A mãe de um amigo de longa data tinha um linguajar típico de cidade de interiorzão, onde, às vezes, os moradores criam um vocabulário próprio pra conversarem entre eles. É tão diferente que quando chegam na cidade grande até sofrem bullying dos urbanóides.
Não ficou claro se ele quis dizer que ela não é fiel aos ideais políticos do marido, ou da família, ou se malandramente quis colocar uma pimentinha no comentário, dado o histórico “voluptuoso” que algumas pessoas atribuem a Michelle.
Não se sabe se ele quer com isso tirar o véu de evangélica temente a Deus, que prega fidelidade eterna ao marido, com o intuito de que ela caia em desgraça política de uma vez por todas, ou se quer mudar o foco de seu próprio desvio de conduta na suruba intergaláctica promovida pelo seu “irmão” Daniel Vorcaro.
Mas como em briga de enteado e madrasta não se mete a colher, melhor deixar que os dois se desnudem diante dos eleitores.
Só que a coisa ultimamente não anda muito boa pro lado do pré-candidato à Presidência da República.
Não bastasse o irmão “americano” que faz lobby com o presidente laranja pra afundar o Brasil, mais o neto do ex-ditador cheirador de cavalo falando merda, e ele próprio transgredindo as leis ao mostrar a carta do papi, sabendo que ele não pode se manifestar em redes sociais, porque está preso em casa (eles não se dão conta disso; até armas o prisioneiro mantinha em seu doce lar), tem também o pessoal daqui contribuindo para que seus “predicados” venham a público.
A ex-deputada Joice Hasselmann disse com todas as letras, em entrevista ao ICL Notícias, que Flavito é ladrão: “Entrei na casa de Flávio Bolsonaro e tive certeza de que ele era ladrão”. Disse que móveis e obras de arte não poderiam ter sido adquiridos com os rendimentos declarados pelo parlamentar, “absolutamente incompatíveis”, nas suas palavras.
Não que a gente não soubesse, porque a comprovada rachadinha não deixa de ser roubo, mas ser chamado de ladrão publicamente tem um certo peso.
E talvez esse peso, somado a todos os outros, esteja puxando seus números de intenção de votos lá pra baixo, como apontou a pesquisa Quaest do último dia 15.
Mas, como ele confia nos seus belos olhos e na “honestidade” que prega, desconfiou do resultado e criticou o instituto. Disse que se o “selo de acerto” proposto pelo presidente do TSE Nunes Marques estivesse valendo, “teriam vergonha de publicar essa pesquisa da Quaest de hoje”.
Bem, tem quem goste de enganar os eleitores e tem quem goste de se autoenganar.
Pelo visto, Flávio Bolsonaro consegue reunir as duas coisas ao mesmo tempo: enganar parte do eleitorado e, de quebra, enganar a si mesmo.
Esta crônica foi publicada originalmente em O Boletim, em 17/7/2026.

