Na minha bolsa de apostas favorita — que não é uma Beth qualquer — o tal de 01 está em baixa desbragada na facção bolsonarista, enquanto Micheque, a madrasta santinha, está em alta disparada em outra facção do mesmo grupo.
É que as facções quebraram o pau. O 01 perdeu a mulherada que ele pensava que ia ter entre as evangélicas, e a Micheque perdeu até o sobrenome: agora é Firmo, e não mais o do maridão siderado. E é a chefe das Imparáveis M, que vêm a ser as Imparáveis da Micheque, como ela mesma já explicou, uma coisa que, não sei por quê, me faz lembrar das Frenéticas, que me faziam rir e brincar a bandeiras despregadas nos anos 70.
Culpa de quem? Do neto do Figueiredo, aquele que não gostava de cheiro de povo, e agora meio que reedita o avô dizendo que não gosta do voto de mulher solteira porque elas não sabem votar. A casada ainda vá, porque vota no candidato do marido.
Isto caiu como uma bomba de 1 megaton na facção do 01. E não ficou por aí, porque o neto tinha mais a dizer. Expelindo perdigotos no laptop em cima da mesa, o sujeito arrematou, ameaçador: “E podem arrancar os pentelhos nas calcinhas as que não gostaram do que ouviram”.
A vileza caiu com estrondo no meio da mulherada, que soma mais de 50% do eleitorado. E a porção evangélica não só arrancou os pentelhos como os votos que ia dar para o repaginado bonitinho 01.
O arremate foi uma bomba não de 1 mas de 10 megatons.
E enquanto o 01 vira pó, a Micheque, agora Micheque Firmo — que já havia dado uma paulada no 01 antes, também num vídeo, coisa que virou moda graças ao FHC, que uma vez quiseram fuzilar —, decola nas paradas fazendo-se de mais santinha ainda, porque docemente ofendida com o machismo do enteado. Como se já não conhecesse essa “virtude” transmitida de pai para filho dentro da gangue, que ela adotou como sua também.
O vídeo da sra Firmo teve requintes de produção que o do neto do Figueiredo não teve. Isto me leva a crer que o dela teve muito planejamento, não foi uma coisa do fígado ou do intestino saindo pela boca. Pelo contrário, a sra Firmo teve desempenho nota 10, falando calmamente e sem nenhum erro gramatical nem palavras xulas, como é do gosto da familícia. A xulanização do discurso, se me permitem o qualificativo, só ocorre quando torce os beiços para falar do Ciro Gomes, motivo do seu chilique no Ceará.
Eu também acho que o bolsonarismo ir para baixo dos lençóis do Ciro, e vice-versa, é muito para os meus miolos e partes íntimas. Eu tive um amigo jornalista, já falecido, que virou dono de jornal e dizia: “Agora não sou mais jornalista, agora sou corrupto”. Acontece a mesma coisa com certas facções políticas no país. O santinho se elege em nome de Deus e vira o diabo em pessoa na cadeira parlamentar.
Mas, enfim, a sra Firmo estava ali a discursar para se distinguir, não para falar em nome da quadrilha. Teria ficado perfeito se não tivesse repetido à exaustão os vocábulos marido e galego, para se referir ao conje, no dizer do ex-juiz Sérgio M. Isto me cheirou a coisa encomendada pelo chefe do clã, que é doido bastante para enterrar o primogênito no cemitério e botar a madrasta no lugar.
Se é isso, a decolagem da sra Firmo, nesta altura do campeonato, repetiria os antigos espetáculos macabros das explosões de naves espaciais tripuladas da Nasa — uma segundos após a decolagem e a outra a minutos da amerissagem.
om a diferença de que, aqui, entre mortos e feridos se salvarão todos, para repetir a farsa em 2030.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e ainda cheio de esperanças na força da democracia e da sensatez.
Em tempo, o sobrenome Firmo vem agora à superfície por meio de quem? Do tal neto do Figueiredo, para documentar, na facção deles, que lugar de mulher é na cozinha e não na política.
