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	<title>50 Anos de Textos &#187; Esporte</title>
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	<description>Por Sérgio Vaz e Amigos</description>
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		<title>Brasil x Chile</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 17:28:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil que enfrenta o Chile nesta segunda-feira tem grandes chances de vencer se conseguir driblar a mediocridade e o marasmo, se contar com a inspiração de Robinho, talvez de Kaká, e com um Dunga menos birrento. E essa é a torcida da nação inteira. Até porque só o futebol nos salva. No resto, o Chile bate o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil que enfrenta o Chile nesta segunda-feira tem grandes chances de vencer se conseguir driblar a mediocridade e o marasmo, se contar com a inspiração de Robinho, talvez de Kaká, e com um Dunga menos birrento.<span id="more-2147"></span> E essa é a torcida da nação inteira. Até porque só o futebol nos salva. No resto, o Chile bate o Brasil de goleada.</p>
<p>Os indicadores chilenos fazem inveja a qualquer outro país da América Latina. Só para se ter uma idéia, por lá a mortalidade infantil é de 9 para cada mil nascidos vivos, enquanto por aqui estamos na casa dos 22 por mil. A taxa de analfabetismo de 4%, só comparável a nações do primeiro mundo, é três vezes menor do que a do Brasil. A expectativa de vida de 78,5 nos supera em seis anos. E a população que vive abaixo da linha da pobreza soma 14% contra 30% de brasileiros miseráveis.</p>
<p>Tudo bem, o Chile é um país pequeno, com 16 milhões de habitantes, o que praticamente equivale à Região Metropolitana de São Paulo. Mas soube fazer consertos gigantescos.</p>
<p>Venceu sem perseguições uma ditadura sanguinária que matou mais de três mil pessoas, prendeu e torturou outras mais de 30 mil; transformou sua economia em menos de 20 anos, e, a partir da combinação de um rigor fiscal e de reformas nem sempre populares, como a da Previdência, colocou as contas em ordem e passou a crescer, firmemente e sem alarde, algo em torno de 5% ao ano.</p>
<p>Nada fez de muito inovador. Seguiu a lógica, cumpriu a lição de casa. O norte era tão claro que mesmo diante das pesadas pressões internas da esquerda dinossáurica, tão em voga nas terras latinas, a socialista Michelle Bachelet e os seus dois antecessores rechaçaram qualquer intervenção maior do Estado na economia.</p>
<p>Bachelet terminou o governo com uma aprovação recorde de 77% &#8211; algo inédito para um país historicamente dividido ao meio. Ainda assim, não conseguiu emplacar o seu sucessor. Perdeu para o conservador Miguel Juan Sebastián Piñera, que continua na mesma batida, com um Estado sólido, nem mínimo, nem voraz.</p>
<p>Tudo bem, o Chile é um país pequeno e as soluções que ali resultaram em sucesso não são replicáveis em um país como o Brasil, infinitamente maior, com uma economia mais diversificada e com desigualdades imensas. Mas as lições chilenas são de grande valia, até porque o maior diferencial não está no tamanho ou no tipo de economia.</p>
<p>Por lá, honrou-se o Estado.</p>
<p>Piñera, mesmo em oposição à líder mais popular que o Chile teve nos últimos tempos, governa sem entraves. Não há herança nem sinais de aparelhamento ou partidarização do Estado.</p>
<p>O mesmo não se pode dizer do Brasil do presidente Lula, onde ele é o Estado e a razão. E ai de quem duvidar disso.</p>
<p>Vamos torcer, e muito, para que pelo menos no confronto direto a seleção verde-amarela lave a nossa alma, repita ou vá além dos resultados de 3 a 0 ou de 4 a 2 das eliminatórias. É a nossa grande chance.</p>
<blockquote><p> <em>27/6/2010. </em></p>
<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>.</em></p></blockquote>
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		<title>Estão aparelhando até o Dunga</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jun 2010 16:12:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandro Vaia]]></category>
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		<description><![CDATA[O futebol é uma caixinha de surpresas, mas a micropolítica, quando movida por interesses subalternos, pode ser uma caixinha de obviedades. Vamos estabelecer, para começo de conversa, que o técnico Dunga não é um primor de simpatia, e que muita gente se irrita com as narrações impressionistas de Galvão Bueno, principalmente quando coloca a sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O futebol é uma caixinha de surpresas, mas a micropolítica, quando movida por interesses subalternos, pode ser uma caixinha de obviedades.<span id="more-2131"></span></p>
