Alguém notou no noticiário geral ou econômico que a inflação oficial de 12 meses caiu em fevereiro para 3,81%? Nessa época costumava estar muito acima do teto de 4,5%. Deveria ser manchete nos jornalões e na tevê e não foi. Por quê?
Também não teve destaque na grande mídia o desemprego ter caído ao mais baixo nível histórico, 5,6% em média em 2025, sendo que no último trimestre do ano passado já estava em 5,1%, em clara tendência de baixa consistente. Por que o silêncio?
Ao mesmo tempo, o PIB brasileiro fechava 2025 com um crescimento acumulado de 8,84% no triênio 2023/2025, sendo 2,9% em 2023, 3,4% em 2024 e, em 2025, 2,3% — apesar de dois anos de juros estratosféricos. Por que a moita?
A resposta a essas e outras perguntas é simples. É porque a grande mídia, controlada pelo grande capital, não suporta notícia boa em governo de esquerda.
Não importa que seja, no caso, um governo de coalizão do PT com vários ministros colhidos ao centro e à direita do espectro político. A grande mídia quer para chamar de seu um governo de direita puro sangue, desses que congelam (ou cortam) o salário mínimo, as aposentadorias, as pensões e as verbas da educação e da saúde — erigidos pela direita e extrema direita ao grau dos piores males e vilões da economia nacional.
Vimos o desmonte no passado recente, depois que os pobres de direita e a classe média elegeram o desvairado que se tornou cliente da Papudinha por crime de menor importância, se comparado com a matança que promoveu nos anos da covid-19.
A grande mídia de direita entra no ano eleitoral de 2026 abrindo suas cartas na mesa. A ordem, o pega pra capar, é eleger a qualquer custo o mais cotado da direita, não importa quem e muito menos sua folha corrida. Tudo que vier na contramão deve ir para os rodapés ou nem aparecer.
Como se sabe, numa guerra, qualquer guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. Vide, como exemplo disso, o famigerado e canhestro power point produzido pela GloboNews para arrastar Lula e o PT ao lodaçal do GloboMaster.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e formado nas redações dos maiores jornais brasileiros.
