Sabatina

Como gosto de fazer umas continhas de vez em quando, calculei o acumulado do PIB brasileiro nos mandatos Lula, Dilma, Temer e Jair. Continha de porcentagem. Não sei se sabem fazer, mas é só reduzir à unidade o percentual de cada ano e ir multiplicando um pelo outro. Quando o PIB de um ano for negativo, divida  em vez de multiplicar. Os contadores sabem fazer isso dormindo. Os economistas não chegam a tanto, razão pela qual meu professor de lógica matemática dizia que seriam os primeiros a ir para o paredão de fuzilamento num eventual governo dele. 

Pois bem. Lula em seus dois primeiros mandatos rendeu para o país um PIB acumulado de 37,48%. Isto apesar da brabíssima crise bancária mundial das subprimes no fim de 2008, que fez o Brasil ter um PIB anual negativo de -0,1% em 2009, penúltimo ano de seu segundo mandato. No ano seguinte, o PIB  cresceu 7,5%, fazendo Lula se despedir do governo com um recorde histórico. 

Dilma teve 2,06% de crescimento nos seus dois mandatos, o segundo interrompido pelo impeachment da direita e extrema direita em 2016. No seu primeiro mandato, emplacou 9,7%. Os golpistas, com Eduardo Cunha à frente e Michel Temer atrás dos panos, detonaram o PIB para -6,91% negativos no acumulado de 2015-2016. Os brasileiros devem o descalabro a esses dois e ao MBL nas ruas desde 2013, por conta de aumento nas passagens de ônibus em São Paulo — absolutamente nada a ver com o governo federal. 

No medíocre e corrupto governo Temer, o PIB acumulou crescimento de 3,12%, no período 2017-2018. 

Em 2019 veio o também golpista Jair e o PIB acumulou pífios 5,74% até 2022. Se descontarmos o ano da pandemia, 2020, quando o país teve crescimento negativo de -3,3% porque o ora presidiário, entre motociatas e motonáuticas, não sabia o que fazer nem para onde ir, o PIB cresceu míseros 1,2% no primeiro ano dele, 4,8% no terceiro e 3% no quarto, acumulando nesses três anos 9,23%. Menos do que a guerrilheira Dilma no seu primeiro mandato.  Menos do que Lula nos primeiros três anos de seu primeiro mandato (10,38%) e menos do que nos três últimos anos desse mesmo mandato (13,55%). 

Entrevistar Lula sem saber ou não dar importância a esses números é o mesmo que fez uma jovem repórter de O Globo, recém chegada de um curso em Harvard, ao entrevistar José Lewgoy, em 1987, e perguntar-lhe se já tinha feito filmes antes. Ele fazia cinema desde 1950. Só naquele ano, já a caminho do fim da carreira (2003), fez dois, daí por que virou pauta e destacaram a mocinha. Depois, Lewgoy ligou para a Redação do jornal botando fogo pelas ventas. 

Lula não esperou, respondeu na lata a Renata e Tralli, do JN, que se o assunto é o crescimento do PIB, o campeão é ele. Poderia ter argumentado melhor na questão do déficit fiscal, lembrando que a maioria dos países do G7 deve mais que o PIB, alguns muito mais. O Japão deve 249%; Itália, 137%; EUA, 123%, sem contar ainda o desastre trumpista deste ano; França, 116%; China, 99%; Brasil, 81,9%; Alemanha, 63,5%; etc. 

Dívida não é pecado. Pecado é cobrar o que os rentistas do mercado financeiro cobram do governo — um pagador exemplar — quando lhe emprestam dinheiro. Recordo que nenhum governo, em toda a história da terra tupiniquim, deu calote na dívida. Salvo D. João VI, que foi embora para Portugal levando todo o caixa do Banco do Brasil no seu navio. A monarquia, que a direita e a extrema direita sonham restabelecer, não é tão edificante quanto acreditam os sonhadores. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado preparando-se para votar em mais uma eleição que as elites do capital tupiniquim esperam vencer com um meliante na cabeça da chapa. 

28/8/2026

     

     

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