<p>Vamos estabelecer, para começo de conversa, que o técnico Dunga não é um primor de simpatia, e que muita gente se irrita com as narrações impressionistas de Galvão Bueno, principalmente quando coloca a sua alma nas chuteiras de sua preferência &#8211; que podem ser as chuteiras da pátria em jogos da Seleção, ou as chuteiras dos times que preenchem mais casinhas do Ibope de audiência da Globo.</p>
<p>Uma rusga dividiu nesta semana o técnico da Seleção que está a caminho do hexa e a TV Globo, que lidera a audiência em todos os segmentos sociais e em todas as categorias de programas &#8211; o que atrai não só o olho gordo dos concorrentes, como o despeito político dos que não se conformam com a sua hegemonia, que classificam equivocadamente como “monopólio”.</p>
<p>E como foi que essa salada russa entre a malcriaçao de Dunga, uma campanha no Twitter contra Galvão Bueno e Tadeu Schmidt, que poderia parecer um embate de idiossincrasias entre os que gostam e os que não gostam do técnico da Seleção e os que gostam e os que não gostam das transmissões esportivas da Globo conseguiu ser transformada num fato político?</p>
<p>Procurem os incansáveis ativistas de sempre.</p>
<p>Procurem os sites, os blogs, os twitters dos que invejam a desenvoltura com que o tenente coronel Hugo Chavez trata os órgãos de imprensa dos quais não gosta. Foi aí que nasceu uma campanha “Um Dia Sem Globo”, que foi vendida como um desagravo ao valente técnico que não se rendeu à tirania global. Dunga virou, além de um gênio futebolistico de última hora, um herói da resistência. ”Um Dia sem Globo”, no recôndito do inconsciente coletivo deles, é o prenúncio de uma vida sem imprensa &#8211; ou de uma imprensa sob controle.</p>
<p>A campanha é tão inocente quanto os seus mentores. É fácil reconhecê-los. Deixam as suas impressões digitais por todo canto. Se fossem descontentes normais, fariam como fazem as pessoas normais: usam as opções disponíveis e escolhem o canal de sua preferência, o narrador de sua preferência, o comentarista de sua preferência, sem tentar transformar isso num ruidoso fato político.</p>
<p>Nada impede, como disse um twitteiro, que qualquer pessoa resolva ficar não um dia mas 10 anos sem ver Globo, uma vez que o aparelho de TV e os seus controles lhe pertencem, e através deles pode eliminar de sua vida o que não quer ver.</p>
<p>A leitura é óbvia: a campanha é desonesta intelectualmente e mal intencionada porque seu verdadeiro motivo &#8211; que é o de fazer bullying ideológico contra a imprensa independente &#8211; está disfarçada em defesa do pobre técnico perseguido pela emissora que, segundo a mitologia corrente nesses meios, trata mal o governo que tem uma aprovação nunca antes vista neste país.</p>
<p>Não se fale em livre concorrência ou livre direito de escolha entre essas pessoas, porque esse é o tipo de linguagem que eles se recusam a entender. Não concebem que as pessoas sejam capazes de discernir e escolher livremente o canal de TV que querem ver &#8211; ou escolher livremente qualquer outra coisa. Sempre pensam, antes, em algum tipo de coerção. Não concebem a vida sem controle, sem dirigismo, sem patrulha. Abominam o livre arbítrio, e como não sabem o que fazer com ele, querem abolir o dos outros.</p>
<p>Se você acha a Globo soberba, o Galvão um chato, não gosta de novelas, odeia o Jornal Nacional, mude para o canal que quiser, quando quiser, e não quando uma milícia ideológica mandar. A liberdade é sua, não a entregue a terceiros.</p>
<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a>, em 25/6/2010</em></p>
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		<title>É briga ou brahma?</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Jun 2010 17:18:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Brant]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[Com essa pergunta muita gente se cumprimentava e acalmava possíveis intenções de lutas corporais. Tempos amenos da juventude. Nem é que, naquele tempo, se bebesse muita cerveja. A falta de dinheiro nos obrigava a fazer “ vaquinhas”, contagem das moedas de todos, para se chegar à conclusão de que poderíamos, no máximo, sorver duas garrafas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com essa pergunta muita gente se cumprimentava e acalmava possíveis intenções de lutas corporais. Tempos amenos da juventude. Nem é que, naquele tempo, se bebesse muita cerveja. <span id="more-2081"></span>A falta de dinheiro nos obrigava a fazer “ vaquinhas”, contagem das moedas de todos, para se chegar à conclusão de que poderíamos, no máximo, sorver duas garrafas e, quem sabe, uma porção de pão molhado. Farra era coisa rara.  </p>
