Uma pitadinha de humor na pré-campanha eleitoral de 2026 não faz mal a ninguém. É o que passou pelos pensamentos de Gilberto Kassab, o cacique da taba do PDS. Apesar do calorão mais tórrido das últimas décadas, não é que ele acabou de arrumar mais um pré-candidato para se juntar aos dois que já tinha? E agora que tem três, diz que não vai deixar nenhum deles descer o sarrafo em Lula, favorito disparado ao quarto mandato. É para dar risada.
Claro, Kassab pode ser tudo menos burro. Ele tem três ministros no governo Lula e quer estar em paz, muita paz, com ele quando se sentarem para negociar os apoios no Congresso ao seu quarto mandato.
Mas vai ser engraçado se o escolhido do PSD for Caiado. Dá pra imaginar o ex-doutor ortopedista mordendo a língua diante do ex-metalúrgico em debates sobre segurança pública, o único ponto fraco do atual governo, já que o patamar de juros da Selic é atribuição exclusiva do Banco Central independente? Será que ele topa?
Kassab, tá na cara, gostaria de ter um Tarcínico para chamar de seu, mas o figurino do ex-capitão carioca não cola no Ratinho Jr e no Eduardo Leite. E o Tarcínico, por mais burro que seja, não trocaria o Republicanos pelo PSD para fazer mesuras a Lula e descer o sarrafo no 01 do mais recente inquilino da Papudinha, a quem deve as calças e a alma.
Mas como tudo é possível no caldeirão desta república, pode-se imaginar Tarcínico e mais três se pegando a tapas no PSD para ser o escolhido de Kassab a caminho do cadafalso?
Não. Minha bola de cristal não chega a tanto. Ela me diz que o caminho mais à mão para Leite e Ratinho é correrem para o Senado, deixando ao Caiado o abacaxi de enfrentar Lula e o 01, já que está tão a fim. Por isso, arrisco, o Kassab abriu em tempo recorde as portas do PSD para o goiano, que estava meio perdido depois de romper com o União Brasil.
Sobre o 01, vi que ele foi mergulhar outra vez nas águas rasas do rio Jordão. É seu segundo batizado no famoso córrego, dando a entender que o primeiro não funcionou. Temo que este segundo também vai dar xabu. Nem o Valdemar está fazendo fé na pré-candidatura do novo messias. Se ainda fosse a Micheque, vá lá. Não sei se ela já mergulhou por lá. Se o fez, perdi a cena. Mas estaria mais de acordo com o perfil da evangélica do que com o do especialista em rachadinhas e chocolatarias.
Se bem que Micheque ainda tem muito que explicar ao eleitorado brasileiro sobre os chequinhos que pousaram em sua conta nos tempos em que o Queiroz era o faz-tudo da família.
Não vale dizer que o maridão hoje confinado na Papudinha não tinha tempo de ir ao banco depositar os cheques. Para isso existia o atribulado Queiroz, hoje mais sumido que cusco (cachorrinho de rua, no gauchês) em procissão. Ou mesmo ela, que na época, ao que se sabe, nada fazia.
Limpos de tudo os dois não são. Pobre rio Jordão.
Nelson Merlin é jornalista aposentado há anos e comentarista político nas horas vagas.
29/1/2026
