Sei que já não tem muito mais o que dizer sobre o encontro entre Flávio Bolsonaro e Donald Trump, que rolou na última terça-feira, mas é que a enxurrada de memes sobre isso não para e eu acabei pegando carona nesse barco.
Esta semana, o Tutty Vasques publicou uma “pesquisa” nas redes sociais, que divertidamente reflete a consequência da inconsequência do candidato a presidente da República, forçando a barra para que tal encontro acontecesse: “Flávio Bolsonaro lidera com folga as pesquisas sobre candidato com melhores memes nas redes sociais no mês de maio”.
E é a mais pura verdade. É só entrar numa rede social qualquer que, de cara, a gente se depara com montagens da foto tirada no encontro.
Tem Trump sentado, e, ao seu lado, Flávio vestido de garçom, com bandeja na mão para servir seu patrão.
Em um deles Flavio aparece com Eduardo Bolsonaro e o outro babaca Paulo Figueiredo como eunucos abanando o amo e senhor.
Em outra montagem, são caracterizados como os Três Patetas (o que combinou muito bem, aliás).
É de rachar o bico o meme em que Flávio aparece dançando uma dancinha de Tik Tok em frente à mesa de Trump, que o observa com cara de quem tá pensando: tem gente mais doida que eu neste mundo.
Além de pagar um grande mico, Flávio Bolsonaro volta do mesmo jeito que foi. Sem receber um “We’re in this together, bro “ (tradução livre: tamo junto, mano). Ao contrário. Ainda teve de ouvir do Pato Donald que Lula é um homem “vigoroso” – Ui! Essa deve ter doído. Logo ele que tem um pai com físico de atleta, capaz de correr atrás das emas do Palácio do Alvorada para oferecer cloroquina. Um pai que fazia flexão de braço em público com seu cachorrinho de estimação de nome Heleno. Logo ele que sempre se mostrou valente diante das doenças “criadas” pela mídia, como a Covid, não usando máscara só pra provar que era macho.
E deve doer mais ainda pensar que esse homem tão cheio de vida agora arrasta uma tornozeleira eletrônica pela casa, impossibilitado até mesmo de acompanhar o filho para posar em pé na foto ao lado do seu ídolo cor de laranja – o que pra ele não seria difícil, pois até já comeu pizza em pé lá nos esteites.
O transtorno de Flávio Bolsonaro, apesar de fingir que saiu com um já ganhei desse encontro, ficou evidente na sua fala durante o que ele chamou de entrevista (não respondeu a nenhuma pergunta. Limitou-se a fazer um relatório do encontro), quando disse que tinha ido a convite do “presidente Lula”. Esse lapso estampou um “tá loko, mano” na cara do Dudu bananinha, que todo mundo viu. Corrigiu-se em seguida, mas, como diria a Dilma, depois que a pasta de dente saiu do dentifrício, não volta ao dentifrício.
Agora me digam o que leva um candidato brasileiro à Presidência da República querer se encontrar com um presidente americano que está indo como um míssil igual ao que ele anda explodindo por aí, pra um patamar de rejeição nunca visto antes? Não demora e alguém vai estampar um “perdeu, Mané” onde estava escrito MAGA nos bonés dos adoradores de laranja
A não ser que a intenção tenha sido única e exclusivamente a de desviar o foco de seu envolvimento com o caso Master.
Aí sim justificaria fazer o papel de pateta.
Porém, sua viagem não foi totalmente em vão. Não pra ele. Poderá dizer que conseguiu fazer com que o governo americano classificasse o CV e o PCC como grupos terroristas. (Prudentemente, deixou as milícias de fora).
E o que isso significa? Significa que se Trump quiser atacar o Brasil com o pretexto de acabar com as facções, tá liberado.
Diante disso, fica a pergunta ao pateta: o que o Brasil ganha com isso?
Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 29/5/2026;

