Bem-vinda, Miryam Wiley

Insisti muito com Miryam Wiley para que ele participasse deste 50 Anos de Textos. Foi uma luta.

Ela argumentava que não tinha tempo para escrever. Eu dizia que não era necessário que ela fizesse textos especialmente para o site: poderia republicar textos antigos – fossem pessoais, fossem os que ela publicou nos jornais americanos com os quais colaborou.

Contra-argumentou que não teria tempo de traduzir seus textos.

Contra-argumentei que não precisava. Que este 50 Anos de Textos é um espaço absolutamente livre, aberto – tem até textos no mais brilhante português de Portugal, então por que não poderia ter eventualmente textos em inglês?

Depois de um bom tempo, ela afinal cedeu.

O 50 Anos de Textos agora tem, além do mais absoluto mineirês, e paulistês, e português, e até um pouco de esperanto, também inglês. Por que não?

***

Conheci Miryam Wiley na casa da minha amiga Vivina, quando ela ainda se chamava Miryam Lúcia Simões Coelho, e era uma garotinha de 13 anos. Devo dizer que era linda – mas, sobretudo, era brilhante. Tinha imensa curiosidade por tudo, queria saber tudo.

Acabou virando jornalista, como o tio, Gilberto Mansur. Começou a vida profissional na Rede Globo, e teve rápida ascensão. No programa Globinho, onde fazia de tudo – da pauta à edição, passando pela reportagem -, fez jornalismo sério sobre a criatividade de crianças e jovens. Aí, de repente, abandonou o que poderia ter sido uma carreira brilhante e virou americana. Casou, teve duas filhas, formou-se de novo em jornalismo no país que adotou – para melhor competir com os nativos, segundo ela –, e passou a escrever na imprensa da região de Boston, onde vive.

Lá, durante dez anos teve uma coluna – “In America” – no jornal Metrowest Daily News, onde fez belos textos contando principalmente sobre os imigrantes indocumentados da região de Boston.

Seja bem-vinda, Miryam Wiley.

Junho de 2012

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