganhar uma eleição democrática e arrasadora. É o povo todo na rua, em busca dos votos que faltam para a grande vitória. 

O efeito disto para Lula e o Brasil é que, mesmo não tendo sido uma eleição presidencial, a vitória dos democratas resultará, primeiro, numa relação mais civilizada e respeitosa. O que não é pouco, tratando-se dos trogloditas ao redor do maior deles, Donald Trump. 

Segundo, teremos com certeza uma redução nas tarifas, não porque os democratas sejam bonzinhos, mas porque elas foram longe demais e o Congresso vai cortá-las. Junto com os altos custos da guerra do Irã e do envio de mísseis a Israel para dizimar os palestinos, as tarifas são responsáveis por mais inflação e falta de produtos nos EUA. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e de barriga cheia com a virada antifascista nas Américas. 

4/11/2026

     

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