Tempestade

Alarmada com um som de tempestade, Gláucia abre a janela da sala de casa, que dá para uma praça, e se choca com o que vê. Uma mulher, com uma criança, busca abrigo sob uma árvore, que não as protege de nada. Gláucia abre a porta da sala e começa a chamar por elas, mas à toa. Não conseguem ouvi-la. Corre para a cozinha, pega duas tampas de panela, volta à porta e bate uma na outra com toda força. O som atraí a mamãe. Ela vê a porta aberta, com a mulher que a chama. Pega a menina pela mão, e corre. Na porta da sala, vacila. “Vamos molhar tudo”. E é puxada para dentro.

“Esperem um momento”, diz Gláucia. Volta com roupas e duas toalhas. Aponta para o banheiro. Em pouco tempo, a menina Beth está bem sequinha, e com um pijama de Carlinhos, filho de Gláucia. Ora, cai-lhe bem, porque têm a mesma altura. E Sílvia, a mamãe? Um roupão bem grosso e aconchegante da anfitriã.

Segundo movimento. Todos para a cozinha. Chocolate bem quente com biscoitos não faz mal a ninguém. Lá fora, nada mudou. Muita água. O telefone de Sílvia toca. É o marido preocupado: “Vocês estão bem?”. Resposta: “Muito bem! Tomando um chocolate quentinho, com roupas sequinhas, na casa de uma senhora de bom coração.”

“Como!!!?”. Explicado tudo o que aconteceu, o marido se desespera. Vai ter uma reunião de chefia, não pode ir buscá-las agora. A dona da casa percebe a situação e pede para falar com ele. “Meu senhor, nem pense em vir aqui em casa perturbar nosso bom momento de lazer. Faz tempo que não recebo visitas, estamos conversando muito felizes”.

“Como? A menina? Está jogando uns jogos que comprei para meu filho e ele nunca teve com quem jogar. Se há males que vêm para bem, essa tempestade está inteiramente no caso.”

]O tempo passa. As crianças crescem. Abençoada tempestade que acabou em casamento.

Este conto foi originalmente publicado no blog Vivendo e Escrevendo, em 15/12/2025 . 

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