Aconteceu na sala de imprensa

Ora, um rosto jovem onde só havia profissionais tarimbados? O lugar era a Sala de Imprensa da Central de Polícia, no centro da cidade, em São Paulo. Boa escola para quem ingressara havia pouco no jornalismo. E assim que o recém-chegado começou a botar as asinhas de fora, como se dizia, redigindo textos mais longos, os colegas se espantaram.

“Este rapaz tem a volúpia das laudas”, disse um quando o novato se alongava batendo nas teclas da máquina de escrever (nem se sonhava com laptop). Mas também sabiam ser amáveis. “Senhores, acaba de entrar nessa sala a mais grata revelação da reportagem policial.” E seguia-se a batuqueira das máquinas de escrever…

Então, certo dia, o novato telefonou. Não iria ao trabalho porque seu filho havia nascido. Fato encarado aparentemente como normal pelos colegas, não pode vir não veio. O pessoal que cobre polícia não tinha tempo nem clima para cortesias… No entanto, no dia seguinte, assim que chegou o faltoso notou que havia sobre sua mesa embrulhos e bilhetinhos. O que seria aquilo?

Os bilhetes traziam desejos de uma vida feliz para o recém-nascido, assinados por essa gente de sangue que afinal não era frio. Quanto aos embrulhos tratava-se de amáveis presentinhos mandados por suas esposas. A Sala de Imprensa da Central de Polícia transfigurava-se, naquele momento, em um lugar como tantos outros…

Essas lembranças me acometeram agora pelo fato de que o bebê em questão está fazendo anos. Sim, Paulo Rogério completa 59 anos. E tem irmãos. Danilo, mais novo, e a caçula Mônica. Todos vão muito bem, obrigado. Se falarem em máquina de escrever são capazes de perguntar “o que é isso?”

Este texto foi originalmente publicado no blog Vivendo e Escrevendo, em 16/6/2026.

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