<p>Mas eu chamo a atenção para o fato de que o suco de cevada era associado à alegria, à amizade, à confraternização. Era o oposto da briga, o cervejar.</p>
<p>Por outro lado, futebol, ao menos para mim, sempre foi um jogo, uma diversão, uma das melhores maneiras de se brincar com a melhor das invenções do mundo: a bola, esse objeto mágico que encanta a meninada e conserva, em adultos, o amor pelas aventuras inesquecíveis da infância.</p>
<p>Mesmo nos estádios, o torcer pelo seu time não carregava esse lado moderno das torcidas organizadas para a violência. A pulsação forte dos campos de futebol foi-se desviando para a calmaria e frieza da televisão.</p>
<p>Quantas vezes andei por quilômetros, de minha casa ao Independência, para viver de perto a emoção da bola rolando pela grama verde, todos fascinados pelo ir e vir da redonda. Pode ser que já existisse, mas nunca soube que se matasse por causa do futebol. Os jogadores não saíam de carros potentes, finda a batalha sem mortos ou feridos. Iam nos braços de seu povo, por ruas e avenidas, para a comemoração.</p>
<p>Ainda se sabe jogar um belo futebol no mundo, apesar dos técnicos, dirigentes e cronistas medíocres. Ainda se torce com amor, nas várias cidades e países.</p>
<p>Ainda é possível jogar com eficiência e beleza. Mas está cada vez mais difícil. Há um estúpido complô contra o lúdico, a alegria e a espontaneidade. Vozes professorais gritam, à beira dos gramados, incentivando os pontapés nos adversários. Poucos sussurram invocando a delicadeza de dribles, passes e toques coletivos.</p>
<p>Os idiotas não dizem mais que o lançamento primoroso de um craque para outro é um passe. Falam, diretamente do basquete americano, em assistência. Parece que se referem a hospitais e doenças e não à virtude maior do esporte coletivo.</p>
<p>Comunico que pretendo fazer greve contra aquela marca de cerveja que, em nome do patriotismo e da pancadaria, quer, juntamente com o Professor Dunga, nos convocar para uma guerra. Com gritos histéricos parecem nos preparar para uma luta contra inimigos. Pregam garra, raça, com olhos e vozes de ódio.</p>
<p>Minha vida é outra, meu jogo é outro. Espero que, quando chegar a hora da Copa do Mundo, a seleção brasileira se lembre de que aquilo não é um campo de batalha. É só um campo de futebol. Quem manda ali é a emoção, o talento e o eterno brincar de meninos.</p>
<blockquote><p><em>Esta crônica foi originalmente publicada, em maio de 2010, no </em>Estado de Minas<em></em></p></blockquote>
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		<title>Lula e Dunga</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jun 2010 01:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Brasil que estréia na terça-feira na África do Sul tem sido alvo de todo tipo de crítica. São poucos os que, de alma e coração abertos, se entusiasmam com esta seleção verde-amarela. Paira no ar um clima estranho de quase unanimidade, só que contra. Mas até o zangado Dunga, xingado e mal tratado pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Brasil que estréia na terça-feira na África do Sul tem sido alvo de todo tipo de crítica. São poucos os que, de alma e coração abertos, se entusiasmam com esta seleção verde-amarela. Paira no ar um clima estranho de quase unanimidade, só que contra. <span id="more-2056"></span>Mas até o zangado Dunga, xingado e mal tratado pela maioria, tem sabido lidar melhor com as vozes discordantes do que o presidente Lula e seus fanáticos torcedores. E olha que Lula tem quase unanimidade a favor.</p>
<p>O ambiente é de absoluta intolerância. Aqueles que ousam simplesmente relatar fatos adversos ou apontar erros do presidente e de sua candidata Dilma Rousseff são tratados como antipatrióticos, inimigos da nação. Contraditar, contrapor, criticar é crime. Denúncia, então, por maiores que sejam os malfeitos, nem pensar. E olha que Lula tem quase unanimidade a favor.</p>
