A Noivinha do Capitão!

Mesmo ainda sem ter dado o SIM que oficializa a união, Regina Duarte já está com um pé na Secretaria de Cultura, atendendo ao convite do presidente Jair Bolsonaro.

Até agora ela diz que ainda está apenas ‘noivando’ com a possibilidade de vir a ser a nova secretária da pasta desocupada semana passada por Roberto Alvim, mas não esconde seu entusiasmo.

A atriz se destacou nas campanhas de fora Lula/fora Dilma, declarando seu medo pela ditadura e seu descontentamento com a corrupção praticada a céu aberto nesses últimos governos. E depois de expressar publicamente sua contrariedade, agiu como todos os que não compactuavam com essas falcatruas: vestiu a camisa verde-amarela e saiu às ruas.

De medo do vermelho passou ao deslumbramento pelo azul dos olhos de Bolsonaro sem questionar por que ele teria passado 27 anos como deputado tendo aprovado apenas dois projetos (13 anos e meio de salários para cada um), ou por que tecia e ainda tece loas a ditadores e torturadores, ou mesmo sem saber quais eram seus planos de governo além de liberar armas e prometer, como todos, atacar a corrupção. (Rachadinha não conta).

Entrou de sola na ‘política da nova era’ e aderiu à campanha do candidato por acreditar que ele estava cheio de boas intenções, e também para combater o ‘inimigo número um’ que despontava como possível presidente. O ‘poste’ de Lula, Fernando Haddad.

Até aí, nada de mais, muita gente fez isso.

Mas, passado um ano desse novo governo, muitos saltaram do barco ao perceberem que o comandante não dava mole pros marinheiros que não remavam nos conformes de sua maré.

É exatamente por isso, porque Bolsonaro não gosta desse negócio de liberdade de expressão, que a possível ida de Regina Duarte para a Secretaria da Cultura tem gerado muita polêmica nas redes sociais.

Ela já recebeu apelidos como ‘Rainha da Suástica’, ‘Viúva Pocilga’, ‘Maluca Mulher’, e até Lima Duarte fez sua gracinha: ‘é Sinhozinho Malta na presidência e viúva Porcina na Cultura’.

Por outro lado, Regina tem o apoio de vários artistas. Maitê Proença, por exemplo, disse que ela não é perversa, nem cínica nem nazista.

Ok, Maitê. Até acreditamos nisso, mas não dá pra negar que é bastante ingênua a ponto de acreditar que Roberto Alvim encarnou um Goebbels sem o conhecimento prévio dessa espécie de Hitler tupiniquim, que acha o holocausto ‘perdoável’. Sabe-se também que ele não tem grande simpatia pelas artes e que, portanto, ela vai ter de dançar a música tocada por esse governo. Se bobear, vai precisar ordenar que atrizes vistam rosa e atores vistam azul.

Eu ainda vejo a Regina Duarte como a eterna namoradinha do Brasil, doce, meiga e um tanto frágil para evitar que a arte brasileira da próxima década não seja nem heroica nem nacional, como querem os goebbels de plantão. (Quem sabe Santo Expedito, que ela confunde com São Benedito, possa dar uma forcinha.)

Mas ainda acho que, para ocupar esse cargo nas atuais circunstâncias, só mesmo a Dercy Gonçalves.

No primeiro NÃO recebido por uma ideia sua, soltaria um estrondoso vápraputaqueopariu, presidente!

Pena que não se façam mais dercys como antigamente.

Esta crônica foi originalmente publicada em O Boletim, em 24/1/2020. 

Foto Michael Melo/G1

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