O futuro da Venezuela

A ditadura chavista continua onde sempre esteve, só que agora com o apoio de Trump.

Maduro não foi derrubado por ser um ditador, até porque Trump não tem nenhuma simpatia pela democracia.

Ele caiu por ser um ditador incômodo, que não permitia exploração das reservas de petróleo venezuelanas pelas companhias americanas.

E também por manter relações muito próximas com a Rússia e, principalmente, com a China, potência econômica interessada em se estabelecer na América Latina, território que Trump considera o seu quintal.

(Nota do administrador: Este texto foi escrito por Luiz Carlos Toledo Pereira para atender a uma questão feita ao site Quora.com, que responde a todo tipo de pergunta – da mais séria e relevante até às mais cretinas, absurdas. A pergunta a que Luiz Carlos se deu ao trabalho de responder era: “Agora que a Venezuela vai sair da ditadura, está na hora dos venezuelanos (sic) voltarem pro seu país e parar de sugar nosso estado?” S.V.)

O curioso é que Maduro, mesmo tendo a China como grande importadora, foi o único governante na história a ser incompetente o suficiente para conseguir quebrar um país e uma petroleira, a PDVSA, que têm à sua disposição as maiores reservas de petróleo do mundo.

O desastre da PDVSA fez o Brasil, com muito menos petróleo, se tornar hoje o maior produtor da América Latina.

Já a atual presidente, Delcy Rodriguez, que foi eleita vice de Maduro em eleições consideradas fraudadas, demonstrou sede de poder suficiente para entrar em acordo com o agressor Trump: cedeu todo o petróleo do país em troca da manutenção da ditadura chavista no poder, sob liderança dela e do irmão Jorge Rodriguez, presidente da Assembléia Nacional.

E o que realmente interessa a Trump é recuperar a capacidade de produção de petróleo no país, afastar a China, e se apoderar das reservas de 303 bilhões de barris.

Pouco importa se o chavismo continue no poder, desde que subserviente. Trump sempre manteve boas relações com diversas ditaduras amigas, como as monarquias árabes produtoras de petróleo.

Por outro lado, vem ameaçando bombardear, invadir ou anexar países democráticos como Canadá, México, Colômbia e também a Groenlândia, região autônoma dinamarquesa.

Em nenhum momento ele falou em eleições ou volta da democracia. O regime venezuelano continua perseguindo e prendendo opositores, jornalistas e censurando a imprensa.

As milícias de motoqueiros chavistas continuam espancando quem ousar fazer manifestações pedindo democracia. Continuam faltando comida e remédios para a população.

O efeito colateral da ação imperialista de Trump na Venezuela vai repercutir muito além da América Latina: o bombardeio e o sequestro de Maduro praticamente autorizam a China a invadir Taiwan. E a Rússia a tomar totalmente a Ucrânia e outras nações vizinhas.

Vladimir Putin, ex-agente da KGB, nunca se conformou muito com o desmembramento do território da antiga URSS.

Ainda está na memória das ex-repúblicas soviéticas que o ditador russo já mandou invadir e anexar outros pequenos países vizinhos, inclusive ordenando a destruição total da cidade de Grosny, na Chechênia. Invadiu também a Georgia, que perdeu as regiões da Abcássia e Ossétia.

Outra obra de Trump está sendo implodir a OTAN, criada para proteger a Europa na época do temido expansionismo soviético e, hoje, da ameaça do urso russo.

Incrivelmente, o presidente do país líder da OTAN resolveu agora atacar a própria OTAN. Ao anunciar que vai anexar à força o território da Groenlândia – pertencente à Dinamarca, um membro da OTAN – Trump está forçando a Europa a optar entre duas péssimas escolhas: se submeter totalmente às vontades do novo ditador do mundo, ou abandonar a OTAN e se virar sozinha contra Putin.

Voltando à Venezuela: caso a ditadura Trump/Delcy se consolide, não seria surpresa um aumento bem problemático do fluxo de refugiados na nossa fronteira.

Porém, negar abrigo a refugiados, pessoas perseguidas e famintas, como proposto na pergunta, é mais uma demonstração do lado extremamente nojento de alguns seres humanos que habitam este planeta.

Janeiro de 2026

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