<p>Mas Lula parece não se contentar com a quase unanimidade. Quer mais e a qualquer preço. Nem que para tal tenha de mentir, inventar verdades, falsear, instigar e incitar o ódio contra a minoria. E o faz sem qualquer constrangimento. Quando fere a lei convence os seus torcedores que o erro não é dele, mas da lei; quando é pego na boca da botija, como na confissão de caixa 2 do seu então marqueteiro Duda Mendonça, socializa o prejuízo.</p>
<p>Qualquer flagrante dos pecados de Lula, de seus asseclas ou de sua candidata é uma ação orquestrada e golpista, não raro produzida nas redações dos grandes jornais, na TV Globo, em alguns blogs taxados de “vendidos”, ou na revista Veja.</p>
<p>Ainda que irracional, até se compreenderia – com algum desconto pela infantilidade &#8211; se os torcedores de Lula atirassem seus petardos nos donos das empresas jornalísticas. Mas, cegos e tacanhos, agridem os jornalistas que nelas trabalham. Talvez não saibam ou fingem não saber, que os grandes expoentes da comunicação de Lula e da campanha de Dilma, aprenderam, cresceram e, até pouco tempo atrás, brilharam no que eles chamam de mídia golpista.</p>
<p>Exemplos não faltam. Pela cartilha do fanatismo lulista, a culpa pela contratação de arapongas para preparar um dossiê capaz de eliminar rivais internos da campanha petista e bombardear o principal opositor não é dos agentes da própria campanha, mas da Veja, do jornal O Estado de S. Paulo, da Folha de S. Paulo, de O Globo, do Blog do Noblat. Critica-se a denúncia, os jornalistas que denunciaram, e pronto, tudo resolvido.</p>
<p>No máximo, os envolvidos na trapalhada de agora serão chamados, carinhosamente, de aloprados, alcunha criada por Lula para os negociadores do dossiê de 2006. Registre-se que mesmo com fotos policiais da dinheirama, os aloprados daquela época &#8211; um deles unha e carne do senador e candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloízio Mercadante – continuam livres, leves e soltos. Como carregam a credencial da quase unanimidade de Lula, eles serão, para sempre, apenas aloprados. E final de conversa.</p>
<p>Cumpre-se com rigor a regra máxima inaugurada pelo quase unânime governo Lula: perdão absoluto para os amigos do peito e os de ocasião, como os senadores José Sarney e Fernando Collor &#8211; primeiro e único presidente da República deposto pelo povo -, e de tolerância zero para a minoria incômoda que até parece não ser tão pequena quanto dizem, visto o nível de agressividade que a ela se dedica.</p>
<p>No avesso de suas unanimidades, o popularíssimo Lula e o antipopular Dunga têm muito em comum. Um tem até a chance de repetir a histórica frase de Zagalo &#8211; “vocês vão ter de me engolir”. Pode trazer o hexa, obrigando o mea-culpa dos críticos. O outro só admite a vitória e nem imagina o que dizer se a derrota o surpreender. Façam as suas apostas.</p>
<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat</em></p>
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		<title>Os tempos são dunguistas</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 00:41:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É preciso que haja um pouco de moral, grandeza e fantasia na vida, caso contrário de que valerá vivê-la? A pátria vestiu as chuteiras, esta semana, preparando-se para entrar em campo daqui a mais ou menos um mês, e gastou a sua primeira dose de adrenalina esperando a convocação dos 23 guerreiros que tentarão trazer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É preciso que haja um pouco de moral, grandeza e fantasia na vida, caso contrário de que valerá vivê-la?<span id="more-1838"></span></p>
<p>A pátria vestiu as chuteiras, esta semana, preparando-se para entrar em campo daqui a mais ou menos um mês, e gastou a sua primeira dose de adrenalina esperando a convocação dos 23 guerreiros que tentarão trazer a Copa do Mundo.</p>
<p>A metafísica vigente no universo do futebol brasileiro, neste momento, se aproxima muito da metafísica geral que envolve o País: governar pro gasto, fazer música pro gasto, escrever literatura pro gasto, jogar futebol pro gasto.</p>
<p>Nenhum grande projeto de País, a não ser o de ganhar as eleições, custe o que custar. Nenhum grande projeto de deslumbrar o mundo com o futebol, a não ser o de ganhar a Copa, custe o que custar.</p>
<p>Dunga, ex-jogador aplicado tornado técnico por um capricho do atual proprietário do futebol brasileiro, convocou 23 dungas para uma empreitada que envolve a pragmática tarefa de enfrentar 7 adversários num torneio fulminante cheio de som e fúria, e trazer pra casa uma taça e um título de Campeão do Mundo, o sexto da história do futebol brasileiro.</p>
