Mídia

Fazia tempo que não se via a grande mídia tão alinhada com a extrema direita como agora. Com a  rara exceção da Última Hora de Samuel Wainer, de centro-esquerda, nos anos 50 e começo dos 60 do século passado, a imprensa brasileira sempre foi de direita. Mas raramente, só em 1964, de extrema direita. 

Hoje, está toda na extrema direita. O que aconteceu? Onde ficaram as liberdades e a democracia, arduamente reconquistadas após a ditadura e apoiadas pela grande imprensa nos anos 80/90 do século passado? 

Onde os direitos sociais, também vistos com olhos tolerantes pela direita centrista, porque atenuavam pressões por ela consideradas “indesejáveis” na sociedade? 

E os programas que procuraram reduzir o fosso que separa ricos e pobres, também visto como negativo para o crescimento econômico e os bons negócios por essa mesma facção majoritária detentora dos meios de comunicação? 

De repente, a grande mídia retrocede quase um século e veste a camisa verde do integralismo de Plínio Salgado, que se julgava sepultada junto com o fascismo e o nazismo que levaram à Segunda Guerra Mundial.

Por quê?

O governo que estabiliza a economia após o descalabro do desgoverno anterior não presta? O governo que isenta 100% do imposto de renda os salários até R$ 5 mil e parcialmente os desse valor até R$ 7 mil, injetando mais dinheiro no consumo para movimentar a economia, também não presta? O aumento do salário mínimo ligeiramente acima da inflação, com o mesmo objetivo de reativar a economia, também é o fim da picada? 

Querem de volta a política dos calotes da dupla Guedes/Bolsonaro para fazer equilíbrio fiscal fake

Será que foi a bandalheira do caso Master, descoberta pelo Banco Central na gestão Galípolo/Lula e criada na anterior, de Campos Neto/Bolsonaro, que desestabilizou a grande mídia? É o que parece, pois há muito tempo não se via, desde o atentando no Riocentro, os culpados virarem heróis e ganharem medalhas — um vivo e o outro no cemitério. 

Hoje, a torcida da grande mídia era para o STF soltar o chefe da gangue do banco Master. Há dias que editoriais e colunistas vinham dizendo que Gilmar Mendes e Kassio com K podiam empatar o jogo e soltar o cabra. Deu zebra: a segunda turma, dos bolsonaristas Kassio, Mendonça e Fux, manteve hoje a prisão do capo das Minas Gerais em penitenciária federal de segurança máxima. Faltou o Gilmar, mas o voto dele não fará falta. 

Amanhã vou ler os comentários das e dos colunistas mais notáveis para ver o que dizem, mas já me adianto numa coisa. Manter o capo em isolamento total, numa solitária de luxo, dentro de uma penitenciária como aquela, não é para fazer justiça, porque nem processo tem ainda. 

É para que ele não tenha com quem falar. Porque se abrir a boca, toda a mídia e toda a direita vêm abaixo. 

Nelson Merlin é jornalista aposentado e burro velho em matéria de política nacional.

13/3/2026

     

2 Comentários para “Mídia”

  1. Será que errei? Não me detive em nenhum editorial ou colunista específico, mas escrevi para dizer que Volcaro preso é o melhor dos mundos para a direita e a mídia que a apoia. Porque em cela isolada de penitenciária de segurança máxima, preso não fala com ninguém. O medo de que ele fale estremece Brasília e o país. Então, que fique preso, homessa!

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