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	<title>50 Anos de Textos &#187; Geléia Geral</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>“Podíamos ir para o México, você, o gato e eu”</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jul 2010 09:18:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[“De um orelhão em Vegas, Jessie liga às 5 da manhã Pra me dizer como está cansada deles todos. Ela diz: “Amor, ando pensando num trailer perto do mar. Nós podíamos ir para o México, você, o gato e eu. Vamos beber tequila e procurar conchinhas. E aí? Não seria bem gostoso?” Ah, Jessie, você [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“De um orelhão em Vegas, Jessie liga às 5 da manhã</em></p>
<p><em>Pra me dizer como está cansada deles todos.</em></p>
<p><em>Ela diz: “Amor, ando pensando num trailer perto do mar.</em></p>
<p><em>Nós podíamos ir para o México, você, o gato e eu.</em><span id="more-2268"></span></p>
<p><em>Vamos beber tequila e procurar conchinhas.</em></p>
<p><em>E aí? Não seria bem gostoso?”</em></p>
<p><em>Ah, Jessie, você sempre faz isso cada vez que eu consigo ficar melhor.”</em></p>
<p>Num dia de março deste ano, 2010, depois de beber algumas, acho que muitas, anotei na agenda: “Ouvi várias vezes uma bela música cantada pelo Marc Cohn, ‘Jessie’, e peguei a letra na internet. É uma maravilha. Vale tanto quanto uma dezena de filmes sobre pequenas tragédias conjugais.”</p>
<p>De lá para cá, ouvi “Jessie” de novo várias vezes, dezenas, talvez umas centenas – e a cada vez ficava mais absolutamente encantado com o brilho da canção.</p>
<p>“Jessie” vale tanto quanto dúzias de filmes, de livros, sobre pequenas tragédias conjugais. “Jessie” sintetiza, em cinco minutos, o que uns 20 grandes filmes noirs falaram sobre a femme fatale que arrasa a vida do pobre coitado do pato, do bobo, do camarada que se apaixona e cai de quatro.</p>
<p>E boa parte de “Jessie” não é absolutamente noir – é tudo colorido, o sonho com o mar, a praia dourada. Mas a paixão grande, absoluta, que a gente sabe que não vai dar certo, é noir puro.</p>
<p>“Jessie” é mais uma demonstração de que se pode fazer grande poesia numa letra de música pop.</p>
<p>É uma daquelas letras de música pop que são na verdade pequenos contos – uma narrativa concisa, curta, bem desenvolvida, de uma história interessante, forte, densa, impressionante.</p>
<p>Se Roland Barthes tivesse ouvido “Jessie”, seguramente teria incluído um trecho em seu <em>Fragmentos do Discurso Amoroso</em>.</p>
<p>O amor paixão fatal, o amor absoluto, o amor dependência, o amor em que a gente perde a noção, a loção, a razão, a nação – “Você é a minha única pátria”, diz o personagem de Sean Connery para o personagem de Michelle Pfeiffer em <em>A Casa da Rússia</em>, o romance thriller de espionagem do grande John Le Carré que retrata uma linda história de amor que termina às margens do Tejo.</p>
<p>Regina Lemos, que lia os <em>Fragmentos</em> mais vezes do que ouço “Jessie”, detestaria a canção; diria que é amor demais. Reclamava de qualquer sinal de amor demais – chegou a dizer que <em>I’m Your Man</em>, de Leonard Cohen, era apaixonado demais pelo amor, justo <em>I’m Your Man</em>, em que a ironia de Cohen está feroz como nunca.</p>
<p>Tendo tido a sorte grande de, depois de Regina, viver o amor em paz, e já lá se vão 20 anos, sinto frio na espinha ao lembrar que é possível a gente ser capaz do amor louco, paixão fatal, absoluto, dependência total, que o narrador de “Jessie” conta para o ouvinte.</p>
<p>Orra, meu, tadinho do narrador de “Jessie”.</p>
<p>Ele estava absolutamente, mas absolutamente apaixonado pela mulher. Dá para imaginar que vivia em função dela, do amor por ela; Jessie era o centro da vida dele, o Sol – ele era a coitada da Luazinha que dava voltas em torno do centro do mundo que não era ele. Não tinha existência própria, luz própria – era cegamente apaixonado pelo Sol da sua vida.</p>
<p>E aí Jessie, de repente, casca fora, vai pra Las Vegas, vai dar pra um monte de outros caras.</p>
<p>O camarada então sofre como um burro de carga, um sujeito na câmara de tortura. Come o pão que o diabo amassou, rala o chão, fica mais por baixo que cu de cobra – mas, depois de algum tempo, até porque não há nada que o tempo não cure, e o tempo passa, mesmo quando a gente acha que não passa nunca, ele consegue ficar de pé de novo.</p>
<p>E aí, quando ele começa a ficar de pé de novo, no momento em que ele começa a entender que dá para viver, a porra da bosta da Jessie liga, o mais inocentemente possível, como se nada tivesse acontecido, e diz que quer começar de novo.  </p>
<p>Em cinco minutos, com uma maravilhosa melodia, um ritmo quente, gostoso, “Jessie” desfia uma triste história de amor com uma beleza que poucos filmes, poucos romances, poucos poemas conseguem.</p>
<p>Não sou muito versado em música pop, em especial as mais novas – e, quando digo mais novas, me refiro a coisas feitas depois de meados dos anos 80, o que, para a maioria das pessoas, já é velharia. Cheguei a “Jessie” via Marc Cohn, que conheci por causa de “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=4JzuZW-Lcns">Walking in Memphis</a>”, aquela maravilha de se aplaudir de pé, à qual cheguei via <a href="http://www.youtube.com/watch?v=U0mL2gzy8dE">Cher</a>, outra maravilha para se aplaudir de pé sempre, através de séculos e séculos – não é à toa que dizem que, se houver uma guerra atômica, sobreviverão os insetos e Cher.  </p>
<p>Levei ainda um bom tempo para ver que “Jessie”, que Marc Cohn gravou belamente, na verdade é de Joshua Kadison, um sujeito de quem jamais tinha ouvido falar. Tenho que ir atrás das músicas de Joshua Kadison.</p>
<p>Se é que vou ter tempo. A vida é curta demais.</p>
<p>Sandra Rossanez que o diga.</p>
<p>Aqui vão dois maravilhosos clipes de &#8220;Jessie&#8221;; a gravação é a mesma, os clipes são parecidos, e no entanto diferentes:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=iElty90IPiw">http://www.youtube.com/watch?v=iElty90IPiw</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=gre4DZuA6k4">http://www.youtube.com/watch?v=gre4DZuA6k4</a></p>
<blockquote><p><em>13/7/2010</em></p>
<p><em><strong>Jessie</strong></em></p>
<p><em>Joshua Kadison</em></p>
<p><em>From a phone booth in Vegas, Jessie calls at 5 A.M.<br />
to tell me how she&#8217;s tired of all of them.<br />
She says, &#8220;Baby, I&#8217;ve been thinking &#8217;bout a trailer by the sea.<br />
We could go to Mexico&#8230; you, the cat and me.<br />
We&#8217;ll drink tequila and look for sea shells.<br />
Now, doesn&#8217;t that sound sweet?&#8221;<br />
Oh, Jessie, you always do this every time I get back on my feet.</em></p>
<p><em>Jessie paint your pictures &#8217;bout how it&#8217;s gonna be.<br />
By now I should know better, your dreams are never free.<br />
But tell me all about our little trailer by the sea;<br />
Jessie you can always sell any dream to me.<br />
Oh, Jessie, you can always sell any dream to me.</em></p>
<p><em>She asks me how the cat&#8217;s been. I say, &#8220;Moses he&#8217;s just fine<br />
but he used to think about you all the time.<br />
We finally took your pictures down off the wall.<br />
Oh, Jessie, how do you always seem to know just when to call?&#8221;<br />
She says, &#8220;Get your stuff together. Bring mose and drive real fast.&#8221;<br />
And I listen to her promise, &#8220;I swear to God this time it&#8217;s gonna last.&#8221;</em></p>
<p><em>Jessie paint your pictures &#8217;bout how it&#8217;s gonna be.<br />
By now I should know better, your dreams are never free.<br />
But tell me all about our little trailer by the sea;<br />
Jessie you can always sell any dream to me.</em></p>
<p><em>I&#8217;ll love you in the sunshine, lay you down in the warm white sand.<br />
And who knows, maybe this time things&#8217;ll turn out just the way you planned.</em></p>
<p><em>Jessie paint your pictures &#8217;bout how it&#8217;s gonna be.<br />
By now I should know better, your dreams are never free.<br />
But tell me all about our little trailer by the sea;<br />
Jessie you can always sell any dream to me.<br />
Oh, Jessie, you can always sell any dream to me. </em></p></blockquote>
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		<title>Sobre a Espanha, a secessão, a bestialidade</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 04:03:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[É estranho, irônico, que a Espanha tenha se tornado campeã do mundo, com, creio, seis jogadores do Barcelona, um dia depois que uma multidão de 1 milhão e 100 mil pessoas marcharam pelas ruas da cidade catalã numa demonstração que, a rigor, é secessionista, separatista, anti-Espanha. Durante alguns momentos logo depois da sofrida vitória da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É estranho, irônico, que a Espanha tenha se tornado campeã do mundo, com, creio, seis jogadores do Barcelona, um dia depois que uma multidão de 1 milhão e 100 mil pessoas marcharam pelas ruas da cidade catalã numa demonstração que, a rigor, é secessionista, separatista, anti-Espanha.<span id="more-2255"></span></p>
<p>Durante alguns momentos logo depois da sofrida vitória da Espanha em Johannesburgo, brinquei no Twitter que a Espanha é assim uma espécie de Minas Gerais, o Estado em que nasci. Se a gente pensar um pouco, vem a dúvida: o que é Minas Gerais, afinal? O Triângulo, que até quis virar Estado independente, é mezzo Goiás, mezzo São Paulo. O Sul de Minas é bastante paulista. Juiz de Fora se acredita fluminense – uma velha piada diz que as pessoas vendem carros em Juiz de Fora mais barato do que as tabelas devido à maresia. De Montes Claros para cima, é Bahia. A rigor, o que sobra de Minas Gerais?</p>