<p>É provável que Dunga consiga executar com precisão a tarefa que lhe deram. Ele é um C.E.O pragmático de uma empresa destinada a ganhar títulos com o mínimo dispêndio de talento e graça. O padrão não é mais a beleza, a alegria, a joie de vivre, mas uma soturna eficiência.</p>
<p>O técnico abriu mão da dose de criatividade e fantasia que jovens brilhantes e talentosos, como Neymar e Paulo Henrique, poderiam acrescentar à esperada eficácia de seu time, e durante a encenação burocrática da convocação, usou os jargões que veio acumulando ao longo de sua carreira de amanuense da bola &#8211; e trocou a dose de fantasia que nos falta pelos seus parâmetros de comportamento: comprometimento, grupo fechado, coerência, responsabilidade, patriotismo. Uma mistura indigesta de futebolês com patriotês.</p>
<p>Enfrentou os questionamentos da imprensa com a determinação de um guerreiro, que nos comerciais de cerveja troca o sentido lúdico de uma competição esportiva pelo espírito combativo de quem vai a um confronto onde querem nos fazer crer que a honra da Pátria está em jogo.</p>
<p>O futebol é apenas um jogo &#8211; um lindo jogo &#8211; onde se exibem as características marcantes do caráter de um povo, seu estilo, sua alegria, sua maneira de encarar a vida. Ao transformá-lo numa competição de vida ou morte, ou numa empreitada comercial onde só o resultado interessa, os defensores do medíocre e tosco estilo dunguista de ver a vida estão transformando um universo de sonho e fantasia numa batalha vulgar, sem nenhum outro objetivo que não seja o de esgotar-se a si mesmo na esterilidade do resultado pelo resultado.</p>
<p>Não é coincidência que neste momento em que o rebaixamento dos valores morais e éticos do País transforma a luta política num embate sem grandeza, o futebol esteja condenado a imitar a vida.</p>
<blockquote><p> <em>Este artigo foi originalmente publicado no </em><a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/">Blog do Noblat</a></p></blockquote>
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		<title>Os mágicos da bola</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 19:30:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Hubert Alquéres]]></category>
		<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[O futebol ensinou, em certa medida, um pouco de democracia ao Brasil. O jogo, que sempre começa em zero a zero e submete as duas equipes às mesmas regras, coloca seus praticantes em condições de igualdade no momento da disputa. (1) Não foram poucos os nossos intelectuais que voltaram sua atenção e pesquisas a um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O futebol ensinou, em certa medida, um pouco de democracia ao Brasil. O jogo, que sempre começa em zero a zero e submete as duas equipes às mesmas regras, coloca seus praticantes em condições de igualdade no momento da disputa. (1)<span id="more-1002"></span><br />
</em><br />
Não foram poucos os nossos intelectuais que voltaram sua atenção e pesquisas a um tema que fascina não apenas o Brasil, mas tem ressonância em escala global: o futebol. Esporte que determina comportamentos culturais em todo o mundo, entre nós, o futebol ultrapassou as referências ditas populares, e além de discutido nas mesas redondas dominicais &#8211; vespertinas ou noturnas na maioria dos canais brasileiros de televisão -, passou a ser também objeto de discussões e debates universitários.</p>
<p>O futebol, que já foi objeto de utilização política durante o governo militar, e considerado alienante nos bancos de nossas academias nesses mesmos tempos, recebeu de nossos grandes poetas e cronistas outro tratamento, evidenciando a fruição que lhes permitiram campeonatos regionais e nacionais, copas do mundo, e, tantas vezes, o dom e mestria de nossos jogadores. Lembro aqui, para citar apenas alguns cronistas, Sergio Porto (Stanislaw Ponte Preta), Nelson Rodrigues, Rubem Braga, além dos poetas Ferreira Gullar, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, que jogou futebol. Mesmo Oswald de Andrade, a propósito de uma excursão europeia triunfal do Clube Atlético Paulistano, inventou um poema quase que estritamente numérico comentando a derrota do time diante do Futebol Clube de Cette (hoje Sète, no Sul da França).</p>
