Arquivos do Rótulo: Ficção

Rabiscos na parede

me escondo na toca  mais escura,

cavo meus túneis protetores, Ler Mais »

O diabo existe?

Na manhã seguinte, durante o café:

Vovô, o diabo existe? Ler Mais »

Réquiem para todas as ausências

O último homem está caído ao chão. É sua última queda. A custo encostou-se a uma pedra. Seu corpo dói. O respirar é aflito. Olha as pernas e os pés mas vê apenas ossos e uma pele suja. Ler Mais »

Varsóvia, dia 14 de abril, 17 horas

Liuxa, quatro anos, trepado nos ombros do pai, observa o cortejo. Homens e mulheres vestidos com roupas coloridas, desfilam dançando e rindo. Liuxa não sabe o porquê da festa. Não entendeu o que disse o tio, ao falar de vinte anos de independência. Ler Mais »

Em algum lugar em todos os lugares

Não se pode dizer que naquele preciso momento houvesse consciência. Não se pode. Não se deve admitir que houvesse memória. Não. Se houver necessidade de um termo que informe sobre o estado daquele exato instante, o único que se aproximaria vagamente é o de noção. Talvez houvesse noção. Noção de existência? Ler Mais »

Presidiária

Tudo pode ser dito, tudo pode ser contado, até porque desde que eu saí de casa é como se eu tivesse saído de uma cela, já que passei as duas últimas semanas de cama, aquela febre fervida, aquela raiva contida, aqueles olhos ardendo, sugestões de chás de camomila e erva cidreira, doses maciças de analgésicos. Ler Mais »

A trindade pascal

pai, meus três amigos vão comer aqui e a gente quer batata frita com laranjada.

pois muito bem. Ler Mais »

A revelação da minha vida

Dobrei a esquina para a Rua Araújo, com o coração aos pulos. Logo aprenderia que essa expressão – coração aos pulos – morreu com os antigos folhetins literários. Mas, naquela época, eu não sabia disso. Ler Mais »

O Sermão do Planalto

Confusão e sono. Sono e dor. Dor e ruídos. Ruídos e dormência.

João tentou levantar a perna insensível mas não conseguiu, sentiu que não conseguia. Pensou, no meio do nevoeiro, pensou com dificuldade que, se respirasse muito fundo, conseguiria levantar a perna morta. Respirou mas ouviu zumbidos, estalos que rebentavam e luziam ante seus olhos inchados e meio cegos. Ler Mais »

A chave do lado de dentro

O homem fez sinal, o motorista parou o táxi, abriu a porta e pegou a mala que a mulher lhe estendeu.

O homem olhou a mulher, olhar demorado, beijo rápido, o motorista fechou a porta do táxi, ele foi, ela ficou. Ler Mais »

Titia peladona

- Não – disse o diretor de redação. – Não aceito e está acabado. Na minha revista, o nu tem classe. E quem decide quem tem corpo, cara e estilo para merecer nossas páginas sou eu. Ler Mais »

Carnes flagradas

O delegado Guilhermino desceu da viatura e constatou: a placa ainda estava lá. Apontou para o tira ao seu lado:

- Olha lá. Rodízio. Promoção por tempo limitado. Cem reais. É um crime, eu não disse? Ler Mais »

As torres gêmeas e Hiroxima

vovô, qual é a diferença entre as torres gêmeas e Hiroxima? Ler Mais »

A coisa melhor do mundo

Eu tenho 18 anos e faço planos. Como sou mulher, faço planos de mulher: estudar (hoje as mulheres estudam), trabalhar (hoje as mulheres são independentes), casar (hoje, como sempre, as mulheres se casam). Como tenho 18 anos, o mundo está na minha frente e é nele que eu mergulho todos os dias: faculdade pela manhã, trabalho à tarde, namoro à noite. Ler Mais »

O nome do alvo

 Os tiros atingiram a…

 Levou dois tiros na…

 Na… Ler Mais »