<p>Na Espanha não é brincadeira – no Norte, o País Basco se acha independente, e há mais de cinco décadas o ETA mata inocentes em defesa dessa idéia. A Catalunha exige autonomia, o país concede autonomia, mas a Catalunha quer mais, e mais, e mais, quer ser reconhecida como Estado, e, quando o Tribunal Constitucional da Espanha rejeita esse apelo, as multidões protestam, um dia antes de a seleção, metade dela jogando no time catalão, entrar no exclusivo clube de campeões do mundo.  </p>
<p>Não consigo compreender secessionismos, separativismos.</p>
<p>Babo com movimentos unionistas, os países europeus que já se guerrearam tantas vezes, ao longo de séculos e séculos, se unindo, alemães, franceses, ingleses e italianos tentando e conseguindo estabelecer um Estado acima dos Estados.</p>
<p>Não consigo compreender que os belgas queiram se dividir, acabar com o país de Jacques Brel, de Georges Simenon. Não consigo entender que escoceses queiram se separar dos ingleses. Tudo bem: entendo que parte dos irlandeses do Ulster queiram se separar dos ingleses, enquanto outra parte não queira. A Irlanda é complicada, complexa, assim como os povos das diversas etnias e nações dos Bálcãs, que a força do Marechal Tito e do regime comunista atrás dele obrigaram a se transformar em uma única nação – embora jamais vá ser possível compreender que, no momento do desmembramento da Iugoslávia, tenha havido tanta barbárie, como poucas vezes se viu ao longo dos séculos no mundo inteiro, uma barbárie do nível daquelas africanas, os massacres da etnia tutsi pelos hutus.</p>
<p>Que nações que foram sufocadas por algum tipo de imperialismo se revoltem contra o antigo opressor – como a Geórgia, a Ucrânia, a Chechênia -, dá para compreender.</p>
<p>Mas quando são partes de um Estado, com autonomia reconhecida, como o País Basco e a Catalunha na Espanha, como o País de Gales e a Escócia no Reino Unido, aí foge da minha capacidade de entendimento.</p>
<p>Secessionismo, separativismo, para mim, soa como coisa de tribo – jamais de nação em que a maioria freqüentou escola, alisou banco de escola.</p>
<p>Não é uma questão de utopia, de imaginar um mundo sem fronteiras, como sonhava no seu sonho mais louco o louco do John Lennon. É muito mais simples, mais prático, mais óbvio do que isso. Por que dividir mais do que já está dividido, meu Deus do céu e também da terra? Se não podemos ir em direção à utopia do mundo sem fronteiras, sem pátria, sem religião que separasse uns dos outros, por que, ao contrário, lutar pela separação?</p>
<p>Bem, mas acho que, quando comecei esta anotação, o que eu queria mesmo era só, apenas e tão somente indicar uns videozinhos.</p>
<p>Aí estão <a href="http://www.youtube.com/watch?v=CLfNXdycg9c&amp;NR=1">Joan Manoel Serrat, catalão, e Ana Belén, castelhana</a>, que eu saiba, cantando juntos em catalão.</p>
<p>E aí estão eles mesmos, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fLncb1lu56E">um dos maiores compositores espanhóis, uma das maiores cantoras espanholas</a>, cantando junto em castellano, espanhol.</p>
<p>Podemos falar línguas diversas, podemos ter peles de cores diferentes, mas, caralho, somos uma mesma e única raça.</p>
<blockquote><p> <em>11/7/2010      </em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Um dos mais belos versos</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2010/06/21/um-dos-mais-belos-versos/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Jun 2010 19:34:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[“E eu trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem.” Não entendo nada de poesia. Li muito menos poesia do que deveria ter lido; sou pouquíssimo, quase nada culto. Mas já faz tempo que fico pensando que qualquer poeta grande gostaria de ter escrito esse verso. É um dos mais belos versos que já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“E eu trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem.”<span id="more-2106"></span></p>
<p>Não entendo nada de poesia. Li muito menos poesia do que deveria ter lido; sou pouquíssimo, quase nada culto. Mas já faz tempo que fico pensando que qualquer poeta grande gostaria de ter escrito esse verso.</p>
<p>É um dos mais belos versos que já ouvi na vida.</p>
<p>Milton Nascimento não se cansa de contar a história: quando ouviu <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OyL7Z1jlwQw ">“Ebony and Ivory”</a> (“ébano e marfim vivem em perfeita harmonia nas teclas do meu piano – ó Deus, por que nós não?”), teve um acesso de raiva. Em mil oportunidades, Miltão conta a história. Olhou para o piano, furioso, e pensou coisas do tipo: pô, mas isso está aqui na minha frente, na minha cara, o tempo todo – por que eu não tive essa idéia antes? E usou a raiva, a fúria, para escrever – ele, homem da melodia, poucas vezes chegado a fazer letra de música – belos versos: “Certas canções que ouço cabem tão dentro de mim / que perguntar carece: como não fui eu que fiz?”</p>
<p>Não sou artista, não sou poeta, não sou escritor – mas gosto de texto, sou apaixonado por texto. A rigor, juntar palavras é a única coisa que sei fazer na vida, e foi com isso que consegui pagar as contas. Quem não sabe fazer nenhuma outra coisa na vida a não ser escrever algumas frases que façam sentido e não tenham erros gramaticais pode muito bem virar jornalista, e foi isso que fiz.</p>
<p>Exatamente por isso, por viver de texto, é que posso dizer: dá uma inveja danada quando a gente vê a frase perfeita. Como Miltão teve inveja ao ouvir a frase perfeita de Paul McCartney.</p>
<p>Se eu fosse Miltão, Paul McCartney, até mesmo se eu fosse Bob Dylan, morreria de inveja do sujeito que criou esta frase: “And I’d trade all my tomorrows for a single yesterday / holding Bobby’s body next to mine”.</p>
<p>Filhos da mãe.</p>
<p>Para mim, &#8220;Me and Bobby McGhee&#8221; é uma obra-prima. É uma das mais belas canções pop de todos os tempos.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/06/janis.png"><img class="alignleft size-full wp-image-2114" title="janis" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/06/janis.png" alt="" width="300" height="301" /></a>Há trocentas versões da canção – algumas puxam mais para o blues, outras para o country, outras para o folk. Há até uma versão que a transforma quase numa música africana – uma versão sensacional, extraordinária, da <a href="http://www.youtube.com/watch?v=P25NeHCuFPo">cantora ugandense Angela Kalule</a>, com um delicioso sotaque; toca na trilha sonora do filme <em><a href="http://50anosdefilmes.com.br/2007/o-ultimo-rei-da-escocia-the-last-king-of-scotland/">O Último Rei da Escócia</a></em>. Fez um tremendo sucesso na voz de Janis Joplin, esse cometa maluco, talvez a única texana que tenha bebido mais cachaça do que George W. Bush (embora não tenha matado ninguém, a não ser ela própria), mas gente de todos os estilos, ao longo de várias décadas, quiseram fazer sua própria interpretação. A melodia sensacional se adapta bem a todos os estilos.</p>
<p>É uma bela, deliciosa, melodia. Mas a letra&#8230;</p>
<p>Que coisa impressionante.</p>
<p>Existe mesmo uma coisa que é um brilho de gênio – um momento muito especial em que uma coisa especialmente grande é criada. &#8220;Me and Bobby McGhee&#8221; é uma delas. Numa pesquisinha rápida, não consegui saber quem fez o quê, se Kris Kristofferson fez a música e Fred Foster fez a letra, ou vice-versa, ou se os dois, juntos e ao vivo, fizeram tudo, mas o fato é que foi num spark of genius.</p>
<p>A letra é como se fosse um filme. Mais que um poema, ou uma letra de canção, é um filme, um filme brilhante. É daqueles filmes que não explicam muito sobre o passado dos personagens – na verdade, não se explica absolutamente nada. Pega os personagens em uma certa altura de suas vidas, e o espectador-ouvinte que imagine o que bem quiser, que preencha as lacunas. Quando a ação começa, o casal está prestes a viajar – sim, é um road movie. O narrador pensa em pegar um trem, uma carona em um trem, viajar como clandestino em um trem, uma das mais fundas tradições da canção popular americana antiga, mas sua companheira, a Bobby McGhee do título, faz o sinal característico de carona e pára um imenso caminhão. E, na boléia do caminhão, vão os três, o narrador, a moça que viaja com ele e o motorista, cantando todas as músicas que conhecem.</p>
<p>Não sabemos como o narrador e Bobby McGhee se conheceram, há quanto tempo estão juntos. É um filme que deixa a história em aberto, é um clip, é uma canção pop com narrativa  cinematográfica. Logo no início já há um verso de fazer babar qualquer pessoa que gosta de palavras:</p>
<p>“Feelin’ nearly as faded as my jeans”.</p>
<p>Ah, cacilda, já não bastava os caras terem escrito o verso ““And I’d trade all my tomorrows for a single yesterday”, eles ainda por cima dizem isso? Mas aí é sugar muita inspiração das musas todas, é covardia, é sacanagem.</p>
<p>“Me sentindo tão desbotado quanto meu jeans.”</p>
<p>É muito brilho demais!</p>
<p>E então estão lá o narrador e Bobby McGhee na estrada, e andam, e viajam de Estado até outro Estado, e de repente, como na vida real, como pode acontecer na vida de todo mundo, e acontece, záp – de repente, o casal acaba. Bobby McGhee se manda.</p>
<p>E aí o filho da mãe do narrador, depois de perder a mulher nos caminhos da vida, fala a frase: “And I’d trade all my tomorrows for a single yesterday / holding Bobby’s body next to mine”.</p>
<p>“E eu trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem com Bobby perto de mim.”</p>
<p>Mas tem mais. Esse verso é o ápice, o apogeu, mas tem mais. Kris Kristofferson e Fred Foster discutem ainda o que significa liberdade – um dos conceitos que, até aqui, pareciam mais claros, mais nítidos de todos os conceitos. Eles dizem o seguinte, na letra da canção-filme: “Freedom’s just another word for nothin’ left to lose: nothin’ ain’t worth nothin’ but it’s free”.</p>