<p>Esse jogo e o poema de Oswald foram um dos motes para o filósofo Bento Prado Jr. &#8211; na série de artigos que publicou na <em>Folha Online </em>- escrever sobre &#8220;literatura e o mistério da bola&#8221;. Nele, relembra Coelho Neto e Décio de Almeida Prado e toda a sorte de metáforas e expressões criadas para designar lances de futebol: entrar com o pé direito, fazer finca-pé, saber onde por o pé, usar pés de lã, entre outros. Chico Buarque, que não apenas se interessa por futebol, mas o pratica pelo menos três vezes por semana, estando ou não em turnê, no Brasil ou no exterior, apropria-se da expressão pés de lã em sua canção “Leve”, em parceria com Carlinhos Vergueiro.(2)  </p>
<p>O texto de Almeida Prado que Bento Prado Jr. comenta refere-se à matéria publicada em 1988, &#8220;Latejando sobre o futebol&#8221;, presente no livro &#8220;Seres, coisas, lugares&#8221;.(3) No entanto, é em seu magistral artigo &#8220;Tempo (e espaço) no futebol&#8221;, publicado na Revista da USP (4) que Décio de Almeida Prado se vê obrigado a justificar a abordagem do tema, tido como frívolo, a não ser para fanáticos entre os quais ele se incluía.</p>
<p>Esse seu ensaio sobre futebol é extraordinário, relembrando desde Leônidas, o homem-borracha, inventor do célebre gol de bicicleta, ocorrido no jogo São Paulo x Juventus, em 1947, a Friedenreich e seu último gol marcado no estádio do Pacaembu, &#8220;tudo simples, como nos velhos tempos&#8221;. Analisa ainda as dimensões do campo, o desafio e as regras do jogo, a missão da defesa e o papel do ataque, a evolução do esporte levando em conta a técnica e o preparo físico dos jogadores, a contribuição dos técnicos, a irradiação de uma partida,finalizando com comentários sobre Pelé, capaz de driblar e valer-se de sua inteligência, simultaneamente.</p>
<p>O futebol brasileiro e mundial viverá em 2010 um momento especial. Será disputada a primeira Copa em solo africano, na África do Sul, e o ano marca também os 80 anos da realização da primeira Copa do Mundo, disputada no Uruguai em 1930. Além disso, o Brasil se prepara para receber a sua segunda Copa do Mundo, 64 longos anos após sediar a primeira, em 1950.</p>
<p>O jogador brasileiro é o fiel retrato da simbiose entre o jogador de futebol e a bola: a facilidade do drible como recurso para abrir espaços e furar retrancas; a malandragem e malemolência da ginga de corpo, a finta no contrapé, ou a elegância ao conduzir a bola, sem precisar sequer olhar para ela.</p>
<p>Espelho dessa paixão brasileira, nossos craques, com sua magia dentro dos gramados, eternizaram o futebol como legítimo e inigualável produto nacional, impregnado na memória de todos os amantes desse esporte espalhados pelos quatro cantos do planeta.</p>
<p><em>(1) José Miguel Wisnik, como conferencista, no Seminário &#8220;Futebol em debate&#8221;, promovido pela Unicamp, em abril de 2009</em></p>
<p>(2) &#8220;Pense que eu cheguei de leve /machuquei você de leve / e me retirei com pés de lã&#8221;.</p>
<p>(3) Décio de Almeida Prado, &#8220;Seres,coisas, lugares: do teatro ao futebol&#8221;, Cia. das Letras, São Paulo, 1997</p>
<p>(4) Revista da USP, Décio de Almeida Prado,Tempo (e espaço) no futebol, julho e agosto, 1989, p. 15-24</p>
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		<title>Juízes de futebol, gatunos ou não</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Jan 2010 03:09:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Anélio Barreto]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>

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		<description><![CDATA[O gatunos do título devo a Nelson Rodrigues, que teceu as mais saborosas crônicas sobre o juiz ladrão. Como diria ele, vamos aos fatos, pelo menos a um deles: “Mas em 1918, 17 ou 16, os gatunos constituíam uma briosa fauna, uma luxuriante flora. Evidentemente, havia as exceções. Mas os salafrários podiam apitar as partidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O gatunos do título devo a Nelson Rodrigues, que teceu as mais saborosas crônicas sobre o juiz ladrão. Como diria ele, vamos aos fatos, pelo menos a um deles: <span id="more-819"></span></p>
