Quando os Repórteres Usavam Revólveres (6, e último)

Fúlvio, o escrivão, compreendeu a situação dos rapazes da sala de imprensa. Pediu dez minutos para tentar saber o que estava havendo. “Com cuidado, vocês sabem. Oficialmente não poderia fazer isso.”

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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (4)

Os tacos do piso que cobriam as salas, na Delegacia de Homicídios, estalavam à medida que se andava neles. Muitos estavam soltos. Na sala de Maurício Castilho, o barulhinho irritante não cessava. O delegado andava de um lado para o outro.

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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (3)

O que acontece na sala de imprensa? A barulheira das máquinas de escrever cessou. Foi-se o burburinho das conversas cruzadas sobre as cabeças. Os olhares desfocam as laudas; transferem-se para a porta. Aqui, emoldurada pelos batentes, está uma deusa.

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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (2)

Um filete de sangue escorreu sob a porta de um apartamento, num prédio muito falado no bas-fonds. O risco vermelho avançou cinco centímetros pelo corredor do terceiro andar. Era um sinal tão pequeno que demorou muito para ser notado.

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Quando os Repórteres Usavam Revólveres (1)

Rago está muito à vontade, neste fim de noite. As pernas cruzadas em cima da mesa. O corpo, jogado de tal forma para trás que a cadeira, sob impacto, apoia-se em dois pés. A única luz acesa coa claridade para um jornal, que tem à frente dos olhos. Manchete velha: SANGUE NA BOCA DO LIXO. A esta hora havia sangue novo em outra parte da cidade. Sabia muito bem disso. Continue lendo “Quando os Repórteres Usavam Revólveres (1)”

Velhos lobos do mar

Até hoje não sei bem como vim parar no Refúgio dos Velhos Camaradas. Buscava apenas um lugar para descansar minha velhice longe das tormentas da cidade. O lugar pareceu simpático; acho que o nome me atraiu. Apenas dois prédios, um voltado para o outro. Continue lendo “Velhos lobos do mar”

Gozado, o Odair. Cabo eleitoral, e não gostava da urna

Odair era um bom militante do partido. Só tinha um defeito: detestava votar. Fazer boca de urna, fazia, mas ficar na fila, mesmo pequena, encarar o mesário e a urna, não combinava com seu temperamento. Pelo menos é o que dizia. Preferia depois, com calma, justificar a ausência. Continue lendo “Gozado, o Odair. Cabo eleitoral, e não gostava da urna”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 25

25. Finale

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Foi numa das muitas tardes em que deveríamos rezar alto, se não me engano, após o hino nacional, devendo subir em seguida. Naquele crepúsculo de sonho, ameaçando mais um pesadelo de cegueira noturna, naquela tarde vermelho-fogo, disseram que iam ler a lista dos novos desligados. Os nomes voariam sobre o silêncio, como pássaros sagrados. Pousassem num dos morto-vivos, e ele seria ressuscitado. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 25”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 24

24. Rebelião

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Após a morte de Pirueta, seguiu-se um período de silêncio e terror. Ali, sim, ninguém estava disposto a sorrir. Meus amiguinhos me contavam que ele tinha morrido de tanto apanhar. Falavam baixinho, medrosos de que um outro ouvisse e contasse. Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 24”

garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 20

20. Festas

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No final do ano, outubro ou novembro, chegou ao colégio um minúsculo grupo arisco e sorridente de menininhos de cinco anos. Sempiternas divindades! Cinco anos! De que orfanato teriam sobrado? Que freira teve que separá-los, escolhendo por este ou aquele critério, aqueles que deveriam alojar-se no meio daquela coleção da zoologia humana, ratos, cães, chacais? Continue lendo “garças e abutres chegados da terra do urubu-rei. capítulo 20”