Na entrevista à jornalista Renata Lo Prete da Globo, Flávio Bolsonaro mostrou que, além de não ter nenhum conhecimento sobre nenhum assunto, tem uma inexplicável paixão pelo atual presidente Lula. Não deixou seu nome de fora em nenhuma das questões levantadas pela entrevistadora.
Se isso não é paixão, não sei que nome tem.
É certo que quis disfarçar esse amor usando o ódio, acusando Lula da Silva como sendo o responsável por todos os ilícitos ocorridos no país, inclusive os seus no caso Master.
Para se ter uma ideia de como Lula não sai de sua cabeça, Flávio tentou virar o jogo quando a jornalista perguntou sobre o golpe de Estado tentado pelo seu pai. No lugar de responder sobre essa grave questão, Flávio arranjou um “golpe aplicado” pelo atual presidente em São Paulo. “Só pra se vingar do prefeito Ricardo Nunes ele vetou a faixa azul para os motoboys”. (Eu, na minha santa ignorância de jundiaiense vivendo no Guarujá, confesso que nem sabia que os motoboys eram chegados num parmesão.)
Mas ficar falando aqui do seu nervosismo, dos seus deslizes e dos seus ataques vociferantes contra o adversário não tem sentido. Todo mundo já falou e todo mundo viu.
Mas, seguindo sua linha de conduta diante de uma entrevista em rede nacional, poderíamos imaginar como seriam suas respostas diante de outras perguntas.
A seguir, o script da hipotética entrevista:
RENATA: O que o senhor tem a dizer sobre as manifestações de estudantes que teve início na França e estão se espalhando por vários países da Europa?
FLÁVIO: Culpa do Lula. Não começou na França? Quem é o presidente da França? O Emmanuel Macron, certo? E quem é o amiguinho do Macron? O Lula, certo? Portanto, só poderia dar em quebra-quebra igual ao que aconteceu durante a manifestação petista em São Paulo no domingo passado.
RENATA: E sobre as manifestações na Argentina contra o modelo econômico adotado por Javier Milei, que está quebrando o país e que o senhor pretende copiar?
FLÁVIO: Você acredita que os argentinos fariam isso contra seu mito, Renata? É evidente que são infiltrados do PT a mando de Lula, querendo provocar o caos no país só porque o presidente é da direita.
RENATA: O senhor diz que a inflação alta aqui é culpa do atual governo. O que tem a dizer sobre os preços dos combustíveis nas alturas, e consequentemente, da alta inflação também nos Estados Unidos?
FLÁVIO: Tá na cara que a culpa é do Lula, que não tem um bom relacionamento com o Trump, o que o impede dar uns conselhos a ele. Se meu pai fosse o presidente, com certeza já teria ido lá pedir pra ele baixar os preços e teria conseguido. E meu irmão também nem precisaria ter ido pedir pra ele sobretaxar os produtos brasileiros.
RENATA: O senhor pode explicar qual o objetivo do seu projeto de retirar a numeração das munições, impedindo assim sua rastreabilidade?
FLÁVIO: Isso é apenas um detalhezinho, Renata!
(Nota de esclarecimento: essa última pergunta foi real e a resposta também).
O problema, seu Flávio, é que esses “detalhezinhos” não são detalhes tão pequenos de nós dois, como diz Roberto Carlos. São coisas muito grandes pra esquecer e a toda hora vão estar presentes. Você vai ver.
Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 18/10/2026.
