Nos dias de hoje, o noticiário vai rolando como o globo, flanando como folha, em muito bom estado. Tudo fácil, digitado no laptop. Na época em que havia notícias populares, batidas em folhas de papel, na máquina de escrever, é que era difícil.
Errou uma palavra? Não se apertava a tecla contumaz, o delete, como hoje. Rabiscava-se a errada com uma big caneta, e escrevia-se a certa, o que ficava com ares de rascunho. É verdade que havia um escape para aqueles momentos em que nada dá certo. Amassar a lauda e jogá-la no lixo, eventualmente com uma imprecação de baixo calão. E começar tudo de novo.
Esse zelo seria dispensável se o, a, repórter estivesse em um quarto de hotel de algum fim de mundo. Pois o texto, com a rabisqueira que tivesse, seria lido ao telefone para a cabine. Esta era uma saleta do jornal, onde um funcionário de muita boa vontade passava para as laudas o que ouvia.
Em locais em que não havia nem mesmo telefone interurbano (ou se havia era precário), levava-se um equipamento de rádio e o funcionário para operá-lo. E as fotos? Ia um laboratório que cabia no banco de trás de um Fusca (viatura de reportagem comum na época). Nele, num quarto de hotel, o fotógrafo revelava e copiava as fotos e transmitia telefotos por um precursor do laptop.
Como? Repeti de novo estas histórias? É que estava sem assunto… Ou iam querer mais um texto sobre Bolsonaro?
Este texto foi publicado no blog Vivendo e Escrevendo, em 11/9/2025.
