Dia Internacional da Imbecilidade!

A ideia de comemorar o Dia Internacional da Mulher surgiu em 20 de fevereiro de 1909, quando o Partido Socialista da América organizou uma manifestação de mulheres que pleiteavam igualdade de direitos civis e o voto feminino. Outros países foram aderindo ao movimento em datas diferentes, até que, em 1975, por decisão das Nações Unidas, ficou estabelecido que as comemorações seriam em 8 de março.

Alguns países, como a Polônia, mesmo em meio a uma guerra estúpida, homenagearam as mulheres com flores ou com palavras de incentivo à luta contra as sociedades ainda machistas, por incrível que isso possa parecer nos dias atuais.

Já aqui neste Brasil varonil, o que se viu foi um desfile de imbecilidades proferidas por otoridades.

A começar pelo imbecil mor da nação, que sabidamente não tem lá grande afeição por esses produtos das “fraquejadas” dos pais.

Em discurso, Jair Bolsonaro, acompanhado da esposa (faltaram as ex-posas), achou que tava abafando e disse: “Hoje as mulheres estão praticamente integradas à sociedade”.

Noooossa, presidente! Fiquei comovida. Me senti tão gente! Lembrei de quando o senhor disse que o índio cada vez mais é um ser humano como nós. A continuar com esses lampejos de reconhecimento, logo nós, mulheres e índios, vamos poder fazer as mesmas coisas que os homens fazem. Quanta evolução!

E para mostrar o quanto é sensível às mulheres, no mesmo dia mandou a Ministra da Goiabeira anunciar que o governo vai distribuir absorventes para estudantes de baixa renda e para mulheres em situação de rua. Essa sensibilidade, porém, chegou agora mais perto das eleições porque em outubro de 2021 Bolsonaro vetou a previsão orçamentária destinada à distribuição de absorventes femininos.

E, ainda em clima de exaltação à mulher, ou ao voto da mulher, Jair Bolsonaro pretende usar a primeira-nada, digo, primeira-dama para tentar alavancar sua campanha eleitoral. Boa sacada. Pelo menos sete votos ela deve garantir se sair por aí vestida de Branca de Neve, como fez na festa do Natal palaciano.

Outra homenagem “singela” às mulheres partiu do PGB – Procurador-Geral do Bolsonaro – Augusto Aras

Empolgado, parabenizou as mulheres que “têm o prazer de escolher a cor do esmalte ou do sapato que vão usar”.

Pequepê, Haras (com H mesmo, já que mostrou seu machismo em dose cavalar). Perdeu a chance de ficar quieto e de ser reconhecido tão somente pelos seus préstimos ao presidente da República. (E olha que não são poucos. Até pediu pro STF arquivar o inquérito contra o chefe sobre vazamento de informações da Justiça Eleitoral porque, ao contrário da Polícia Federal, “não vê crime” nisso).

No dia seguinte, depois do buzinaço na sua orelha, gravou um vídeo dizendo que não teve intenção de ofender ninguém, que foi mal compreendido e que nunca quis diminuir a importância feminina. Portanto, mulheres podem continuar sentindo prazer em escolher a cor dos seus esmaltes sem culpa, ficando lindas e lutando ao mesmo tempo. Aras já pediu desculpas “às que se sentiram ofendidas”.

Por sorte está acabando o espaço que tenho reservado para escrever, assim não tenho de comentar sobre o Mamei Falei Merda, o deputado Arthur do Val, que achou lindo ir para a Ucrânia e gravar um áudio contando sua impressão sexista sobre as mulheres ucranianas. Tremenda baixaria do começo ao fim. Mas como todos já ouviram não vale a pena repetir. A questão que está sendo debatida agora é se ele deve ou não ser cassado.

Os passa-pano insistem em dizer que ele não cometeu crime, e portanto não deve ser punido com a cassação.

Eu, como mera espectadora profundamente triste com os horrores da guerra e como mulher, acho que tipos como esse não precisam matar alguém para que sejam considerados criminosos. Basta existirem.

Pronto, mamãe! Falei!

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 11/3/2022, 

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