Ladrões!

Dias assim, “enchuvarados”, pedem um belo filme ou um bom livro no meio da tarde, acompanhados, de preferência, de bolinho de chuva e café.
Como optei por ouvir as ondas do mar raivoso e as gotas de chuva batendo na janela, fui pegar na estante um Maurice Leblanc para me deliciar com as peripécias do seu personagem famoso: Arsène Lupin.

Esse ladrão cavalheiro, astuto, simpático, talentoso, elegante, expert na prática do disfarce e de mudar de identidade para cometer seus delitos, nos faz voltar no tempo, mais precisamente para a Belle Époque, que começou lá pelos idos de mil oitocentos e bolinha, marcou a história da França e se espalhou pela Europa.

Lupin, um personagem fictício, ficou famoso nas páginas escritas por Leblanc.
Mas na vida real alguns ladrões de carne e osso também tiveram seus dias de glória no mundo e até hoje são lembrados em filmes ou em livros.

A dupla Bonnie and Clyde, que tacou terror no centro dos Estados Unidos, assaltando bancos e pequenas lojas, ficou conhecida mundialmente, principalmente depois que Faye Dunaway e Warren Beatty emprestaram suas caras a eles no cinema.

Leonardo Notarbartolo será sempre lembrado pelo “Roubo do Século”, quando em 2003 conseguiu levar mais de 100 milhões em joias e pedras preciosas do Centro de Diamantes de Antuérpia, na Bélgica.

Aqui no Brasil, um bem manjado era Gino Meneghetti , o “gato do telhado”. De 1920 a 1970, Gino “trabalhou” em São Paulo, invadindo mansões e joalherias pelos telhados – daí o apelido. Também ganhou a fama de “Robin Hood”, porque só roubava os bambambãs cheios de grana.

Na política também tivemos muitos ladrões famosos que ganharam títulos como o de “rouba mas faz”. Teve também os que foram pegos com dinheiro na cueca, os que usavam como tapete de sala, malas e mais malas de dinheiro, os que arrombaram os cofres de estatais e de órgãos governamentais, Enfim…se fosse mencionar todos, daria um livro do tamanho da obra de Dante Alighieri, A Divina Comédia – porém, com apenas duas partes: O Inferno e o Purgatório (e olhe lá). O Paraíso só seria escrito depois que todos esses bandidos fossem varridos do mapa.

Mas, infelizmente, ladrões não são varridos. Pelo contrário, parecem proliferar como erva daninha.

Só que, hoje em dia, sem o glamour de um Lupin ou a esperteza de alguns desses famosos. Hoje roubam na cara dura, sem método e sem pudor. Nesse quesito, chegamos a um ponto em que bandido rouba bandido. Um bandido pega dinheiro de investidores que vão sofrer um golpe e o outro bandido oportunista aproveita pra tirar o dinheiro sujo dele.

Será que esse ladrão que está extorquindo o outro ladrão espera ter cem anos de perdão?

Pra continuar a rima, espero que não. Que sejam levados para a mesma prisão.

E eu vou é voltar ao meu Arsène Lupin, que é muito mais divertido e, melhor ainda, com a certeza de que ele não tem nenhuma chance de ser presidente do meu país.

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 22/5/2026. 

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