<p>É absolutamente extraordinário. Liberdade, então, significa não ter mais nada a perder. Livre é quem não tem nada, coisa alguma. Que maravilha, que beleza, isso. É uma espécie assim de volta ao socialismo utópico, o sonho, o jeito de enxergar o mundo de uma maneira melhor – o contrário do que fazem na prática os que fingem que querem isso, tipo Stálin, Lula, Mao.</p>
<p>Não sei se Shakespeare, Browning, Frost, Dickinson, Yeats teriam inveja de Kristofferson-Foster. Eu morro de inveja – e de prazer de ouvir, e ouvir de novo essa maravilha.</p>
<p>Mas tenho cá pra mim que Bob Dylan, Paul Simon, Leonard Cohen, Randy Newman, Joni Mitchell, como Miltão, devem ficar se perguntando: como não fui eu que fiz?</p>
<p>Algumas versões no YouTube:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=xYFhWV8--io">Janis Joplin, em fotos</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=N8O0GgcenVU">Gordon Lightfoot, em fotos</a></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Ig-STFXX_eQ">Kris Kristofferson, com Elvis Costello, Norah Jones, Roseanne Carter, John Cougar Mellancamp</a>,  </p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=XnhAX8BARBs&amp;feature=related">Johnny Cash</a></p>
<blockquote><p><em>21/6/2010</em></p>
<p><em>A letra:</em></p>
<p><em>Me and Bobby McGhee</em></p>
<p><em> Busted flat in Baton Rouge, headin&#8217; for the train,<br />
Feelin&#8217; nearly faded as my jeans.<br />
Bobby thumbed a diesel down, just before it rained;<br />
Took us all the way to New Orleans.<br />
I took my harpoon out of my dirty red bandanna,<br />
And was blowing sad while Bobby sang the blues.<br />
With them windshield wipers slappin&#8217; time,<br />
And Bobby clappin&#8217; hands,<br />
We finally sang up every song that driver knew.</p>
<p>Freedom&#8217;s just another word for nothing&#8217; left to lose:<br />
Nothin&#8217; ain&#8217;t worth nothin&#8217; but it&#8217;s free.<br />
Feeling good was easy, Lord, when Bobby sang the blues.<br />
Feeling good was good enough for me;<br />
Good enough for me and Bobby McGee.</p>
<p>From the coal mines of Kentucky to the California sun,<br />
Bobby shared the secrets of my soul.<br />
Standin&#8217; right beside me, Lord, through everything I&#8217;ve done,<br />
Every night she kept me from the cold.<br />
Then somewhere near Salinas, Lord, I let her slip away,<br />
Lookin&#8217; for the home I hope she&#8217;ll find.<br />
And I&#8217;d trade all my tomorrows for a single yesterday,<br />
Holdin&#8217; Bobby&#8217;s body next to mine.</p>
<p>Freedom&#8217;s just another word for nothing&#8217; left to lose:<br />
Nothin&#8217; left is all she left for me.<br />
Feeling good was easy, Lord, when Bobby sang the blues.<br />
Buddy, that was good enough for me;<br />
Good enough for me and Bobby McGee.</em></p>
<p><em> </em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Canções doces, violões suaves</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 05:19:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha maior paixão musical na primeira década dos anos 2000 foi e é Kate Wolf. Kate Wolf é hoje um dos meus maiores ídolos na música. No mesmo patamar de Nara, Dylan, Joan Baez, Moustaki, Caetano, Cat Stevens/Yusuf, Paul McCartney, Noel, Caymmi, Luiz Gonzaga, Endrigo, Neil Young, Leonard Cohen, Serrat. Quando fico em dúvida sobre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minha maior paixão musical na primeira década dos anos 2000 foi e é Kate Wolf.<span id="more-1736"></span></p>
<p>Kate Wolf é hoje um dos meus maiores ídolos na música. No mesmo patamar de Nara, Dylan, Joan Baez, Moustaki, Caetano, Cat Stevens/Yusuf, Paul McCartney, Noel, Caymmi, Luiz Gonzaga, Endrigo, Neil Young, Leonard Cohen, Serrat.</p>
<p>Quando fico em dúvida sobre o que ouvir, em geral pego um disco de Kate Wolf. Ela me acalma, me faz mais feliz.</p>
<p>Com a vantagem de que, sempre que toca uma música de Kate Wolf, Mary agradece pela escolha.</p>
<p>Pouca gente conhece Kate Wolf aqui. Na verdade, acho que pouca gente conhece Kate Wolf fora do circuito da folk music americana, em qualquer lugar do mundo.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/kate1.jpg"></a><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/kate2.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1802" title="kate2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/kate2.jpg" alt="" width="383" height="336" /></a>Gostaria muito de escrever um bom texto sobre Kate Wolf. Penso nisso faz anos; pretendo fazer isso um dia. Mas, enquanto não faço, por preguiça, incompetência, ou porque a tarefa é grande demais, pensei em fazer um textinho de <a href="http://50anosdetextos.com.br/tag/geleia-geral/">Geléia Geral</a> sobre ela – um texto pequeno, descompromissado, só para dar uma dica, uma indicação.</p>
<p>Parece pretensioso, achar que dar uma dica aqui, num sitezinho/blog de uns 70 acessos diários, pode resultar em alguma coisa. Acho que, de fato, por um lado, é mesmo pretensioso. Mas, como o YouTube é mais ou menos como o deserto de Saara, tem tanta coisa quanto o Saara tem de grãos de areia, fico pensando que, se uma ou duas pessoas ficarem conhecendo Kate Wolf por causa deste post, já terei feito algum bem na vida.</p>
<p>Embora com multidecibilhões de grãos de areia, o YouTube não tem as canções que eu consideraria básicas, cartões de visita para quem não conhece Kate Wolf; não achei lá “Cornflower Blue”, nem “Katie and the Dreamtime Land”, a canção que Eric Bogle escreveu em homenagem a ela, em que faz a definição perfeita do som de Kate Wolf: sweet songs with soft guitars.</p>
<p>Mas achei uma pérola: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6uQNRTnsntY">uma apresentação ao vivo de Nanci Griffith</a>, na época do lançamento de seu disco <em>Other Voices, Other Rooms</em>, de 1993 &#8211; um disco maravilhoso, em que ela tem como convidados absolutamente especiais Odetta, Chet Atkins, Alison Krauss, Arlo Guthrie, e, sim, Bob Dylan.</p>
<p>No filmete que está no YouTube, vemos Emmylou Harris subindo as escadas dos camarins até o palco enquanto Nanci Griffith diz o seguinte para público:</p>
<p>- “Esta canção foi escrita por uma mulher que inspirou um monte de gente a ser compositor, e quando ela morreu, tão prematuramente, em 1986, todos nós sentimos muito a falta dela, e na véspera do ano novo, conversando com Emmylou Harris sobre a música dela, fiquei inspirada em ir em frente e fazer este disco, começando com uma canção dela.”</p>
<p>E aí Nanci Griffith anuncia que vai cantar a canção de Kate Wolf com Emmylou Harris, e a ovação a Emmylou é tão imensa que a dona do espetáculo até sobe a voz para dizer que, na música que apresentarão em seguida, terão também o acompanhamento de duas pessoas que tocaram com Kate, uma delas a multi-instrumentista Nina Garbor – uma figuraça extraordinária, baixinha, atarracadinha, feinha, uma música e uma figura extraordinárias.</p>
<p>E aí temos <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6uQNRTnsntY ">a apresentação de “Across the Great Divide”</a>. (A letra da canção vai abaixo neste post.) Essa apresentação é uma maravilha – a música é uma das dezenas de belas canções que Kate compôs, mas essa versão é especialmente fascinante, até porque a convidada especial de Nanci Griffith é muito mais famosa do que ela própria. Não conheço as coisas modernas, mas Nanci Griffith chamar Emmylou Harris para fazer a segunda voz é mais ou menos assim como Lady Gaga chamar Madonna, ou, exagerando, só para mostrar o espírito da coisa, Maria Gadu chamar Roberto Carlos.</p>
<p> Tem que ser muito fera, uma cantora que chama outra muito mais famosa para fazer a segunda voz. Nanci Griffith fez isso, para apresentar a canção escrita por Kate Wolff.</p>
<p>Tenho a impressão de que, ao fazer isso, Nanci Griffith prestou a maior homenagem que seria possível fazer a Kate Wolf.</p>
<p>Tento fazer aqui uma pequena homenagem às duas, Nanci e Kate.</p>
<p>Não achei no YouTube a mesma música, “The Great Divide”, cantada por Kate. Kate morreu cedo demais, muito menos conhecida do que deveria. As imagens que foram feitas dela são quase amadoras.</p>
<p> As imagens amadoras que Kate deixou são mais belas do qualquer coisa que se possa imaginar. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=udRFQOsrjpU">Aí vai um exemplo</a>.</p>
<p>E aí, depois de botar no ar este post um tanto ilógico, um tanto bêbado, um tanto sem sentido, me lembrei de um verso de Dylan que dói e espanta. É de uma canção de 1974, a época em que ele estava se separando de Sara. “In this time of fiberglass, I keep looking for a gem.”</p>
<p>Kate é exatamente isso: uma gema, uma pérola, nesta época de fibra de vidro.</p>
<blockquote><p><em>Abril de 2010</em></p>
<p><em>Aí vai a letra de &#8220;Across the Great Divide&#8221;, de Kate Wolf:</em></p>
<p> <em>I&#8217;ve been walkin&#8217; in my sleep<br />
Countin&#8217; troubles &#8216;stead of countin&#8217; sheep<br />
Where the years went I can&#8217;t say<br />
I just turned around and they&#8217;ve gone away</em></p>
<p>I&#8217;ve been siftin&#8217; through the layers<br />
Of dusty books and faded papers<br />
They tell a story I used to know<br />
And it was one that happened so long ago</p>
<p>Chorus:<br />
It&#8217;s gone away in yesterday<br />
Now I find myself on the mountainside<br />
Where the rivers change direction<br />
Across the Great Divide</p>
<p>Now, I heard the owl a-callin&#8217;<br />
Softly as the night was fallin&#8217;<br />
With a question and I replied<br />
But he&#8217;s gone across the borderline</p>
<p>Chorus</p>
<p>The finest hour that I have seen<br />
