Indo Pro Espaço!

Tinha decidido que nesta semana pegaria leve no artigo, porque estou em ritmo de Copa do Mundo, assumindo meu lado torcedora e fã de futebol. Aplaudi e gritei forte um Brasil, sil, sil no momento em que nosso time foi lá e pimba, quando já se pensava estar tudo perdido.

Mas a seleção não morreu no mata-mata. Agonizou um pouco, depois cumpriu seu papel, adiou a viagem de volta e deixou “quase” todos os brasileiros felizes.

Disse “quase” porque, horas antes do jogo, enquanto aguardava minha muçarela (odeio escrever a palavra com ç; passei a vida comendo muçarela com dois esses) no balcão de frios do supermercado, perguntei pro atendente qual era sua expectativa para o jogo.

A distinta senhora ao meu lado, com o carrinho cheio, entra na conversa e diz: “Não tem nada que torcer pelo Brasil! Com tanta gente passando fome e eles lá gastando dinheiro. Eu vou é torcer pela Argentina ou pela França”.
A pergunta chegou até a garganta mas engoli. Ia perguntar se torcer contra iria acabar com a fome, que cá entre nós não é “privilégio” brasileiro, e se ela iria repartir suas compras com os pedintes que estavam do lado de fora do supermercado.  Mas resolvi sair de perto, por via das dúvidas, para evitar um possível contágio de ignorância. Vai que, né?

Fui pegar pão, me certifiquei de que a mulher já estava longe e só então voltei para pegar o presunto e fazer um bolãozinho de apostas com a turma do balcão.

No mesmo dia, logo após a vitória do Brasil, entro eufórica no X pra comemorar virtualmente com o povo e me deparo com uma postagem da deputada federal Júlia Zanatta, aquela da ridícula tiara de flores (precisa dizer o partido?), com os dizeres: “Brasil toma gol com erro do 13 e conquista vitória com gol do 22. 22 salvando o Brasil de novo”.

Parece mentira, mas não é. É uma deputada federal pagando mico em rede social.(Isso reforça minha suspeita de que ignorância pode ser contagiosa e se espalha com certa facilidade.)

E enquanto a deputada tenta fazer política em cima do futebol, o candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro tenta driblar as bolas que correm em direção à sua trave.

O ventilador dele continua ligado 24 horas por dia em 220 volts  espalhando toda a merda que consegue produzir. E, pelo que se vê, não é pouca!

Só pra destacar as mais recentes, temos:

•    O estouro da bomba do Vorcaro que caiu direto sobre sua cabeça, ou melhor, sobre seu celular, onde está gravado o pedido de dinheiro pro “irmão”. (E lá se foram os votos dos que ralam pra ganhar dinheiro honestamente.)

•    O vídeo da má drasta botando o enteado pra baixo de cudecobra, dizendo que ele a maltratou, entre outras coisas. (E lá se foram os votos das mulheres evangélicas.)

•    Teve também a “valiosa ajuda” do influencer e carrapato do saco dos Bolsonaro Paulo Figueiredo, que disse em live que mulher solteira não sabe votar, explicitando o pensamento misógino que prevalece na rodinha. (E lá se foram os votos das solteiras.)

•    No último dia 23/6, Flávio Bolsonaro recebeu uma carta do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que revela sua posição em relação a Trump: a de quatro. O candidato disse que faria a transição de governo com ele, no caso de ser eleito. (E lá se foram os votos dos indecisos.)

•    E o babadão da semana ficou por conta da “festa das astronautas”, promovida por Daniel Vorcaro. O vídeo obtido por Anthony Garotinho, repostado por Michelle Bolsonaro, mostra cenas do evento que teria sido uma festa sexual, com mulheres aparentemente estrangeiras, “vestidas” tão somente com um capacete de astronauta, a serviço dos políticos e autoridade ali presentes. Supostamente, um dos convidados seria o Flavito. (E lá se foram os votos dos pudicos.)

A continuar assim, essa candidatura vai pro espaço antes do que se imagina!
O capacete já tem!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 3/7/2026. 

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