<p>“Mas em 1918, 17 ou 16, os gatunos constituíam uma briosa fauna, uma luxuriante flora. Evidentemente, havia as exceções. Mas os salafrários podiam apitar as partidas e com que glorioso, com que genial descaro! Certa vez, foi até interessante: — existia um juiz que era um canalha em estado de pureza, de graça, de autenticidade. Um domingo, ele vai apitar um jogo decisivo. Que fazem os adversários? Tentam suborná-lo. Ora, o canalha é sempre um cordial, um ameno, um amorável. E o homem optou pela solução mais equânime: — levou bola dos dois lados. Justiça se lhe faça: — roubou da maneira mais desenfreada e imparcial os dois quadros. Ao soar o apito final, os 22 jogadores partiram para cima do ladrão. Mas o gângster já se antecipara, já estava pulando muros e galinheiros. Era uma figurinha elástica, acrobática e alada. Isto foi em 1917. O juiz gatuno está correndo até hoje.”</p>
<p>Vou aqui relembrar alguns episódios de juízes (gatunos ou não) que se tornaram célebres no futebol brasileiro. Um deles, o folclórico Mário Vianna, personagem desta historinha publicada anos atrás pela revista <em>Placar</em>:</p>
<p>“Corinthians e Bangu jogavam no Pacaembu pelo Torneio Rio-São Paulo em 1952. Partida dura. Baltazar entrou de mau jeito num adversário e Mário Vianna o expulsou. Os outros corintianos se aproximaram para reclamar e ele foi avisando:<br />
- Não falem comigo, que também expulso vocês.</p>
<p>Goiano e Luizinho esboçaram um leve protesto.<br />
- Mas seu juiz&#8230;<br />
- Eu disse que não falassem comigo. Pra fora os dois.</p>
<p>Em Minas houve o famoso Cidinho Bola Nossa, atleticano fanático. O episódio abaixo foi postado por “Sapo Barbudo”, em 2004, na internet. Ele teve como fonte a revista <em>Placar</em>:</p>
<p>“Nos 25 anos como juiz, Cidinho – Alcebíades de Magalhães Dias – escapou de muitos linchamentos e ganhou o apelido de Bola Nossa devido ao seu amor pelo Atlético Mineiro. Ele mesmo conta esta história: ‘Atlético e Botafogo jogavam na inauguração do estádio do Cruzeiro em 1949. Afonso e Santo Cristo disputavam a bola para saber de quem era o lateral. Quando o beque do Atlético me perguntou de quem era a bola, deixei escapar uma frase que me acompanhou para o resto da vida – É nossa, Afonso, a bola é nossa’.</p>
<p>O entusiasmo foi tão grande que Santo Cristo saiu sorrindo e contou aos companheiros. Augusto Rocha, jornalista de <em>O Veneno</em>, ouviu tudo e no dia seguinte conseguiu vender mais de 2 mil exemplares em Belo Horizonte com a seguinte manchete – “O Galo pariu um rato.”</p>
<p>Também de “Sapo Barbudo” citando a <em>Placar</em>:</p>
<p>“O mesmo aconteceu com João Felix Junior num América x Atlético, em 1950, quando a torcida viu o primeiro clássico no velho Estádio Independência.<br />
- Foi falta ou impedimento? &#8211; perguntou o atacante Vaguinho do América.<br />
E João Felix virava constantemente a palma da mão.</p>
<p>Não entendendo, Vaguinho voltou a perguntar. Foi expulso por desrespeito à autoridade.<br />
O juiz queria dizer que a bola era do Atlético, pois em sua mão estavam pintadas as cores do Galo.”</p>
<p>Outro juiz inesquecível foi Armando Marques – Armando Nunes Castanheira da Rosa Marques, que durante 25 anos apitou no futebol brasileiro. A fonte é sempre a revista <em>Placar</em>:</p>
<p>“Em 1973, na final do campeonato paulista, Santos e Portuguesa decidiram o titulo na cobrança dos pênaltis. Quando a Portuguesa ainda tinha condições de empatar, Armando pegou a bola e acabou o jogo com o Santos campeão. Quando percebeu o erro quis voltar atrás, mas os times já estavam nos vestiários. A Federação terminou proclamando Santos e Portuguesa campeões paulistas de 1973.</p>
<p>Outra confusão aconteceu em 1974. Nilton Santos era assessor técnico do Botafogo. Quando Armando foi chamar a atenção do ex-craque com o dedo em riste, recebeu de Nilton um soco que o atirou escadaria abaixo no túnel do Maracanã.”</p>
<p>A historinha a seguir teve como personagens Romeu Ítalo Ripoli, presidente do XV de Novembro de Piracicaba, e o juiz paulista Olten Ayres de Abreu. A fonte é <em>A Província Online</em>, de Cecílio Elias Netto e Milton Neves.</p>
<p>“Há pouco tempo, o amigo Antônio Ulisses Micchi – radialista de voz inigualável, à época – lembrou do fato que, parecendo folclórico, foi absolutamente real. Em almoço, lá estávamos, “en petit comité”: José Ermírio de Morais, Olten, Rípoli, Luiz Cunha e outros radialistas e repórteres.<br />
Ao final do almoço, Rípoli anunciou: “Agora, um vinho especial para o Olten, um vinho que eu trouxe da Itália.” José Ermírio sorriu, feliz diante de tanto cavalheirismo. Olten, o chefe dos juízes, sentiu-se glorioso. Mas Rípoli impôs uma condição: “O Olten tem que ir buscá-lo. Está na geladeira.”<br />