Is the one that comes between<br />
The edge of night and the break of day<br />
It&#8217;s when the darkness rolls away</p>
<p>Chorus</p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Depois que o amor acaba</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2010/04/09/depois-que-o-amor-acaba/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 00:07:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Há 200 milhões de filmes e livros e canções sobre como o amor começa. Este é o tema básico da imensa maioria das comédias românticas, dos dramas, de quase tudo: o encontro, o começo do amor. Há bem menos filmes e livros e canções sobre o que acontece depois que o amor acaba. “O amor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há 200 milhões de filmes e livros e canções sobre como o amor começa. Este é o tema básico da imensa maioria das comédias românticas, dos dramas, de quase tudo: o encontro, o começo do amor. Há bem menos filmes e livros e canções sobre o que acontece depois que o amor acaba.<span id="more-1629"></span></p>
<p>“O amor acaba”, escreveu Paulo Mendes Campos “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas.”</p>
<p>Bem-aventuradas sejam as pessoas de belo texto.</p>
<p>Me fascinam os relatos sobre o que acontece depois da separação.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/chapo1.jpg"></a><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/chapo2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1645" title="chapo" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/chapo2-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Acho fantástica, melancolicamente divertida e escrachadamente sem vergonha a versão do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=j7b_oBnQRqw">cantor mexicano El Chapo de Sinaloa na canção “Para que regresses”</a>: “Que não encontres um amor terno e sincero, que cada homem que apareça pelo teu caminho seja um estúpido, que apenas use teu corpo; que quando peças perdão te ignorem sempre, que te ofendam, que te humilhem dia a dia, noite após noite até que chores, que tu estejas triste e não te dêem consolo, que te arrastem no chão. Para que regresses, para que fiques comigo”.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/chapo.jpg"></a>Quando ouvi essa música, pensei: cacilda, comparado com isso, as letras do Lupicínio são ternas, suaves, amorosas, anti-machistas.</p>
<p>Claro que o Chapo de Sinaloa – ao contrário de Lupicínio, que é um doido de um machista – está brincando. (Será?) Mas, na gozação dele, fez o perfeito hino do mal amado que deseja o pior para o amor que acabou.</p>
<p>Em “Que Tinguem Sort”, Lluis Llach fez o oposto – fez o hino do amor ao ex-amor. Escreveu naquela língua impossível de se compreender, o catalão, mas felizmente é possível achar a tradução para o espanhol, e a partir daí se entender o que ele diz. E o que ele diz é uma maravilha. Se continuarem juntos, “que o sol faça o dia muito maior, e assim roubarão tempo do tempo de um relógio parado”.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lluis.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1646" title="lluis" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/lluis-300x245.jpg" alt="" width="300" height="245" /></a>Mas, se o amor acabar, se ela disser adeus, ele deseja sorte, felicidade, à mulher que amou, e também ao homem que ela escolher. “Se você me disser adeus, quero que o dia seja límpido e claro, que nenhum pássaro rompa a harmonia de seu canto. Que você tenha sorte, e que encontre o que faltou para você em mim.”</p>
<p>É muito diferente de “Olhos nos Olhos”, a música feminista de Chico falando sobre a mulher se libertando do marido, começando nova vida. A mulher que se liberta do marido possessivo, machista, filho da puta, da música de Chico, está querendo vingança, quase como o amante abandonado de Lupicínio. É irônica; quer ferir o ex-amante com as mesmas armas que o ex-amante usava contra ela.</p>
<p>O amante da canção de Lluís Llach &#8211; que ainda não foi abandonado, mas imagina a possibilidade de um dia vir a ser &#8211; não é irônico, não é agressivo. Ele é o homem novo – não o sonhado pelos comunistas, mas o desejado pelas feministas, por quem quer de fato mudar a vida, o mundo. O anti-machista, o anti-possuidor, o anti-dono – o que está ao lado da companheira, e não acima ou contra ela.</p>
<p>Há diversas versões da maravilhosa canção de Llach no youtube. Eu convidaria o eventual leitor destas mal traçadas a ver duas – <a href="http://www.youtube.com/watch?v=UDWVA4ZyB_I">uma gravação nos anos 70, com a platéia ainda não familiarizada com a música</a>, e <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VAlqaXu_G5A&amp;feature=related">outra feita em 2007, em que as pessoas sorriem, cantam junto, aplaudem, piscam isqueiros – são felizes</a>. É emocionante, é de arrepiar. Além da extraordinária beleza da música, é uma maravilha ver o tempo passar, o salto dos anos 70, Llach jovem, lindo, a platéia jovem, linda, para agora há pouco, Llach maduro, lindo, a voz mais solta, mais ampla, a platéia toda madura, linda &#8211; algumas pessoas não sabem, não vão entender isso nunca, mas é uma maravilha ficar mais maduro, mais velho, porque, nesse processo, é possível também a gente ficar um pouquinho mais sábio.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Te desejo saúde, e, mais do que riqueza, te desejo amor&#8221;</strong></p>
<p>Um sujeito chamado Albert Beach criou, em cima da melancólica, saudosista canção do grande Charles Trenet (<em>foto</em>) “Que reste-t-il de nos amours?”, uma letra que não tem nada a ver com o original francês, mas é também belíssima, no mesmo tom da canção de Llach. Como escreveu em inglês, o mundo inteiro conhece, há trocentas gravações diferentes de “I Wish You Love”. Ainda bem.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/trenet.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1648" title="trenet" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/trenet.jpg" alt="" width="185" height="242" /></a>“Te desejo pássaros na primavera, que dêem a teu coração uma canção para cantar, e então um beijo, mas mais que isso, te desejo amor. Meu coração partido e eu concordamos: tu e eu não poderíamos nunca ser. Então, com meu melhor, meu muito melhor, te deixo livre. Te desejo um abrigo para a tempestade, uma lareira confortável para te manter aquecida, mas sobretudo, quando a neve cair, te desejo amor. Te desejo saúde, e, mais do que riqueza, te desejo amor.”</p>
<p>Ah, cacilda, o sujeito que escreveu isso merece poltrona especial no céu, à direita do Criador. </p>
<p>Entre as várias versões de “I Wish You Love” no youtube, há uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ne9J3EgprYw">apresentação de Judy Garland na TV, provavelmente nos anos 50, ou início dos 60</a>, e uma gravação bem mais recente, de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=9-hda-yZvEE">Rachel Yamagata, que encerra, da melhor maneira que seria possível, o filme <em>Terapia do Amor/Prime</em></a>, uma das grandes comédias românticas que já foram feitas. Quando um belo filme encontra uma bela canção, é das coisas mais perfeitas que pode haver. Naturalmente, o último clip citado é um spoiler para quem ainda não viu o filme: são, de fato, as últimas tomadas, e mais os créditos finais.</p>
<p>As íntegras das letras das três canções estão mais abaixo. Pode-se, usando o scroll, ir para lá rapidinho, pulando uma rápida confissão que faço em seguida.  </p>
<p style="text-align: center;"><strong>Um orgulho e uma sorte grandes</strong></p>
<p>Era adolescente, tinha uns 14 ou 15 anos, quando me apaixonei perdidamente pelo texto de Paulo Mendes Campos, publicado na revista <em>Manchete</em>. (Sim, naquele tempo alguns adolescentes davam uma olhada na revista <em>Manchete</em>.) A noção de que o amor acaba me pegou quando estava tendo as primeiras paixonites, as paixões de adolescente, e as paixões adolescentes são muitas, são múltiplas, são várias às vezes ao mesmo tempo. Entre os 13 e os 14 e os 15 amei perdidamente umas seis, sete moças – uma delas, achava que era o Grande Amor. Depois de grande amei, claro, outras mulheres – muitas, graças a Deus.</p>
<p>Um dos maiores orgulhos que tenho na vida é que, depois que o amor acaba, o amor não acaba: há amor na amizade. Gosto demais das mulheres que amei, e muitas delas gostam de mim.</p>
<p>Tenho pouquíssimos orgulhos, mas tive muitas sortes. Uma delas é que o amor derradeiro, a mulher que trouxe o amor em paz, tem o dom de conviver bem com as mulheres que amei e que são minhas amigas e acabam ficando amigas dela também.</p>
<p>O amor acaba – e no entanto por que não continuar mesmo depois do fim?</p>
<blockquote><p><em>Abril de 2010, depois de ver </em>Um Namorado para Minha Esposa<em>, comedinha romântica do argentino Juan Taratuto. </em></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>As íntegras das canções e da crônica</strong></p>
<p><strong>Para que regresses</strong></p>
<p><em>Por Gabriel Flores e Máximo Aguirre</em></p>
<p>Que no encuentres un amor tierno y sincero</p>
<p>Que cada hombre que aparezca en tu camino sea un estúpido</p>
<p>Que solo usen tu cuerpo</p>
<p>Que cuando pidas perdón siempre te ignoren</p>
<p>Que te ofendan</p>
<p>Que te humillen día a día noche a noche hasta que llores</p>
<p>Que estés triste y que no te den consuelo</p>
<p>Que te arrastren por el suelo</p>
<p> (Coro)</p>
<p> Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Que nunca encuentres quien te puede amar</p>
<p>Por eso lo digo</p>
<p>Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Ojala que nadie te ame como yo</p>
<p>Para que regreses</p>
<p>Que cuando pidas perdón siempre te ignoren</p>
<p>Que te ofendan</p>
