Agora é moda jogar dinheiro pela janela quando a Polícia Federal aparece. Antes, enfiavam na cueca. Primeiro na parte da frente do traje. Depois na traseira, entre os pomos das nádegas. Vou falar com uns amigos se não dá pra gente saber quando a PF vai subir num prédio. Quero ficar lá embaixo só pra sentir o gosto da chuva de dinheiro caindo do céu.
Não quero a bufunfa para mim, acreditem, quero só ter a visão das notinhas despencando da janela como pétalas no ar, parafraseando a famosa canção de Orfeu Negro, nosso primeiro Oscar, mais de meio século atrás.
O último caso deu-se em Camboriú e sua vizinha Itapema, dois paraísos que frequentei nos tempos em que Santa Catarina era só um destino turístico. A PF catou no chão RS 419 mil.
Se os meliantes jogaram pela janela, é porque não valiam nada para eles. Têm muito mais nas cavernas de Ali Babá.
É grana do caso Master, que alguns bocabertas da extrema direita nazi querem atribuir ao Banco Central, levantando a bandeira de que foi o BC que quebrou o banco para Lula ficar com o dinheiro…
A lorota não tem pé nem cabeça, mas é como eles gostam. Quanto mais estapafúrdia, melhor para contar, espalhar e o gado acreditar. “Pô, olhaí o Lula metido nisso”, dizem os da primeira fila. “Eu sempre achei que tinha o dedo do nove dedos”, falam os da segunda. “Tem que fechar esse Banco Central”, proclamam os da terceira. E os da quarta e da quinta fila reclamam:
“Por que não pegam logo a Janja, que até vai desfilar no carnaval com fantasia que ela deve ter comprado com dinheiro do tal de Vorcaro? E ainda ri da nossa cara…”
Assim é na terra dos basbaques catarinas que fazem divisa com meu estado, onde a alemãozada e a italianada não fica nem um pouco atrás deles. Antigamente, a gauchada gozava os manés. Hoje, ficou igual a eles.
Esse retrocesso histórico das palpitações políticas do Sul brasileiro é assunto de estudo psiquiátrico social que deixo para depois. O que deixo para dizer no momento é que a terra de Leonel Brizola, João Goulart e muitos outros heróis da liberdade e da democracia foi com eles para o fundo do túmulo.
O que veio das profundezas agora são vermes de antepassados que vieram para cá antes e após a derrocada da Alemanha nazista e da Itália fascista. A bandeira nazista já tremulava na frente de prefeituras de SC, ao lado da bandeira brasileira, muito antes de 1939, quando a Segunda Guerra Mundial começou.
SC é nazi desde antes do incêndio do Terceiro Reich, em 1933, quando o gado de Hitler ateou fogo no edifício do parlamento e pôs a culpa nos comunistas. Colou e os catarinas foram, no Brasil, os primeiros a acreditar.
Agora, os neonazistas de norte a sul, não só os de SC, juntaram-se ao escroque Daniel Vorcaro para roubar os velhinhos do INSS, após o governo do Inominável&Guedes&Cia ter cancelado por lei as travas e medidas de segurança que existiam para os empréstimos consignados. Deixaram o caminho livre para os pilantras fazerem a festa.
Os neonazis inclusive.
Nelson Merlin é jornalista aposentado e que após 2018 só passa por Santa Catarina por via aérea e tampando o nariz.
