Vá Pro Raio Que o Parta

Por causa de acontecimentos recentes envolvendo políticos brasileiros, esse velho ditado veio à tona na semana passada e foi amplamente compartilhado nas redes sociais. Falou-se tanto a respeito que resolvi me aprofundar no assunto e recebi as seguintes informações fornecidas pela IA:
“Vá para o raio que o parta” é uma expressão popular brasileira que denota forte raiva, indignação ou desejo de que alguém vá para muito longe, equivalente ao “vá para o inferno” ou “suma daqui”.

No Pará, onde nasceu a expressão, “raio que o parta” se refere às fachadas de casas com azulejos coloridos em formas geométricas. Surgiu nas décadas de 1950 e 1960, representando uma forma popular do modernismo e hoje é reconhecida como patrimônio cultural, embora tenda a desaparecer.

Já em São Paulo, Raio que o Parta virou nome de um bar na Barra Funda que, desde o ano passado, quando foi inaugurado, oferece drinks e gastronomia aos frequentadores.

Mas o que tudo isso tem a ver com política?

Tirando as informações sobre os azulejos e o bar, teve muito a ver com a palhaçada arquitetada pelo deputado bolsonarista Nikolas Ferreira.
Pra se autopromover, ou pra puxar o saco do ex-presidente, ou, segundo as más línguas, para desviar o foco caso venha à tona uma suposta relação sua com o Banco Master e o PCC (apenas relato o que ouvi, sem afirmar nada), resolveu sair de Minas Gerais e fazer uma caminhada de 255 quilômetros até Brasília, “pela liberdade”. Pelo caminho, foi arrebanhando mais políticos puxa-sacos e o gado itinerante que defende com unhas e dentes a inocência de todos os presos do 8 de janeiro. (Juro que já ouvi de uma fanática de porta de quartel que era descabida a prisão de uma mulher só porque escreveu uma frase com batom na estátua A Justiça, que fica em frente ao STF: “Absurdo! Era só passar um paninho”.)

Esse movimento, além de inútil (Nikolas, vulgo Chupetinha, achou mesmo que essa caminhada salvaria seu Messias?), culminou numa quase tragédia.

Na chegada a Brasília, um raio atingiu os presentes, e mais de 80 pessoas precisaram ser socorridas. Uma delas declara que ainda tem sequelas. É o caso da advogada Taniele Telles, que defende os golpistas do 8 de janeiro, inclusive a Débora do Batom. Relatou nas redes sociais que sentiu uma forte dor após a descarga elétrica, como se fosse um tiro, e que foi arremessada para longe. “Estou com um certo atraso para falar. Normalmente estou ligada no 220 volts. Então, às vezes vou falar alguma coisa, eu fico pensando, pensando… É como se fosse uma dificuldade cognitiva mesmo.” Ela atribui isso ao raio.

Quando falou da sua intenção de peregrinar por aí, muitos opositores do deputado Nikolas, de seu partido e os indignados em geral com esse circo montado por ele devem ter soltado um “ah, vá para o raio que o parta”.

Não imaginavam, porém, que a expressão se materializaria. Se soubessem, creio que os mais irados teriam dito “Vai pro Diabo que te carregue”.

E eu, com a esperança da materialização de um desejo, acrescentaria outra expressão popular: “Vai trabalhar, vagabundo”.

Quem sabe, né?

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