<p>Que te humillen día a día noche a noche hasta que llores</p>
<p>Que estés triste y que no te den consuelo</p>
<p>Que te arrastren por el suelo</p>
<p> (Coro)</p>
<p> Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Que nunca encuentres quien te puede amar</p>
<p>Por eso lo digo</p>
<p>Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Ojala que nadie te ame como yo</p>
<p>Para que regreses</p>
<p>Que estés triste y que no te den consuelo</p>
<p>Que te arrastren por el suelo</p>
<p>(Coro)</p>
<p>Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Que nunca encuentres quien te puede amar</p>
<p>Por eso lo digo</p>
<p>Para que regreses, para que te quedes conmigo</p>
<p>Ojala que nadie te ame como yo</p>
<p>Para que regreses</p>
<p> <strong>Que tinguem sort</strong></p>
<p><em>Por Lluis Llach</em></p>
<p>(tradução do catalão para o espanhol)</p>
<p> Si me dices adiós</p>
<p>quiero que el día sea limpio y claro,</p>
<p>que ningún pájaro</p>
<p>rompa la armonía de su canto.</p>
<p>Que tengas suerte</p>
<p>y que encuentres</p>
<p>lo que te ha faltado en mí.</p>
<p>Si me dices  te quiero</p>
<p>que el sol haga el día mucho más largo,</p>
<p>y así robar</p>
<p>tiempo al tiempo de un reloj parado.</p>
<p>Que tengamos suerte,</p>
<p>que encontremos</p>
<p>todo lo que nos faltó ayer.</p>
<p>Que mañana faltará el fruto de cada paso</p>
<p>para ganar lo que todos hemos</p>
<p>esperado estos años.</p>
<p>Cada paso nos acerca más al mañana</p>
<p>y por esto a pesar de la niebla, hay que andar.</p>
<p>Si vienes conmigo</p>
<p>no pidas un camino llano</p>
<p>ni estrellas de plata</p>
<p>ni una mañana llena de promesas,</p>
<p>solamente</p>
<p>un poco de suerte</p>
<p>y que la vida nos dé un camino</p>
<p>bien largo.</p>
<p> <strong>I Wish You Love</strong></p>
<p><em>Por Charles Trenet, versão de Albert Beach<strong></strong></em></p>
<p>I wish you bluebirds in the spring</p>
<p>To give your heart a song to sing</p>
<p>And then a kiss, but more than this</p>
<p>I wish you love</p>
<p>And in July a lemonade</p>
<p>To cool you in some leafy glade</p>
<p>I wish you health</p>
<p>But more than wealth</p>
<p>I wish you love</p>
<p>My breaking heart and I agree</p>
<p>That you and I could never be</p>
<p>So with my best</p>
<p>My very best</p>
<p>I set you free</p>
<p>I wish you shelter from the storm</p>
<p>A cozy fire to keep you warm</p>
<p>But most of all when snowflakes fall</p>
<p>I wish you love</p>
<p>But most of all when snowflakes fall</p>
<p>I wish you love</p>
<p><strong>O amor acaba</strong></p>
<p><em>Por Paulo Mendes Campos</em></p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/paulo.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1650" title="paulo" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/04/paulo.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a>O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.</p></blockquote>
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		<item>
		<title>Almodóvar e Vargas Llosa entre os 13 mil pela libertação dos presos políticos cubanos</title>
		<link>http://50anosdetextos.com.br/2010/03/17/almodovar-e-vargas-llosa-entre-os-13-mil-pela-libertacao-dos-presos-politicos-cubanos/</link>
		<comments>http://50anosdetextos.com.br/2010/03/17/almodovar-e-vargas-llosa-entre-os-13-mil-pela-libertacao-dos-presos-politicos-cubanos/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 16:39:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://50anosdetextos.com.br/?p=1418</guid>
		<description><![CDATA[A carta aberta pedindo a liberação dos presos políticos cubanos que começou a circular na internet na sexta-feira, dia 12 de março, reuniu, em apenas cinco dias, mais de 13 mil assinaturas, em 84 países do mundo. Entre os nomes de cidadãos comuns de Porto Rico, Cuba, Espanha, México, Estados Unidos, Andorra, Alemanha, Canadá, Suíça, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A carta aberta pedindo a liberação dos presos políticos cubanos que começou a circular na internet na sexta-feira, dia 12 de março, reuniu, em apenas cinco dias, mais de 13 mil assinaturas, em 84 países do mundo.<span id="more-1418"></span></p>
<p>Entre os nomes de cidadãos comuns de Porto Rico, Cuba, Espanha, México, Estados Unidos, Andorra, Alemanha, Canadá, Suíça, Chile, Panamá, Equador, Portugal, Bolívia, França, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, San Marino, Honduras, Itália, Finlância, Peru, Brasil, há os de personalidades como Pedro Almodóvar, Mario Vargas Llosa, Maria Conchita Alonso, Paquito D&#8217;Rivera, Andy Garcia.</p>
<p>O site que traz a carta chama-se <a href="http://orlandozapatatamayo.blogspot.com/">Orlando Zapata Tamayo – Yo Acuso el Gobierno Cubano</a>. No alto da página, à direita, há um título: “<a href="http://firmasjamaylibertad.com/ozt/">Firma Aqui</a> por la excarcelación imediata de los presos políticos cubanos”. O site traz diversas notícias a respeito dos protestos, em Cuba e ao redor do mundo, contra a ditadura dos irmãos Castro e a situação dos prisioneiros políticos no país. (Na<em> foto da agência Reuters</em>, manifestação das Damas de Branco, mulheres de dissidentes presos, na terça-feira, dia 16 de março, em Havana.)</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cubareuters.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1423" title="cubareuters" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/03/cubareuters-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>Pode não levar a qualquer resultado prático – mas é um fato político, é algum tipo de pressão contra a ditadura cubana. É melhor que o silêncio. E, obviamente, muito melhor que a cumplicidade canina, vergonhosa, do governo Lula.</p>
<p> Este site aqui é menor que um grão de areia, não tem visibilidade, é lido por alguns poucos amigos – mas é a arma que tenho para ajudar, nem que seja o mínimo dos mínimos.</p>
<p> Eis o texto da carta aberta:</p>
<p><strong><em>Pela libertação dos presos políticos</em></strong></p>
<p><em>Pela libertação imediata e sem condições de todos os presos políticos das prisões cubanas; pelo respeito ao exercício, promoção e defesa dos direitos humanos em qualquer parte do mundo; pelo decoro e o valor de <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/03/10/ou-e-idiota-ou-nao-tem-carater-ou-perdeu-o-juizo/">Orlando Zapata Tamayo</a>, injustamente preso e brutalmente torturado nas prisões cubanas, morto após greve de fome por denunciar estes crimes e a falta de liberdade e democracia no seu país; pelo respeito à vida dos que correm o risco de morrer como ele para impedir que o governo de Fidel e Raul Castro continue eliminando fisicamente aos seus opositores pacíficos, levando-os a cumprir condenações injustas de até 28 anos por &#8220;delitos&#8221; de opinião; pelo respeito à integridade física e moral de cada pessoa, assinamos esta carta, e encorajamos a assiná-la também, a todos os que elegeram defender a sua liberdade e a liberdade dos outros.</em></p>
<blockquote><p><em>Pela transcrição, Sérgio Vaz</em></p>
<p><em>São Paulo, 17 de março de 2010</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Que os anjos recebam bem Jean Ferrat</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 05:52:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[A voz de Jean Ferrat é belíssima. É uma voz grande, poderosa, cheia, envolvente. O timbre – essa coisa pessoal, única, como a impressão digital – é bonito, é nobre, é rico. O timbre de voz é um dom. As pessoas podem aprender a cantar. Podem aprender respiração, podem aperfeiçoar a entonação, a afinação, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A voz de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=tNGlMWwqdF4&amp;feature=related">Jean Ferrat</a> é belíssima. É uma voz grande, poderosa, cheia, envolvente. O timbre – essa coisa pessoal, única, como a impressão digital – é bonito, é nobre, é rico.<span id="more-1362"></span></p>
<p>O timbre de voz é um dom.</p>
<p>As pessoas podem aprender a cantar. Podem aprender respiração, podem aperfeiçoar a entonação, a afinação, a extensão.</p>
<p>Timbre não se aprende. É um dom.</p>
<p>Jean Ferrat tinha o dom. Como – meu Deus, a comparação é difícil, mas vamos tentar – Bing Crosby, Frank Sinatra, Nina Simone, <a href="http://50anosdetextos.com.br/1995/11/25/orlando-silva-para-ouvidos-sensiveis/">Orlando Silva</a>, Nelson Gonçalves, Milton Nascimento, <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/04/03/joan-baez-volume-1-uma-trajetoria-luminosa/">Joan Baez</a>, <a href="http://50anosdetextos.com.br/2007/08/23/a-volta-do-dom-divino-que-a-fe-em-ala-calou/">Cat Stevens</a>.</p>
<p>Há excelentes cantores (falo de cantores populares; não sei absolutamente nada sobre os eruditos, os líricos) que não têm esse grande timbre de voz, não têm esse dom, mas são capazes de cantar maravilhosamente. Sabem interpretar, sabem dizer, sabem emocionar: Jacques Brel, Paul McCartney, <a href="http://50anosdetextos.com.br/1987/02/10/raios-laser-na-selva/">Paul Simon</a>, Caetano Veloso, <a href="http://50anosdetextos.com.br/1981/06/06/joao-gilberto-e-a-perfeicao/">João Gilberto</a>, Mário Reis, Kate Wolf. São excelentes, são maravilhosos.</p>
<p>Mas quem tem o dom do timbre é diferente. E Ferrat tinha o dom.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/03/ferrat.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1370" title="ferrat" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/03/ferrat.jpg" alt="" width="468" height="312" /></a>As modas passam, as modas mudam. A partir dos anos 60, músicos de voz não propriamente bela surgiram e impuseram uma nova dimensão à canção popular. Bob Dylan é talvez a personificação dessa tendência que se tornou irreversível. Depois de Dylan, foi sepultada de vez a noção de que para cantar é preciso ter uma grande voz.</p>
