Com o marido preso e cheio de nó nas tripas, Micheque resolveu tomar a frente dos negócios da famiglia. Está visivelmente contrariada com ele e os filhos dele, todos em busca de um lugar ao sol nas tetas do estado brasileiro. Não que ela também não esteja, mas é que a ordem dos fatores, neste caso, altera e muito o produto final.
E a ordem deveria ter começado por ela. Micheque meteu na cabeça, e de lá ninguém tira, que ela é que deveria ter sido escolhida a sucessora do espólio político do marido. Nem que depois, num ato de sublime amor e paixão, entregasse a rapadura ao queridinho do ex-capitão, cada vez mais perto de ser um João ninguém pelo STM. Foi escanteada pelo ingrato e ficou uma cobra.
Mas não se dá por vencida. Sempre que tem uma oportunidade, marca posição ao lado de Tarcínico, de quem aceitava até ser vice, e esnoba o 01 do marido. E agora que Tarcínico engatou marcha a ré de volta para o Bandeirantes, convencido de que seu padrinho o abandonou, Micheque prepara seu plano B diabólico.
Minha bola de cristal acendeu-se do nada e cravou: Micheque quer ser cabeça de chapa, com Damares Alves de vice! Sim, duas evangélicas da gema — porque uma é pouco —, pra nenhuma outra botar defeito. Para o Senado, a catarina Carolina de Toni, ficando a segunda vaga para a brasiliana Bia Kicis. Eu preferia que, em vez da Kicis, fosse uma estrela ascendente do Nordeste, se o negócio é pegar Lula pelo pé. Mas gosto é gosto e não se discute. Faltava só essa para fechar o novo Clube da Luluzinha.
Para isso, Micheque tem que passar o trator no Valdemar Costa Neto, mas isso é o de menos. Primeiro tem que tratorar o novo inquilino da Papudinha, dando um dá ou desce no ex-Imbrochável.
Minha bola de cristal sugere que a PM reforce a segurança no estabelecimento quando ela aparecer por lá, porque o pau vai comer.
Micheque não está para brincadeiras. A mosca azul mordeu a orelha dela e agora ninguém segura. Quanto mais o tempo passa, já estamos em fevereiro, menos tempo tem pela frente. Se não der tudo certo, minha bolinha diz que ela vai largar o PL na esquina.
Rápida no gatilho, a Carol fez isso ontem mesmo, ao ser oficialmente chutada do campinho pelo Valdemar em favor do Carluxo ao Senado em Santa Catarina, por ordem emanada da Papudinha. Ela vai para baixo do guarda-chuva do Kassab, onde parece que sempre cabe mais um. Mas minha bolinha tem certeza de que ela volta se a Micheque der a volta no Valdemar. Esse está agora numa sinuca de bico: ou fica chupando o dedo com o 01 das trombadinhas, quero dizer, das rachadinhas e chocolatarias, com alto grau de rejeição, ou sai de braço dado com a nova chef do único sobrenome capaz de concorrer com Lula.
Se ganhar, vou para o Tibete. Com passagem só de ida.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e em busca de um emprego na casa da cigana Sara Zaade.
5/2/2026
