A direita e a extrema direita brasileira têm ojeriza ao Bolsa Família, cujos fundamentos foram criados por Ruth Cardoso no governo de FHC e Lula ampliou enormemente logo no seu primeiro mandato, como parte de um programa maior ao qual deu o nome de Fome Zero. O sucesso conquistou o mundo. E as elites brasileiras não engoliram o feito.
Não é uma invenção brasileira. O programa existe em caráter permanente nos EUA desde 1964, por ato do então presidente Lyndon Johnson — lá se vão 62 anos! Mas o programa brasileiro é melhor que o americano, ao condicionar o benefício às famílias que mantiverem na escola seus filhos em idade escolar, com vacinas e boletins em dia.
Por que o ódio ao programa? Por ter sido criado nos governos FHC e Lula 1? Pode ser, já que em épocas diferentes quiseram matar os dois. Mas meu espanto é que o programa existe em muitos países e vai muito bem, obrigado, sendo um deles uma potência mundial muito mais rica que o Brasil.
O Bolsa Família nos EUA é para deixar os bolsonaristas de queixo no chão e raiva comendo os olhos. Começa por seu valor. Vai de US$ 1.500 a US$ 1.800, por mês! Se um bolsonarista estiver lendo estas bem traçadas, será que sabe o que é isso em reais? Se não sabe, eu faço a conta para ajudar: R$ 5,05 por dólar ao câmbio de hoje vezes 1.500 = R$ 7.575! Ou R$ 9.090 se o valor for de US$ 1.800! Tudo mensal, viu? E é só para alimentação, viu? Consiste num cartão de débito grátis emitido pelo governo somente para pagamento de alimentos. E é aceito em todo o comércio.
O Bolsa Família americano se chama, muito apropriadamente, SNAP, sigla para Supplemental Nutrition Assistance Program. Atende 42 milhões de pessoas de baixa renda. Um a cada 8 americanos usa o programa. Que perdura o tempo que for necessário para a família se sustentar sem ele. Como aqui, aliás.
E tem mais. A população de baixa renda que não tem dinheiro para pagar aluguel, mas quer morar numa casa decente e não num cortiço, recebe também uma Bolsa Aluguel. Sabem o valor? De 70% até 90% do aluguel cheio, variando conforme o tamanho da residência e os ganhos da família. Se o aluguel for de US$ 1.000, por exemplo, a família de mais baixa renda só vai gastar US$ 100 mensais pela moradia.
Os proprietários das casas batem palmas — eles recebem o valor do benefício diretamente do governo e podem fazer quantas casas quiserem e viver só de aluguel. Os corretores de imóveis batem palmas junto. E as construtoras riem de orelha a orelha porque podem contar com um mercado gigantesco que lhes garante lucros que nunca param de entrar em seus cofres, gerando mais empregos e renda no país.
Há outros programas para a população de baixa renda nos EUA, como o Medicaid (o SUS de lá) e o TANF (Temporary Assistance for Needy Families), destinado a famílias com crianças para criar.
Importante notar que ninguém nos EUA considera esses programas um desperdício de dinheiro público despendido com vagabundos que não querem trabalhar — como diz a oposição aqui. Pelo contrário, lá é visto como um investimento para fazer girar a economia: quanto mais dinheiro circulando, melhor para todos. O comércio fatura mais, emprega mais; a indústria produz mais e mais empregos são gerados.
É assim, gente, que as coisas funcionam. Não é como a cabeça pensante (?) da equipe econômica do candidato bolsonarista quer. Em entrevista dias atrás, ela se saiu com essa: é contra o Bolsa Família e também as aposentadorias porque estão quebrando o Brasil!!!
Sugiro que a respeitável senhora, que não vou chamar de energúmena para não destratá-la, faça uma visita ao Google e se informe. É rápido e não custa nada. Se quiser, fale com um gringo esclarecido sobre mais detalhes e o valor da população trabalhadora de baixa renda na construção de uma verdadeira nação.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e chocado com a miopia de certos(as) economistas de meia tigela sobre como as coisas funcionam na… economia.
22/10/2026
Em tempo: 1) o valor mínimo do Bolsa Família no Brasil é de R$ 691 e a média dos valores pagos às famílias é de aproximadamente R$ 780. Em números individuais, atende 49 milhões de pessoas. 2) A rede de supermercados Açaí, uma das maiores do país, acaba de informar que o movimento de vendas aumentou 40% após LULALÁ acabar com as bets no Brasil. As bets estavam comendo o Bolsa Família, as aposentadorias e os salários da população de baixa e média renda. E os de alta renda, não todos, evidentemente, usavam as apostas para lavar dinheiro em volumes estratosféricos.