<p>Acho que Ferrat foi, pelo menos em parte, uma vítima disso. Ter bela voz, voz poderosa, de timbre rico, especial, de uma certa forma ficou fora de moda. Ficou careta.</p>
<p>Um dia conversei sobre música popular com um casal francês muito simpático e bem informado. Falamos de Brel, de Brassens, de Moustaki. Quando falei de Ferrat, eles fecharam a cara: disseram que não gostavam de Ferrat, que Ferrat tinha a voz empostada.</p>
<p>Nunca me esqueci dessa conversa, num restaurante no Fisherman’s Dwarf, em San Francisco (eu estava numa viagem a trabalho pelo Jornal da Tarde, com tudo pago pela S.A. e pela PanAm, que estava lançando um vôo São Paulo-Honolulu).</p>
<p>O casal francês não gostava de Ferrat porque ele tinha a voz empostada. Porque ele tem o dom, e ter o dom de repente ficou careta.  </p>
<p style="text-align: center;">         ***</p>
<p>Conheci Ferrat pelo LP <em>Ferrat chante Aragon</em>, de 1971. Acho que quem me apresentou ao disco foi minha irmã Nilze, uma francófila como jamais vi outra pessoa. Depois comprei outros LPs dele, e também um CD de 1995, <em>16 Nouveaux Poèmes d’Aragon</em>. São belas melodias, as que Ferrat canta, e sua voz é maravilhosa.</p>
<p>Ferrat era comunista, assim como o poeta Louis Aragon – assim como todos nós já fomos algum dia na vida, porque quem nunca foi comunista não tem generosidade (e quem continua comunista hoje ou é burro ou é mal informado). Mas o fato de que Ferrat era comunista, realçado nas <a href="http://www.youtube.com/watch?v=sdYrHUnkRKY">notícias distribuídas pelas agências de notícias hoje, a respeito de sua morte, aos 79 anos</a>, a rigor nem precisaria estar aqui, porque o &#8220;engajamento&#8221; não aparecia em muitas de suas músicas. Aragon, o grande poeta comunista, era um grande autor de poemas de amor, e foram esses poemas de amor que Ferrat musicou no seu disco de 1971, e depois no de 1995.</p>
<p>São belíssimos poemas, cheios de paixão, movidos a paixão, apaixonados pela paixão. (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=tNGlMWwqdF4&amp;feature=related">“O que seria de mim sem você?”</a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=UyAoyZgbhdU">“Feliz é aquele que morre de amor.”</a> <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DJMjrU7L-LA&amp;feature=related">&#8220;O que você sabe da tristeza de amar?&#8221;</a> Credo, quantos milhares de vezes ouvi essas canções.) Há referências às injustiças, aos absurdos do estado da civilização, há elogios a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=J5s5g6HfwKE&amp;feature=related">outros poetas, Lorca, Desnos</a>, mas o tema permanente é o amor. E são belíssimas as melodias que Ferrat criou para emoldurá-los, e às quais deu maior grandeza ainda com sua voz grande, poderosa, cheia, envolvente.</p>
<p>Nenhum artista deveria ser considerado careta por ter tido o dom da bela voz.</p>
<p>Vou beber uma em homenagem a Jean Ferrat. Que os anjos o recebam bem.</p>
<blockquote><p><em>12 e 13 de março de 2010</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>1.100 livros da biblioteca de Mindlin, no seu computador</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 19:49:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valdir Sanches]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>

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		<description><![CDATA[Há duas bibliotecas em construção na USP para abrigar 17 mil títulos doados pelo empresário e bibliófilo José Mindlin, morto aos 95 anos, no dia 28 de fevereiro de 2010. A primeira, de concreto, pode demorar um ano para ficar pronta. A outra, virtual, está funcionando. Já tem disponíveis cerca de 3.500 documentos, dos quais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há duas bibliotecas em construção na USP para abrigar 17 mil títulos doados pelo empresário e bibliófilo José Mindlin, morto aos 95 anos, no dia 28 de fevereiro de 2010. A primeira, de concreto, pode demorar um ano para ficar pronta. A outra, virtual, está funcionando. Já tem disponíveis cerca de 3.500 documentos, dos quais 1.100 livros.<span id="more-1346"></span></p>
<p>Ela pode ser acessada pelo link <a href="http://www.brasiliana.usp.br/">http://www.brasiliana.usp.br/</a> .</p>
<p>Entre eles, há muita raridade. Só como aperitivo, pode-se citar todas as primeiras edições da obra completa de Machado de Assis, José de Alencar, Gonçalves Dias, Casemiro de Abreu, Augusto dos Anjos e da poetisa paulista Francisca Júlia da Silva.</p>
<p>Em algumas semanas, os 42 volumes escritos por Joaquim Nabuco deverão estar digitalizados, em três blocos (dependendo, em alguns casos, dos limites do direito autoral). Além de autores conhecidos, há livros raros, manuscritos, gravuras, relacionados à História do Brasil e outros temas culturais.       </p>
<p>   A biblioteca é chamada Brasiliana, por conter na essência obras relacionadas à literatura brasileira e à portuguesa. O nome completo inclui o da mulher de Mindlin, Guita, também falecida: Biblioteca Brasiliana da USP Guita e José Mindlin. O acervo que o bibliófilo reuniu durante 83 anos, desde 1927, constitui-se de 38 mil títulos. A parte brasiliana tem as 17 mil obras agora doadas.</p>
<p>  Quando a biblioteca de concreto (20 mil metros quadrados) estiver pronta e funcionando, muitas de suas obras raras não serão acessíveis ao público. O professor de História do Brasil Colonial da USP Pedro Luiz Puntoni, diretor da nova biblioteca, explica que isso é prática comum no mundo.</p>
<p>   O cuidado é para preservar a obra. Se um freqüentador pedir uma primeira edição de Machado de Assis, receberá uma orientação: dirigir-se aos computadores. “O texto será digitalizado e colocado on line”, diz Puntoni. “Se for um estudioso, alguém que precise ver o livro físico, o caso será estudado.”</p>
<p>   A decisão caberá à curadora da coleção, Cristina Antunes. Ela tem intimidade com o acervo: cuidou da biblioteca de José Mindlin durante trinta anos.</p>
<p>   “Temos 12 mil alunos na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, e mais 2 mil da pós graduação”, diz o professor Puntoni. “Se cem alunos quiserem pegar <em>Grande Sertão: Veredas</em> (Guimarães Rosa) dia sim, dia não, o livro acaba.” A tentação pode ser grande. Os originais da consagrada obra, de 1956, datilografados e rabiscados pelo autor, estarão no acervo físico da biblioteca.</p>
<p>   Mas não no virtual, devido aos direitos autorais (só liberados 70 anos depois da morte de um autor). Rosa morreu em 1967, há 42 anos.</p>
<p>  Outro problema são os volumes dos modernistas, como Mário de Andrade. No começo do século passado, o papel dos livros era branqueado com uma argila, o caulim. “Usaram muito caulim, e o papel ficou quebradiço”, diz o professor.</p>
<p>   A primeira edição de <em>Macunaíma</em>, de Mário de Andrade, de 1928, está quebradiça. Restaram poucas primeiras edições dos modernistas, diz Puntoni. A previsão dele para as primeiras edições dessas obras é drástica: “Elas vão desaparecer”.</p>
<p>   O estado com que os livros de Mindlin chegaram aos dias de hoje – perfeitos &#8211; deve-se à sua mulher, Guita. Ela especializou-se em restauro de livros. Tinha um laboratório em casa, passava o dia trabalhando, dava aulas. “Formou gerações de restauradores”, diz Puntoni. Submetia os livros do marido a um restauro preventivo.</p>
<p>   Guita tinha sua própria biblioteca, onde predominavam publicações sobre sua especialidade. Elas ocupam um cômodo inteiro. Esse acervo também foi doado para a USP.</p>
<p>Dará suporte para um centro de preservação e restauro. Os planos são de que, no futuro, o centro seja uma escola de restauradores.</p>
<p>  Outro projeto é de que a biblioteca tenha não só os livros doados por José Mindlin, mas também reúna os acervos de toda a USP.</p>
<blockquote><p><em>Esta reportagem &#8211; uma prestação de serviço para o leitor &#8211; foi feita por Valdir Sanches para o </em>Diário do Comércio<em>. Valdir achou que poderia interessar ao eventual leitor deste site. É exatamente o propósito dos textos da <a href="http://">tag Geléia Geral</a>. Então aí vai. Obrigado, Valdir. </em></p>
<p><em>Sérgio Vaz, 12 de março de 2010</em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>O artigo de Alberto Dines que foi censurado</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Mar 2010 18:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Alberto Dines – um dos nomes mais importantes da história do jornalismo brasileiro – foi censurado pelo portal Último Segundo, do iG. Há cinco anos Dines escrevia um artigo semanal para o portal; semana passada, para publicação na sexta, dia 27 de fevereiro, ele escreveu sobre a viagem de Lula a Cuba e a morte do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alberto Dines – um dos nomes mais importantes da história do jornalismo brasileiro – foi censurado pelo portal Último Segundo, do iG. Há cinco anos Dines escrevia um artigo semanal para o portal; semana passada, para publicação na sexta, dia 27 de fevereiro, ele escreveu sobre <a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/02/28/o-corpo-do-preso-politico-ainda-estava-quente-e-eles-tietavam-o-ditador-assassino/">a viagem de Lula a Cuba e a morte do preso político Orlando Zapata Tamaya</a>.<span id="more-1221"></span></p>
<p>“Fui avisado por telefone, horas depois, de que fora suspenso e a minha colaboração interrompida”, contou Dines, em mensagem a amigos. “Em Cuba as coisas são mais transparentes.”</p>
<p><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=578JDB019">No Observatório da Imprensa, Dines conta todo o episódio.</a></p>
