pássaros poemas

Queria falar da felicidade, do desejo consciente e inconsciente de ser feliz. É algo que se traz da infância, do companheirismo com a meninada, dos jogos de rua, da molecagem diária. Quanto mais o tempo passa para mim mais me convenço de como é necessário que todos busquemos ser felizes.

São sentimentos para guardar por todo o nosso tempo.

A vida real, com suas tragédias e guerras, com o ódio e competição sem freios, parece nos levar para longe desse objetivo. Não que se diga “dane-se” ao mundo. Vivemos nele e não devemos nos eximir de responsabilidades.

Mas a bandeira que carrego, e vejo que muitos dos que amo e admiro também a empunham, é a procura de harmonia na vida pessoal , familiar e social. Para alcançar esse oásis em meio ao deserto não é necessário pisar em ninguém nem violentar qualquer princípio essencial.

Esse orientar-se no rumo da vida boa e plena nada tem de egoísta. Ao contrário, torcemos para que mais pessoas se juntem a esse nosso anseio. Quantos mais participarem dessa jornada, mais a boa nova se espalhará. Não é ser irracional ou ignorar o mundo. É ter certeza de que o certo é gozar o dia, a existência.

Tem menino que é igual passarinho. Essa é uma impressão que trago de longe, desde que ouvia num parque em Diamantina a voz de Luiz Vieira cantando “sou menino passarinho com vontade de voar.” Sei de um, especial, Tavinho Moura, que acaba de tirar do forno um trabalho de mais de quatro anos: o livro pássaros poemas – aves na Pampulha. Sabe e pode muito esse criador excepcional, craque em tudo em que se aventura.

Inventor de belezas, estamos acostumados a ouvir suas canções de harmonias, palavras e melodias inusitadas, de carga lírica mineira, brasileira e universal. Violonista e violeiro, carpinteiro de mão cheia. Amigo para toda hora. Conhece peixes e árvores, plantas, frutas e doces. Principalmente, dá aulas, naturalmente, sobre passarinho.

Quantas vezes fiquei emocionado com suas descrições das aves que encontrou na meninice da zona da mata e com as que vai dando notícia por todos os cantos que anda, em todos os livros que lê. Geralista dos melhores, escreveu a história da Maria do Matué, uma riqueza.

Eis que ele resolveu fazer um livro sobre os pássaros que circulam pela nossa Pampulha. Tratou, em primeiro lugar, de aprender e esmerar na fotografia. As fotos que ele criou para seu livro são de espantar, beleza sem medida. Escreveu poemas passarinheiros invejáveis. E ainda convidou amigos escritores para colaborarem com ele. O projeto gráfico de Mariana Hardy e as aquarelas de Sandra Bianchi completam a maravilha.

Salve salve a felicidade.

Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em setembro de 2012.

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