Não me lembro se o Olten retornou à mesa com o vinho, sem o vinho, se alguém o experimentou. Sei que, no dia seguinte, os jornais explodiam em manchetes indignadas: ‘Olten denuncia: Rípoli tentou suborná-lo’. Em vez de vinho, Olten dizia que Rípoli lhe oferecera dinheiro: ‘Ele deixou embrulhado num pacote, dentro da geladeira’. Deu processo, confusão, mas Rípoli não se abalou. Juro pelos céus que nunca soubemos a verdade.<br />
Depondo sobre o assunto, Rípoli tentou inverter a situação: ‘Eu é que denuncio o Olten: é um larápio. Ele roubou o meu dinheiro. Pois a geladeira é minha, o dinheiro é meu. Se é meu, ponho o dinheiro onde eu quiser’.”</p>
<p>Agora voltemos a Nelson Rodrigues, agora comparando gatunos e juízes honestos.</p>
<p>“A arbitragem normal e honesta conferiu ao clássico um tédio profundo, uma mediocridade irremediável. Só o juiz gatuno, o juiz larápio dá ao futebol uma dimensão nova e, se me permitem, shakespeariana. O espetáculo deixa de se resolver em termos especificamente técnicos, táticos e esportivos. Passa a ter uma grandeza específica e terrível. Eis a verdade: – o juiz ladrão revolve, no time prejudicado e respectiva torcida, esse fundo de crueldade, de insânia, de ódio que existe, adormecido, no mais íntegro dos seres. O mínimo que nos ocorre é beber-lhe o sangue.”</p>
<p><em></em> </p>
<blockquote><p><em>Janeiro 2010</em></p></blockquote>
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		<title>Um domingo para lavar a alma</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 22:09:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Vaz</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Jus sperneandi]]></category>

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		<description><![CDATA[Este foi um Campeonato Brasileiro para a gente lembrar pra sempre. Pontos corridos, que é o jeito mais justo, o mais equilibrado. E com emoção até os 49 minutos do segundo tempo do último jogo. E o Flamengo campeão! Que maravilha. Por ser o Flamengo, por ser um time do Rio, por não ser o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Este foi um Campeonato Brasileiro para a gente lembrar pra sempre. Pontos corridos, que é o jeito mais justo, o mais equilibrado. E com emoção até os 49 minutos do segundo tempo do último jogo.<span id="more-385"></span></p>
<p>E o Flamengo campeão! Que maravilha. Por ser o Flamengo, por ser um time do Rio, por não ser o São Paulo, por não ser o Palmeiras.</p>
<p>E, na última rodada, no último minuto, o Fluminense escapa do rebaixamento, o Botafogo escapa do rebaixamento. Que maravilha. Nada muito a favor do Fluminense, mas tudo a favor do Botafogo, o time do meu irmão Arnaldo, do meu irmão Geraldo. E tudo a favor do Rio de Janeiro, essa cidade tão absolutamente maravilhosa, sinônimo de Brasil, que o País deixou se perder tanto, nas últimas décadas. Que bom que neste ano o Vasco foi campeão da Segundona, Botafogo e Fluminense escaparam dela, e o Flamengo foi campeão. O Rio de Janeiro merecia isso. No ano em que foi escolhida sede da Olimpíada. Quem sabe essas coisas todas não são um indício pró-Rio?</p>
<p>Se forem, que maravilha. Que maravilha seria se de alguma forma o Rio de Janeiro pudesse se resgatar, reverter essa maré ruim que vem de anos e anos.</p>
<p>E o Palmeiras, líder durante boa parte do tempo, com a mão quase na taça, no último minuto não consegue sequer uma vaga na Libertadores. Que maravilha.</p>
<p>É um domingo para não se esquecer.</p>
<p>Se fosse possível a gente esquecer de todo o resto, que maravilha. A corrupção infindável. O governo de merda que afunda o país numa rota insensata de personalismo da figura do rei, de manutenção das bases de uma política econômica sólida mas de areia movediça dos gastos insanos com a máquina burocrática inchada, a partidarização do que é público, do que deveria ser res-publica, coisa do povo, a petralhada tomando de assalto milhares e milhares e milhares de cargos no Estado e nas estatais, a política externa do mais absoluto infatilismo esquerdóide que joga fora mais de 180 anos de sensatez, a propaganda deslavada, a repetição ad nauseam de mentiras em cima de mentiras, os oitenta por cento de aprovação de um desgoverno, a absoluta falta de firmeza da oposição&#8230;</p>
<p>Cacilda. Se este fosse só um país do futebol, que maravilha. Que domingo para lavar a alma.</p>
<blockquote><p><em>Dezembro de 2009</em></p></blockquote>
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