A Espécie Humana. Capítulo 56

abro os olhos e vejo que meu pai tem papéis na mão. meus papéis! não tenho coragem para falar. sei que estou sonhando. e ele:

estou me divertindo com isto. não espere longos comentários, claro! apenas que:

primeiro, esse tipo de poema inicial, sobre a verdade. substitua a palavra verdade pela palavra mentira e tudo continuará aterradoramente lúcido.

segundo, isto sobre a estética do masoquismo dos intelectuais. bastava dizer o que eles pensam: acho isto feio mas digo que é bonito pra não dizerem que sou burro.

terceiro, por que, em vez de mostrar a loucura de uma cidade drogada, você não mostrou a evolução da loucura em um cérebro individual? pensei nisso, mas não consegui. por que Londres? eu adoro Londres, você sabe disso. hm! um tipo de mortificação…

último, isto sobre capitalismo e socialismo. bastava dizer que capitalismo está para socialismo assim como politeísmo está para monoteísmo e ponto final. vamos esquecer nomes como Marx, Hegel e Engels e pensar nos resultados de uma pequena cooperativa, célula-mater. se ela distribui corretamente bens e justiça, que é toda a base para a felicidade humana, o socialismo é possível e quem defende o contrário é burro ou safado mas é muito provável que seja burro e safado.

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ad te omnis caro veniet…

 A Espécie Humana, romance de Jorge Teles, está sendo publicado em capítulos.

Para ler o capítulo anterior.

Para ler a partir do capítulo O.

Continua na semana que vem.

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