Estou desconfiado de que o ministro Mendonça, do STF, depois de muito procurar não achou nada contra o Lulinha na quebra de sigilos bancário e fiscal, pedida pela Polícia Federal em janeiro passado e autorizada imediatamente pelo tremendo evangélico.
A quebra aconteceu muito antes, portanto, do cambalacho que vimos na CPMI do INSS na semana passada. Mendonça teria tido tempo suficiente, portanto, para analisar e reanalisar o relatório da PF sobre a investigação e, portanto, avisar seus colegas bolsonaristas na presidência e na relatoria da CPMI sobre o resultado.
Não entrou nas contas bancárias de Lulinha nem nos registros da Receita Federal dinheiro roubado dos aposentados e pensionistas; não entrou propina de R$ 25 milhões; não entrou mesada de R$ 300 mil. Também não entrou compra de Ferrari, Lamborghini, jatinho executivo, nem mansão em Brasília ou outro lugar do planeta.
No momento, a melhor prova disso é que, se tivesse entrado, já teriam feito um escândalo federal. Como não acharam nada, Mendonça antecipou aos chefões da CPMI que a quebra do sigilo de Lulinha pela Comissão era uma furada.
Que fazer, então? Minha bola de cristal diz que combinaram o seguinte: aprovar a quebra assim mesmo, e, como sabiam que não ia dar em nada, livrar a cara dos meliantes que a bancada governista queria chamar para depor na Comissão. Entre tais meliantes está, como se sabe, a assessora do filho 01 do presidiário e autointitulado pré-candidato à presidência da República. Esta senhora, suspeita de estar enrolada até o pescoço na roubalheira, não podia ser convocada ou convidada de jeito nenhum.
Daí vem o cambalacho. Pela inacreditável “maioria” de 7 votos contra 14 (!!!), o presidente da mesa diretora da CPMI vetou todos os requerimentos da bancada governista, aprovando somente a quebra de sigilo de Lulinha pedida pela direita.
Assim ficava elas por elas: os bolsonaristas não iam tirar nada de Lulinha porque nada tinham a tirar e os governistas não conseguiriam pegar os verdadeiros bandidos porque foram todos abduzidos…
Se combinaram a treta com o presidente do Senado, David Alcolumbre, a quem os governistas recorreram e requereram a anulação da falcatrua, o escândalo vai ser ainda maior. Se não, vai sobrar pra eles. Esta semana saberemos.
O que já sabemos é que o filho 01 do presidiário está no olho do lamaçal: deu ao presidente da CPMI uma das duas vagas ao Senado em sua chapa, em troca de livrar sua assessora e a própria cara e outras partes na CPMI.
Cara de pau ele tem de sobra para isso. É a especialidade da famiglia. Também sabemos, desde o início, que a direita não quer investigar nada. O que quer é criar pretextos e narrativas infanto-juvenis para assediar o presidente Lula no ano eleitoral. Escolhi o verbo para sugerir também “verbas”, que é o que mais interessa por trás da faixa “deus, pátria, família, liberdade” e blá-blá-blá.
Esta semana promete!
Nelson Merlin
Jornalista aposentado e montador de trenzinho para os netinhos nas horas vagas.