<p>Há dezenas de colunistas e blogs ligados ao iG, sobre os mais diferentes temas, de cozinha a esportes, literatura, moda, celebridades. Sobre política, com a saída de Alberto Dines, agora só há três blogs ligados ao portal: os de Luis Favre, Luís Nassif e Ricardo Kotscho. Três petralhas.</p>
<p>É um perfeito exemplo de como funcionam as coisas no petismo, na Cuba dos irmãos Castro, na Venezuela de Chávez: opinião, só se for a favor.</p>
<p>Eis o artigo censurado:</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em> </em></strong><strong><em>O azar dos sortudos</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"> Alberto Dines</p>
<p>Tem fama de afortunado, ditoso ou, como diz o povo, empelicado. Mas nem tudo foram flores quando Lula enveredou pela política: perdeu três pleitos presidenciais sucessivos e já começava a ficar com fama de perdedor quando os ventos mudaram e embora não fosse surfista enganchou-se nas ondas certas.</p>
<p>Nestes últimos oito anos, inspirado pelos astros ou pelo bom senso, Lula acionou corretamente todos os botões mesmo quando os companheiros cometiam as barbaridades do mensalão e do dossiê Vedoin. Animado pela infalibilidade cometeu há um ano monumental asneira ao escolher José Sarney para presidir o Senado. Ainda não pagou por ela mas não está longe o dia em que será julgado pela complacência na desmoralização do Legislativo e na proteção a um dos coronéis mais corruptos da história do Nordeste.</p>
<p>A viagem ao México e Caribe prometia ser um cruzeiro de férias: em Cancun, na Cúpula das Américas, deveria envergar a confortável <em>guayabera</em> presenteada pelo anfitrião Filipe Calderon aos participantes homens (excluídas as mulheres) e participar de mais um bloco continental, não-carnavalesco, a “OEA do B”, sem a participação dos EUA e Canadá.</p>
<p>Em Cuba encontraria Fidel Castro, em franca recuperação, e talvez incentivasse as negociações recém iniciadas com os EUA cumprindo o seu papel de contrapeso à insanidade de Chávez. Não foi avisado ou não deu importância à informação de que o dissidente cubano, Orlando Zapata, em greve de fome há 85 dias, fora internado em estado grave uma semana antes num hospital de Havana.</p>
<p>Como a Parca não distingue sortudos dos azarados, o anúncio da morte de Zapata correu o mundo justamente quando o avião da Força Aérea Brasileira aterrava em Havana e Lula, feliz da vida, preparava-se para abraçar os irmãos Castro. Boas estrelas são volúveis, a sorte é movediça, pior ainda: imprevisível.</p>
<p>O presidente Lula atrapalhou-se ao explicar por que não atendera ao pedido dos dissidentes cubanos para interceder em favor de Zapata e cometeu uma barbaridade ao desqualificar o sacrifício do militante oposicionista. Ignorou ostensivamente a heróica jornada do Mahatma Gandhi que dobrou o invencível império britânico graças às greves de fome.</p>
<p>Desprezar a imolação e depreciar o martírio é uma forma de compactuar com aqueles que não permitem outra alternativa senão a imolação e o martírio. Invocando princípios religiosos Lula foi anti-religioso, ao buscar a racionalidade associou-se aos irracionais que relativizam as liberdades para defender o arbítrio. Não contente, em entrevista aos jornalistas cubanos, fez um apelo à ousadia de Obama para acabar com o embargo econômico dos EUA a Cuba.</p>
<p>Este embargo ianque é estúpido, desumano, imoral e inútil, Obama está empenhado em suspendê-lo, mas considerá-lo como único responsável pela ditadura cubana – como fizera na véspera seu homólogo, Raúl Castro – é um raciocínio primário à altura do intelecto de Hugo Chávez.</p>
<p>Atarantada por suas próprias mazelas, a imprensa internacional não deixou sem comentários o simplismo do nosso presidente. O prestigioso diário espanhol <em>El País</em>, o mais importante do mundo ibero-americano, lamentou a oportunidade perdida pelo dirigente brasileiro para forçar o regime cubano a respeitar os direitos humanos.</p>
<p>“O silêncio de Lula diante de uma ditadura como a castrista macula o que ele representa para a América Latina e à medida em que o Brasil se fortalece como potencia emergente, para o resto do mundo.” Não se trata de uma opinião pessoal do correspondente no Brasil, Juan Árias – geralmente cordato – mas da opinião institucional de um grande jornal que recentemente ofereceu a Lula um honroso galardão.</p>
<p>Negociar com todas as partes em conflito é a principal ferramenta da diplomacia, mas a confiança dos interlocutores não pode ser conquistada à custa do sacrifício de valores universais. <em>Remember</em> Munique: as concessões pragmáticas de Chamberlain e Deladier, ao invés de aplacar Hitler, só aumentaram a sua ferocidade.</p>
<p>A sorte é imponderável, inexplicável, mas consta que sortudos têm boa memória.</p>
<blockquote><p><em>2/3/2010. </em></p>
<p><em>O artigo de Alberto Dines foi publicado também &#8211; como foram todos os anteriores &#8211; no site <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/">Observatório da Imprensa</a>. </em></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>Dylan e Joan Baez cantam na Casa Branca as músicas que mudaram os EUA</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 16:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sérgio Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Geléia Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Bob Dylan e Joan Baez, e mais diversos grandes nomes da música americana, vários deles ligados diretamente à luta pelos direitos civis que resultou no banimento das leis segregacionistas que estiveram em vigor em vários Estados do Sul até meados dos anos 60, reuniram-se na Casa Branca, e cantaram as canções que ajudaram a mudar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/02/joan-na-casa-branca.jpg"></a>Bob Dylan e Joan Baez, e mais diversos grandes nomes da música americana, vários deles ligados diretamente à luta pelos direitos civis que resultou no banimento das leis segregacionistas que estiveram em vigor em vários Estados do Sul até meados dos anos 60, reuniram-se na Casa Branca, e cantaram as canções que ajudaram a mudar os Estados Unidos.<span id="more-1047"></span></p>
<p>Aconteceu na terça-feira, 9 de fevereiro. Na quinta, dia 11, emissoras públicas em todo o país transmitiram na íntegra as apresentações de Dylan, Joan Baez, Bernice Johnson Reagon e os Freedom Singers, Smokey Robinson, Jennifer Hudson, John Mellencamp, Yolanda Adams, Natalie Cole, os Blind Boys of Alabama and o Howard University Choir. O ator Morgan Freeman – que acaba de interpretar Nelson Mandela no filme <em>Invictus</em>, de Clint Eastwood, focalizando um episódio na vida do estadista que fez ruir o regime racista do apartheid na África do Sul – leu trechos de discursos de personalidades que fizeram ruir o regime racista vigente no país mais poderoso do mundo até uns poucos anos atrás.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/results?search_query=In+Performance+at+the+White+House&amp;search_type=&amp;aq=f">As apresentações, é claro, já estão no YouTube</a>. O fascinante é que estão lá com excelente qualidade de som e imagem. Não é pirata &#8211; é oficial; foi filmado pelo PBS, o Public Broadcasting System.</p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/2010/02/03/dylan-volume-4-um-genio-que-nao-para/">Bob Dylan</a> – num palco bem pouco iluminado, com apenas um suave facho de luz sobre seu rosto, lateralmente – cantou os versos de um dos hinos daqueles tempos de mudança, “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=zr8PZ3ajEWo">The Times They Are A-Changin’</a>”. “Venham, senadores, congressistas, por favor atendam ao chamado. Não fiquem parados no umbral da porta, não bloqueiem a entrada da sala.” A poucos metros do palco, sob os candelabros de cristal do East Room da Casa Branca, estavam diversos senadores, congressistas, o presidente Barack Obama, sua mulher Michelle, e o vice Joe Binden e sua mulher, notou Jon Pareles, veteraníssimo crítico de música do <em>New York Times</em>.</p>
<p>Dylan &#8211; que jamais tinha se apresentado na Casa Branca &#8211; tinha uma cara de jogador de pôquer, descreveu Pareles. “Seu tom era áspero mas quase suplicante; ele havia transformado sua velha exortação à luta numa valsa outonal. Depois, ele desceu do palco e apertou a mão do presidente Obama.” O título do <em>New York Times</em> foi feito por alguém de talento (seria o próprio Pareles?): “Música que mudou a História e ainda ressoa”.</p>
<p>A descrição feita por Joe Pareles é excelente, acurada, sensível: de fato, para essa apresentação sob os candelabros de cristal da Casa Branca, Dylan, aos 68 anos (fará 69 no dia 24 de maio de 2010) transformou sua música-manifesto num suave valsa. Só gostaria de acrescentar que ele &#8211; que já usou sua voz de uma dezena de maneiras diferentes &#8211; estava aqui circunspecto, cuidadoso. Não mordia, não engolia partes das palavras, como fez em diferentes estágios da carreira prodigiosa. Cantava pronunciando nítida, claramente, cada sílaba &#8211; como fez depois do acidente de moto do final dos anos 60, nos discos <em>John Wesley Harding</em> e <em>Nashville Skyline</em>.  </p>
<p><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/02/joan-na-casa-branca1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1059" title="joan na casa branca" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/02/joan-na-casa-branca1.jpg" alt="" width="776" height="436" /></a>Joan Baez cantou outro hino dos anos 60, “<a href="http://www.youtube.com/watch?v=yId_ABmtw-w">We Shall Overcome</a>”, que ela cantou em diversas marchas e manifestações exigindo o fim da discriminação racial, vários deles ao lado do reverendo Martin Luther King. Antes de começar a cantar, disse ao casal Obama: “Vocês são muito amados”. No meio da apresentação da música, propôs que todos cantassem juntos. Já que comentei sobre a voz de Dylan, comento sobre a voz de Joan. Aos 69 anos, completados no dia 9 de janeiro de 2010, não tem mais aquele soprano puro como cristal, naturalmente; sua voz está bem mais grave do quando começou a carreira, 50 anos atrás. Tive a impressão de que Joan, que tem uma história de vida tão rica quanto é possível imaginar, já viveu tudo o que um ser humano pode esperar viver, e muito mais, estava de fato emocionada com aquela situação, aquele momento. Sua voz estava suavemente embargada &#8211; linda como sempre, mas suavemente embargada. (A foto acima foi copiada diretamente do site oficial da Casa Branca, que traz uma galeria de fotos do evento.)</p>
