Como sabemos, contramão é ir na direção contrária ao que vem à nossa frente. Mas… quem conhece a força de uma saudade? Retirem os mais jovens da sala. O idoso tem a declarar uma revolução. Está farto do laptop, de tantos recursos, corpos de letra, layouts…
A velha e boa máquina de escrever está de volta, entronada em minha mesa de trabalho. Peça grande, de ferro, do tempo em que não existiam as portáteis. Sua origem, marcada em letras gastas: Casa Pratt Agentes Geraes.
Batucar o teclado de ferro produz uma sinfonia estimulante de forte sonoridade. Deleite do qual não compartilha o pessoal aqui de casa. Estão falando em usar tapa ouvidos quando eu começo a trabalhar.
Tem uns probleminhas, é claro. Errou uma palavra, um acento? Não há como consertar. O troço está lá escrito, tinta sobre papel. Outro fato, óbvio: também não é possível escolher corpo das letras; é só um e estamos conversados.
Novidades do segundo dia de batalha. Tudo bem, maravilha… Só que não! Cansei! Estou andando em uma carroça! Quebrando a cara! Ensurdecendo a família! Caí fora. E veio a salvação. A volta do laptop, elegante, tão rico em recursos, amável, silencioso… precioso!
Só uma pessoa que mora conosco se aborreceu com a mudança. Meu avô Jeremias, que é quase surdo.
(Quem se der ao trabalho de ir ao Facebook verá junto ao meu nome, não minha foto, mas a da máquina em questão, colocada ali desde sempre.)
Esta crônica foi originalmente publicada no blog Vivendo e Escrevendo, em 22/11/2025

