São Paulo não parou

São Paulo, 1986. 18h30.

Há 2,5 milhões de carros nas ruas. Disputam 770 quilômetros de avenidas principais. Brigam com 4 mil semáforos. Desviam dos remanescentes das 3 mil obras que esburacam as ruas todo ano. E dos mil veículos que quebram todo dia. Nos 8 mil ônibus da cidade, há 6,67 passageiros por metro quadrado (média comemorada pela Prefeitura; até ano passado eram 10,86). E 200 mil pessoas se emburacam  nas estações do metrô. Na Avenida Paulista… Continue lendo “São Paulo não parou”

Nunca houve governo tão incompetente (14)

Dez anos depois de ter sido o cenário inaugural do escândalo do mensalão, os Correios experimentam mais uma crise marcada pela ingerência política que corrói estatais. Lucro em queda vertiginosa, preços controlados artificialmente, recorde de queixas por atrasos de encomendas, empregados com salários descontados para cobrir um déficit bilionário no fundo de pensão. Continue lendo “Nunca houve governo tão incompetente (14)”

O mistério dos primeiros serial killers

O viajante senta-se para jantar. Atrás dele uma pessoa se aproxima e dá-lhe uma martelada na têmpora. Ele cai. Aquela pessoa se inclina sobre ele e corta-lhe a garganta. Em seguida levanta um alçapão e joga o corpo no porão, entre várias poças de sangue ressequido. Continue lendo “O mistério dos primeiros serial killers”

Venezuela cerrada, Guiana open

LETHEM, REPÚBLICA DA GUIANA – O motorista de primeira viagem estranha ao dar de cara com a mudança logo depois da ponte Olavo Brasil, construída sobre o Tacutu, rio que demarca a fronteira entre Brasil e a Guiana. No fim da cabeceira, dentro do território guianense, o trânsito muda de mão, com tráfego pela esquerda, coisa que a grande maioria dos roraimenses (e dos demais brasileiros) só conhece pela TV e pelo cinema. Continue lendo “Venezuela cerrada, Guiana open”

Cerrado. Gracias y adiós

zzzzvenezuela1 Aduana de Santa Elena Foto JPavaniSANTA ELENA DE UAIRÉN, VENEZUELA – As ruas desta pequena cidade venezuelana, a primeira depois da fronteira, já não são mais o calçadão de milhares de roraimenses, a maioria dos frequentadores dos seus supermercados e de todo tipo de loja. A grande variedade de produtos importados, que faziam a festa dos que se aproveitavam dos preços e das facilidades do comércio formiga, sumiu. Principalmente os itens básicos de alimentação, higiene e limpeza, agora proibidos para os estrangeiros. Continue lendo “Cerrado. Gracias y adiós”

Viagem ao inferno bolivariano

Quem conheceu a Venezuela há 30 anos não a reconhece hoje, tamanhas e tão profundas são as mudanças na vida do país. Quando atravessei a fronteira pela primeira vez, o petróleo, cotado a preços estratosféricos, carreava bilhões de dólares para os cofres do governo e garantia uma fartura de produtos que chegavam do mundo todo. As importações só não eram maiores que a exportação do óleo cru que jorrava – e ainda jorra – das maiores reservas mundiais que se espalham pelo subsolo. Continue lendo “Viagem ao inferno bolivariano”

James Dean vem aÍ

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O Porsche Spyder 550 prateado, o número 130 pintado nas portas e no capô, estava ali. Os dois homens entraram prontos para uma viagem de sete horas. Estavam em Los Angeles, Califórnia, EUA, e partiriam para Salinas, no mesmo estado, para uma corrida de automóvel – era o dia 30 de setembro de 1955. Continue lendo “James Dean vem aÍ”

“Eram as mais puras crianças da Terra, jovens e boas”

O 15 de junho era um dia de verão perfeito, com céu azul, sol brilhando, alegria a bordo, crianças correndo em suas explorações, uma bandinha alemã tocando. A igreja havia pago US$ 350 pelo aluguel do barco, e os ingressos, aproximadamente mil, foram vendidos somente para adultos. Crianças tinham acesso livre, e as mães as levavam ou pediam a amigas que as acompanhassem. Foram mais de trezentas. Continue lendo ““Eram as mais puras crianças da Terra, jovens e boas””

O homem que queria ser presidente

O tempo é o senhor da razão. A verdade é filha do tempo. A primeira máxima é de autoria desconhecida; a segunda é atribuída a Marco Tulio Cicero (106 aC, 43 aC). Mas quanto tempo é preciso que escoe para que a razão e a verdade se revelem mais precisas e despidas de equívocos grosseiros sobre acontecimentos relevantes e também sobre pessoas que deles participaram? Continue lendo “O homem que queria ser presidente”

O primeiro Código de Postura que vingou em São Paulo

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Chegou à Câmara Municipal de São Paulo, por estes dias, o Plano Diretor que vai ditar rigorosas normas para o crescimento da cidade, a serem dribladas nos próximos 16  anos. No fim dos anos de 1800, quando o primeiro código surgiu, desobedecer era perigoso. Dava até cadeia.   Continue lendo “O primeiro Código de Postura que vingou em São Paulo”