<p>Obama subiu ao palco para cantar no meio de todos os artistas convidados “<a href="http://www.youtube.com/results?search_query=In+Performance+at+the+White+House&amp;search_type=&amp;aq=f">Lift Ev’ry Voice and Sing</a>”, uma canção que é conhecida como o hino nacional dos negros americanos.  </p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Não existe raça alguma a não ser a raça humana, e não temos outro lugar para viver&#8221;</strong></p>
<p>Antes, o presidente Obama havia lembrado, num discurso, que anos atrás aquelas mesmas canções foram cantadas quando era difícil defender os direitos civis de todas as pessoas; quando os negros e os defensores do fim das leis racistas eram atacados, espancados, e muitos foram mortos. &#8220;É música que não apenas se inspirou no movimento (<em>da luta pelos direitos civis</em>), mas que também deu a ele força. Que essa música nos faça caminhar para a frente. Como um povo. Como uma nação&#8221;, disse Obama.</p>
<p>Um pouco antes do espetáculo, durante a tarde, Smokey Robinson, uma lenda da música negra, da fase áurea da gravadora Motown, havia falado para um grupo de 120 estudantes ginasianos de diversos grupos étnicos e diversos lugares do país, escolhidos para participar de um workshop em Washington, que eles eram felizes por não ter que enfrentar o racismo que ele e seus companheiros de gravadora vivenciaram durante as viagens ao Sul dos Estados Unidos nos anos 60. &#8220;Não existe raça alguma a não ser a raça humana&#8221;, disse Robinson aos jovens. Que grande pena que os ativistas do racialismo protegidos e abençoados pelo governo Lula não ouviram, e não ouvirão nunca essa lição. &#8220;Somos todos iguais, e não temos outro lugar para viver.&#8221;</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/results?search_query=In+Performance+at+the+White+House&amp;search_type=&amp;aq=f">Há no YouTube diversos, diversos vídeos</a> dessa apresentação absolutamente memorável e emocionante.</p>
<p>As apresentações musicais na Casa Branca começaram na era de Jimmy Carter, nos anos 70. A tradição vem sendo mantida. É uma tarefa assumida pelas primeiras-damas. Michelle Obama, no primeiro ano do governo do marido, já havia organizado apresentações de jazz, de country, de música erudita e de latinos.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Este não é um lugar para dar notícias. A rigor, eu deveria estar apenas comentando o fato e dando links para alguns dos vídeos. Mas, como não vi ainda notícia alguma sobre esse “In Performance at the White House: A Celebration of Music from the Civil Rights Movement” nem nos jornais, nem nos portais mais importantes da imprensa brasileira, me senti obrigado a contar um pouco sobre o evento.</p>
<p>Mas isso não importa. Importa é o evento em si – e está tudo lá no YouTube, no portal da Casa Branca, no portal dos jornais americanos. Já está na História.</p>
<blockquote><p><em>12 de fevereiro de 2010. </em></p>
<p><em>Este post é da Geléia Geral </em>- <em>anotações curtas sobre os mais variados assuntos.</em></p>
<p><em>Não fui de todo verdadeiro ao dizer aí em cima que a imprensa brasileira não noticiou o evento do dia 9. O portal do </em>Estadão<em> deu uma notinha de umas 15 linhas; o G1 deu alguns dias atrás uma notinha anunciando que Bob Dylan iria participar de um evento na Casa Branca. No portal do </em>Globo<em>, não achei nada. As edições impressas do </em>Estadão<em> e do </em>Globo<em> não deram uma linha. Ou pelo menos não achei lá.  Mas há sempre a esperança de que eu não tenha lido direito os jornais&#8230;</em></p></blockquote>
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		<title>A garotinha Joni Mitchell encontra o grande Johnny Cash</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 16:22:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>

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		<description><![CDATA[Deve ter sido em 1968, ou 1969, talvez até um pouco antes disso: uma Joni Mitchell novinha, mas novinha de tudo, dentuça como uma adolescente, senta-se ao lado do já veterano, respeitado, adorado, mas ainda jovem Johnny Cash – ele devia estar com uns 36, 37, e ela, com uns 25. Estão, tudo indica, num estúdio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deve ter sido em 1968, ou 1969, talvez até um pouco antes disso: uma Joni Mitchell novinha, mas novinha de tudo, dentuça como uma adolescente, senta-se ao lado do já veterano, respeitado, adorado, mas ainda jovem Johnny Cash – ele devia estar com uns 36, 37, e ela, com uns 25. <span id="more-1021"></span>Estão, tudo indica, num estúdio de TV. Trocam umas duas ou três frases meio sem jeito, e aí cantam em dueto <em>Long Black Veil</em>.</p>
<p>É lindíssimo, emocionante, de arrepiar.  </p>
<p>Topei com <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pALSKcWcVEk">essa pérola no YouTube</a> outro dia. É uma dessas coisas tão estupidamente belas que a gente quer imediatamente dividir com os amigos todos: pô, olha aqui, você sabia que a Joni Mitchell e o <a href="http://50anosdefilmes.com.br/2006/johnny-june-walk-the-line/">Johnny Cash</a> tinham feito um dueto na televisão?</p>
<p><em>Long Black Veil</em> tem a essência da <a href="http://50anosdetextos.com.br/1981/05/23/dylan-volume-1-%e2%80%93-o-artista-que-e-tres-cinco-varios-alguns-milhoes/">folk music</a> das Ilhas Britânicas, depois desenvolvida também naquele lugar grandão que os britânicos colonizaram ao Norte do Rio Grande: tem tragédia, muita tragédia. Como a folk music gosta de uma tragédia! Assassinatos, roubos, paixões que acabam mal, ciúme doentio, infidelidade, injustiças, horrores, juízes perversos, mulheres fatais, todos os tipos de dramas descomunais. Uma vez reuni em um CD algumas dessas canções e dei a ele o título meio pomposo, meio gozador, de <em>Folk. Ou: mais tragédias que na Bíblia e em Shakespeare</em>.</p>
<p><em><a href="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/02/joni1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-1026" title="95e40/huch/1894/2" src="http://50anosdetextos.com.br/wp-content/uploads/2010/02/joni1.jpg" alt="" width="500" height="642" /></a>Long Black Veil </em>é um pequeno conto em forma de canção: dez anos atrás, numa noite fria, um sujeito foi assassinado; uma testemunha disse que viu um suspeito no lugar do crime muito parecido com o narrador da história. O narrador foi preso; o juiz perguntou se ele tinha um álibi, mas ele não podia dizer a verdade porque, no exato momento do crime, estava – o safado! – nos braços da mulher de seu melhor amigo. Ele sabe que será condenado à morte se não tiver um álibi – mas simplesmente não pode revelar a verdade. Hoje, dez anos depois da tragédia, aquela mulher costuma andar pela colina, usando o longo véu negro do título da canção, e muitas vezes chora em cima do túmulo do amante morto.</p>
<p>Sim: o narrador está morto. Está cantando sua triste história lá de dentro do seu túmulo.</p>
<p>E depois tem gente que acha que Quentin Tarantino reinventou a narrativa.</p>
<p>Joan Baez, a maravilhosa, a excepcional, a genial, gravou <em>Long Black Veil</em> duas vezes, em seus discos oficiais, coisa que fez muito raramente: uma no seu disco de 1962, <em>Joan Baez in Concert, Part 2</em>, e a outra em <em>One Day at a Time</em>, de 1969. Há trocentas gravações da canção, inclusive uma de Mick Jagger fazendo o vocal com o conjunto irlandês Chieftains atrás dele. O mesmo grupo Chieftains gravou a música com a mulher que foi namoradinha de Mick Jagger nos loucos anos 60, a grande <a href="http://50anosdefilmes.com.br/2008/irina-palm/">Marianne Faithfull</a>, uma cantora e atriz que se reinventou ao longo das décadas e está melhor a cada década que passa.</p>
<p>A foto aí acima é da época em que Joni Mitchell estava lançando seu disco de estréia, <em>Song to a Seagull</em>, de 1968 - a mesma época do vídeo com Johnny Cash. Percebe-se na foto por que Pete Seeger se referia a Joni, naqueles anos (ele já estava com uns 50, o dobro da idade dela), como &#8220;a long legged blonde&#8221;.  Ou seria &#8220;a long legged gal&#8221;?</p>
<p>Mas o texto está ficando comprido. A idéia é pôr aqui pequenas anotações sobre os assuntos mais diversos. Anotações pequenas, tá, Sérgio Vaz?</p>
<blockquote><p><em><strong>Uma explicação</strong></em></p>
<p><em>Com esta indicação do vídeo de Joni Mitchell ao lado de Johnny Cash, inauguro um novo tipo de post dentro do </em><strong>50 Anos de Textos</strong><em> – a </em>Geléia Geral<em>. Serão anotações curtas (na estréia, acabei me empolgando e me alongando mais do que deveria), com indicações de bons achados, dicas, comemorações, até desabafos. Sem a intenção de aprofundar temas. Sem maior preocupação com a qualidade do texto em si (ao contrário de todos os demais que aparecem neste site). Coisinhas curtas, soltas, mais descompromissadas do que nos meus demais textos, mais camiseta que paletó e gravata. Um grande melê, uma salada russa, uma geléia geral.</em></p>
<p><em>10/2/2010</em></p></blockquote>
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