Foi Bonita a Festa, Pá!

Fiquei contente. Ainda guardo renitente uma velha esperança para mim sempre que assisto a esse espetáculo de luzes no céu, que acontece na virada de um ano para outro. Neste momento, me emociono, faço minhas promessas e meus pedidos – aquelas coisas, saúde, paz no mundo e muita sabedoria – porque, olha, não tá fácil aguentar tanta imbecilidade.

Uma das maiores do ano (a maior acaba sendo sempre a última) veio, de novo, da ala da direita de QI abaixo de 25, que vê chifre em ovo, ou melhor, pelo em cabeça de cavalo – péra! Isso todo mundo vê – bem, qualquer coisa assim, onde menos se espera.

Confesso que fiquei traumatizada com a mais recente idiotice deles e não consegui desejar a nenhum amigo que entrasse no Ano Novo com o pé direito, depois de toda aquela patetada sobre o anúncio das velhas e boas sandálias que não têm cheiro e que não soltam as tiras. Criaram tanto caso que as modestíssimas Havaianas acabaram virando símbolo da esquerda. Até boicote a elas fizeram.

Pô! Até isso eles tiraram da gente? Não poder desejar que alguém entre no ano com pé direito, até então uma simbologia que representava a sorte, sob pena de ser taxada de bolsonarista? Se apoderaram também do nosso pé direito?

Primeiro se apoderaram da nossa bandeira, que passou a ser um símbolo dos bolsonaristas, como se o resto da população não fosse brasileira e não se orgulhasse de entoar em alto e bom som o salve o lindo pendão da esperança… (cá entre nós, pendão é uma palavra feia bagaray, mas que vá). Depois veio a camisa da nossa seleção canarinho. Usaram a camiseta verde-amarela em suas passeatas como se fossem os donos dessas cores. Guardei toda a minha coleção de torcedora pra não ser confundida com uma bolsonarista abestada. Teria muita vergonha se alguém pensasse que sou, pois o bolsonarismo representa o que há de pior na política brasileira. Estivemos bem perto de uma ditadura caso o golpe de Estado arquitetado por eles não tivesse sido um fracasso, e isso não dá pra esquecer.

Pô, chega de rotularem e de assumirem as coisas que pertencem a todos nós, caras! Já deu!

Quero sim cantar o salve lindo pendão da esperança no dia 19 de novembro ou quando me der na telha. Quero sim usar a camiseta verde-amarela (aliás este ano tem Copa do Mundo. Eba!) e poder sair pra rua com ela comemorando uma eventual vitória da seleção. Quero sim entrar no ano com o pé direito (ou o esquerdo, se deixar a superstição de lado), sem parecer que estou fazendo propaganda política numa simples virada de ano.

E quero, sobretudo, que os eleitores entrem no ano, independentemente do pé que coloquem primeiro no chão, com a consciência de que teremos uma chance de mudar nossas vidas com um simples confirma nas urnas. E que se lembrem de que WhatsApp não é veículo de informação, pelo contrário. Se alguém te mandar mensagem dizendo que tem de fazer acampamento na frente do quartel só para pressionar a saída do Alexandre de Moraes do Suprema, não é verdade. É golpe!

Seja bem-vindo, Ano Novo, e traga consigo a luz dos fogos da virada para mentes obscurecidas, leve a paz para os povos em conflito e traga também muita saúde física e mental para todos.

Faça com que este seja um ano pra gente não esquecer!

Vai que é tua, 2026!!!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 2/1/2026. 

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