- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
25. Finale

Foi numa das muitas tardes em que deveríamos rezar alto, se não me engano, após o hino nacional, devendo subir em seguida. Naquele crepúsculo de sonho, ameaçando mais um pesadelo de cegueira noturna, naquela tarde vermelho-fogo, disseram que iam ler a lista dos novos desligados. Os nomes voariam sobre o silêncio, como pássaros sagrados. Pousassem num dos morto-vivos, e ele seria ressuscitado. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
24. Rebelião

Após a morte de Pirueta, seguiu-se um período de silêncio e terror. Ali, sim, ninguém estava disposto a sorrir. Meus amiguinhos me contavam que ele tinha morrido de tanto apanhar. Falavam baixinho, medrosos de que um outro ouvisse e contasse. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
23. Pirueta

No Pátio dos Milagres não havia um rei dos mendigos?
No dormitório do Diabo, a apertada e mal-cheirosa extensão do reino da agonia, elegeram o Rei dos Mijões. Ler Mais »
22. Os mijões

Ou não teriam zombado, por ser aquele um espetáculo comum? Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
21. Escuridão e diarréia

Não tivesse nascido aquele deus e muita coisa desagradável não teria acontecido. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
20. Festas

No final do ano, outubro ou novembro, chegou ao colégio um minúsculo grupo arisco e sorridente de menininhos de cinco anos. Sempiternas divindades! Cinco anos! De que orfanato teriam sobrado? Que freira teve que separá-los, escolhendo por este ou aquele critério, aqueles que deveriam alojar-se no meio daquela coleção da zoologia humana, ratos, cães, chacais? Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
19. Retalhos

Há um bando aflito de pequenas lembranças me incomodando, exigindo registro. São pequeninas garças inquietas, inofensivas, apagadas. Batem-se dentro da gaiola da minha memória e, se eu as solto, elas partem numa vertigem. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
18. Impressões de um mundo distante

Sempre me tenho perguntado sobre meu aprendizado e minhas reações, na época, com relação aos problemas sexuais. Sei bem que a situação que presenciei era caótica, anormal e densa. Mas isto eu sei por outros caminhos, leitura, filmes, documentos, deduções. Me pergunto, pois, sobre o que eu já sabia, o que vi, o que aprendi ali dentro. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
17. Dor de ouvido e cegueira noturna

Quantas vezes entrou ali dentro a figura branda de um médico de mãos caridosas? Não me lembro de uma. Uma enfermeira? Nenhuma. Um farmacêutico? Nunca. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
16. A igreja

Não devia ser muito grande nem muito rica. Mas forçosamente haveria algum dourado, alguma flor, alguma vela acesa ou luminária pendente de um longo fio, algum vidro colorido, ficava bonito. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
15. Jorge de Souza Félix

É muito estranho lembrar.
Surgiram, no começo dessa minha tentativa de penetrar nos labirintos de minha memória, as imagens de garças e de abutres. Garças seriam pálidas lembranças de fatos agradáveis; abutres, qualquer cena mais assustadora. Nalguns momentos parece que eles se misturam. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
14. Sereias, caminhões, a felicidade da criança abrange mais de um capítulo

É reconfortante perceber que minhas perdidas alegrias ultrapassam um capítulo. Pois, o que vier após as lembranças dessas manhãs de brincadeiras, mais parece uma noite de pesadelos. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
13. Joaninhas, brincadeiras, diversões, raios de luz nunca apagados

Dalton Trevisan, no conto O Espião, escreve que aquelas meninas nunca sorriam. Mentira! Acho que é mentira! A alma da criança não é uma corda eternamente esticada. Há de haver, aqui e ali, longe da palmatória e logo depois da comida, momentos fugazes em que a canção suba, o sorriso brote, o brinquedo distraia. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
12. Dois inspetores e um padre

É preciso dar entrada em cena a algumas figuras importantes nesta tapeçaria quase uma renda. Parece que os fios ficam soltos, sem eles. Ou é como se, a partir de agora, eu enfiasse agulhas em pontos abertos, alinhavando brechas, remendando buracos. Ler Mais »
- :: Um romance, um capítulo por semana. Por Jorge Teles
11. Dona Leca e dona Clotilde

Tive, no decorrer de minha estada naquele Colégio, duas professoras. Qual veio antes e qual veio depois? Mistério. Neblina dentro de mim. Às vezes me parece que primeiro foi dona Clotilde, depois, Dona Leca. Ler Mais »