Roger Ebert vai fazer falta

“Vivemos numa caixa de espaço e tempo. Os filmes são as janelas para o mundo. Eles nos permitem desvendar outras mentes – não simplesmente pela identificação com os personagens, embora isso seja uma parte muito importante, mas por nos oferecem a oportunidade de ver o mundo como outras pessoas o vêem.”

Esse texto maravilhoso foi escrito por Roger Ebert, um crítico que ama os filmes que vê.

Ele prossegue:

zzzzzzebert“François Truffaut costumava dizer que uma das experiências que mais inspiram um diretor é quando ele dá uma volta pela platéia durante uma exibição, perscrutando a fisionomia dos espectadores iluminados pela claridade da tela. Se o filme lhes estiver passando alguma coisa boa, seus rostos certamente expressam uma experiência arrebatadora: o espectador, por um determinado espaço de tempo, está em outro lugar, envolvido com outras vidas. O cinema é, entre todas as artes, aquela que tem o maior poder de empatia, e bons filmes farão de nós seres melhores.”

Outra frase dele, definitiva, maravilhosa, perfeita: “Nenhum filme bom é longo demais e nenhum filme ruim é curto o suficiente”.

Admiro Ebert porque ele é um crítico que, ao contrário de tantos outros, gosta de filmes, gosta de ver filmes. Não é fresco, emproado, metido a besta – ao contrário. Escreve textos simples, gostosos de ler. Escreve com o coração – e seus textos são pessoais. Não quer saber daquela regra tola que parte da imprensa adota de que os textos devem ser frios, objetivos. Ebert escreve sempre na primeira pessoa.

É duro pensar que os verbos aí acima teriam que estar no passado.

Roger Ebert – morto ontem, aos 70 anos – vai fazer falta.

***

De Chicago, minha amiga Deca Cézar escreve no Facebook que a cidade está de luto por Roger Ebert. Que chovem mensagens pela morte dele, de Oprah Winfrey, uma das mais adoradas figuras da televisão americana, a Barack Obama.

As palavras da Deca me fizeram ir ao site do Chicago Sun-Times, o jornal em que Roger Ebert escreveu ao longo de 46 anos. A cobertura sobre o crítico é impressionante. E o filme de 6 minutos, com depoimentos de colegas de redação, é de emocionar frade de pedra.

5 de abril de 2013

3 Comentários

  1. MILTINHO.
    Postado em 05/04/2013 às 3:45 pm | Permalink

    “O cinema é, entre todas as artes, aquela que tem o maior poder de empatia, e bons filmes farão de nós seres melhores.”

    Certamente Roger Ebert vai nos fazer falta. Como falta nos faz as salas de cinema e as platéias.

  2. José Luís
    Postado em 06/04/2013 às 12:01 pm | Permalink

    Comecei a ler as críticas há pouco tempo e foi um grande prazer encontrar um crítico como ele foi.
    Realmente ele gostava mesmo de cinema, amava os filmes, coisa que outros críticos que conheço não fazem.

  3. Ivan
    Postado em 10/05/2013 às 4:01 pm | Permalink

    Ver bons filmes faz de nós pessoas melhores.
    Essa frase do Roger Ebert nunca vou esquecer.

    Pena que o filme com os depoimentos não tem legendas .

    Ninguém goza, sem justo merecimento, de todo esse pretigio.

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  4. Por 50 Anos de Filmes » Flash Gordon em 02/09/2013 às 3:40 pm

    […] Roger Ebert também viu o filme – e escreveu sobre ele. Verdade que escreveu um texto curto, o que não é do seu estilo normal. Deu 2.5 estrelas em quatro e encerrou sua crítica assim: […]

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