De Tiririca em Tiririca o país está indo pras pica!
Essa expressão, “indo pras pica”, pode ser interpretada de várias formas, mas, ao analisar alguns candidatos que estão sendo cogitados para as próximas eleições, significa ir pro espaço, pro lado oculto da Lua. Pro breu total!
Como esse Congresso Nacional já virou a casa da Mãe Joana, qualquer tiririca da vida se acha apto a exercer cargos importantes no Legislativo. A lista é grande e será ainda maior ao chegar mais perto das eleições, mas já vou dando algumas pinceladas do que nos espera pelos próximos meses.
Vamos aos perfis de alguns deles que já se apresentaram, começando pelo irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Eduardo Torres deve concorrer a uma vaga de deputado distrital pelo PL novamente este ano. Já disputou em 2018 e 2022, mas não se elegeu. Agora, porém, tem grandes chances de conseguir seu intento. Agregou ao seu currículo o cargo de “entregador de marmitas” ao presidiário Jair Bolsonaro, enquanto este estava hospedado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
Pois se Eduardo Bolsonaro, que fritava hambúrguer nos Estados Unidos, se elegeu com uma porrada de votos para deputado federal, por que o mano não se elegeria levando marmita justamente para ele, o Mito?
Outro pré-candidato, Manoel Gomes, decidiu se filiar ao Avante e tentar uma vaga de deputado federal por São Paulo. Já tentou em 2022 pelo Maranhão mas não se elegeu. Muito provavelmente porque as urnas são eletrônicas. Se, pelo menos, os eleitores pudessem usar uma “Caneta Azul”, relembrando seu sucesso e escrevendo seu nome na cédula, quem sabe, né? Ai,ai, ai,ai, ai,ai…
Pra quem não gosta da música “Caneta Azul” e prefere um edificante Big Brother Brasil, há várias opções de pré-candidatos: Matheus Amaral (PP-RS), Caio Afiune (MDB-GO), Leticia Santiago (PL-MG) e Lucas Penteado, que sai pelo PT.
Não peguei o currículo deles, pois imagino que sejam tão extensos que não caberiam neste espaço.
E quem curte “A Fazenda” sem ser gado tem a opção de votar em Rico Melquiades (PSDB), que já lançou sua plataforma de governo: “Se eu ganhar, vou liberar cirurgia plástica para geral”.
E, em meio a esse pacote de inutilidades, aparece também o quase poeta (alguém já leu suas publicações nas redes sociais?) Carluxo Bolsonaro, que foi se pendurar nas barras da saia do governador Jorginho Mello de Santa Catarina, esperando que os barriga-verdes repitam nas urnas a estrondosa votação que recebeu seu irmãozinho, o gênio Jair Renan.
Álea jacta est. E ai de nós se esses emplacarem.
Mas, pensando bem, não mudaria muita coisa. Já teve parlamentar que passou 28 anos sentado (e às vezes até dormindo) numa confortável poltrona de deputado, sem aprovar um projeto sequer, que acabou virando presidente da República!
Afinal, tudo pode acontecer se a alma é pequena. (Desculpa aí, Fernando Pessoa.)
Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 10/4/2026.
