Montanha russa, um estilo

Pode ser que seja um método. Pode ser que seja um estilo.

Depois que declarou que faria “o diabo” pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff, cujo favoritismo em 2014 está longe de correr perigo, acelerou o seu modo montanha russa de administrar; o que está lá em cima hoje, pode estar lá embaixo amanhã.

Na recente reunião dos Brics, a presidente disse que a taxa de juros não seria usada para combater a inflação, afirmação que o Copom desconsiderou dias depois, com um aumento de 0,5 pontos na taxa Selic.

Depois de fazer discursos contra a entrada indiscriminada do chamado “capital especulativo”, o ministro Mantega, pressionado pelo déficit das transações correntes, que já atinge 3% do PIB, eliminou o IOF sobre o capital estrangeiro para facilitar a entrada de dólares e conter a sua valorização no mercado.

Tudo ia começando a dar certo, a cotação do dólar ia baixando, quando o ministro e a presidente resolveram “explicar” a medida, provocando uma alta relâmpago da cotação, obrigando o Banco Central a comprar dólar no mercado futuro, para conter a valorização.

O método errático de governar produziu outra confusão na área indígena.

Depois da invasão ilegal da fazenda Buriti, que provocou a morte de um índio durante a ação de reintegração de posse, o ministro Gilberto Carvalho disse numa reunião com representantes das nações indígenas que a presidente da República tinha recomendado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que não cumprisse a ordem judicial para evitar o perigo de conflitos violentos.

Como assim? A presidente recomendando descumprir uma ordem judicial?

No dia seguinte, Dilma disse que neste país “ninguém descumpre ordem judicial” e o ministro Carvalho soltou uma nota desenxabida dizendo que aquilo que ele disse não era bem aquilo.

A montanha russa da presidente também fez com que ela soltasse o verbo contra o boato “desumano” e “criminoso” do fim da Bolsa Família, e depois afagasse os verdadeiros autores da confusão, os diretores da Caixa Econômica Federal, que não apenas não foram punidos como foram elogiados por ela.

Outro ato da esquizofrenia governamental foi a campanha lançada pelo Ministério da Saúde –“Sou feliz sendo prostituta” – que não espantou apenas o país mas o próprio ministro da Saúde, que mandou tirá-la do ar imediatamente. Como se tornou quase padrão comportamental neste governo e no anterior, os responsáveis “não sabiam de nada”. Nunca antes na história deste país tantos souberam tão pouco sobre tantos assuntos.

Pode ser que essa gestão estilo montanha russa seja um método, quem sabe. Afinal, se a presidente interfere até no plano de vôo dos aviões em que viaja, podemos ficar tranquilos e concluir que o país não corre o perigo de sair da rota.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 7/6/2013. 

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